O que vamos fazer depois do trabalho?

José Luiz Riani Costa · Capítulo 12 de 49

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O que vamos fazer depois do trabalho?

2. Preparação para a aposentadoria

2 – Preparação para a

aposentadoria

Amarilis Maria Muscari Riani Costa, Pollyanna Natalia Micali, Oscar Gutiérrez Huamaní, José Luiz Riani Costa, Ruth Gelehrter Costa Lopes

No Brasil, a aposentadoria é ainda uma questão recente. No início da década de 1920, assim como ocorreu antes na Europa e nos Estados Unidos, a classe operária comandou uma luta pela proteção dos trabalhadores mais idosos. Naquela época, as pessoas viviam muito pouco depois que se aposentavam e, assim, a preocupação maior era o apoio financeiro aos mais velhos (França, 2012).

Ao afirmar que “o trabalhador deveria ter garantida a sua sustentação econômica na fase da aposentadoria”, Rey et al. (1996, p.147), citando Salgado, reconhecem que esta “pode-se constituir um período de empobrecimento e até mesmo de miséria, dada a depreciação constante de seu valor e a difícil possibilidade de complementação de renda com outro trabalho remunerado”.

No meio urbano, encontramos uma população marginal produzida por um

modelo econômico que absorve mão de obra qualificada, que incorpora cada

vez mais tecnologia avançada, ignorando contingentes migratórios formados

por populações desqualificadas e migrantes, que buscam sua absorção nos

grandes centros urbanos metropolitanos. Nessa população existe uma

velhice urbana, em aguda carência material, o que favorece o abandono, a

delinquência e a demência senis. (Dal Rio, 2002, p.62)

Como visto no capítulo anterior, os significados conferidos ao trabalho e à aposentadoria são permeados pela lógica do sistema capitalista, no qual o indivíduo é valorizado enquanto produz segundo as relações de produção. Em muitos casos, a aposentadoria é vista como uma situação em que o indivíduo se sente desvalorizado por não mais ser participante da “população economicamente ativa” e de ser, assim, considerado improdutivo. Nesse contexto, o fato de o aposentado ser rotulado como “dependente” da sociedade pode implantar no imaginário social o estigma da inatividade, que passa a acompanhar os demais momentos da vida após a aposentadoria.