O que vamos fazer depois do trabalho?
5. Atividade física e aposentadoria
5 – Atividade física e
aposentadoria1
Pollyanna Natalia Micali, Paula Secomandi Donadelli, Paulo Fernando Moraes, Reisa Cristiane de Paula Venancio
Um dos componentes mais importantes de um Programa de Preparação para Aposentadoria (PPA), no que se refere à saúde dos futuros aposentados, é o relacionado à atividade física. Além de palestras, dinâmicas em grupo e rodas de conversa sobre o tema que possibilitem o acesso aos conhecimentos disponíveis, é importante que a organização ofereça um programa regular de atividades físicas.
A aposentadoria, muitas vezes, é caracterizada pelas perdas que ocorrem nessa fase, e também pela mudança abrupta na rotina diária. Outras mudanças podem acontecer, como o afastamento das amizades vinculadas ao ambiente de trabalho, a diminuição na renda e alteração de outros fatores que podem comprometer a qualidade de vida do trabalhador (França; Vaughan, 2008). Por outro lado, a maior disponibilidade de tempo livre possibilita ao indivíduo realizar coisas que antes não conseguia como, por exemplo, praticar exercícios físicos e, consequentemente, aumentar o nível de atividade física nos domínios do lazer e doméstico. Um dos instrumentos para avaliar o nível de atividade física é o Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) (Miilunpalo, 2001; Bauman et al., 2009).
A atividade física (AF) é definida como qualquer movimento corporal produzido em consequência de contração muscular que leve a um aumento do gasto calórico; dessa forma, andar, sentar, bordar, costurar podem ser consideradas atividades físicas. Já o exercício físico é uma subcategoria da AF, caracterizado por ser planejado, estruturado, repetitivo e utilizado como meio para melhora de alguma aptidão física (Caspersen; Powell; Christenson, 1985; Confef, 2002; Hoffman; Harris, 2002).
A relação entre a AF, saúde, qualidade de vida e envelhecimento é campo de estudo dos profissionais de saúde, que consensualmente atribuem à adoção de um estilo de vida ativo um fator imprescindível para um envelhecimento bem-sucedido (Matsudo; Matsudo; Barros Neto, 2001).
Os benefícios obtidos pela prática de AF regular têm sido amplamente descritos em pesquisas científicas, abrangendo aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Virtuoso Júnior et al. (2012) destacam que a prática de AF regular reduz o risco da incapacidade funcional em pessoas idosas, mantendo-as independentes para a realização das atividades do dia a dia. Segundo a OMS (WHO, 2010), a inatividade física é o quarto principal fator de risco da mortalidade global mundial.
Diante disso, sugere-se que os PPAs incluam a AF como uma das alternativas disponíveis para essa nova fase da vida, possibilitando aos aposentados a aquisição ou manutenção de um estilo de vida fisicamente ativo.
Neste capítulo também serão apresentados alguns resultados de dissertações de mestrado e projetos em andamento envolvendo essa temática, desenvolvidos na Unesp, junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Motricidade, bem como trabalhos apresentados em congressos e outros eventos.
Tendo em vista os capítulos anteriores, pode-se observar que o período da aposentadoria também vem acompanhado do envelhecimento natural, caracterizado por alterações anatômicas e funcionais que acontecem em ritmos e intensidades diferentes, dependendo de fatores pessoais internos (especialmente genéticos) e externos (ambientais, ocupacionais, sociais etc.) (Costa; Costa; Gobbi, 2012).
Um estudo de revisão que avaliou a adaptação à aposentadoria identificou evidências de que vários fatores, como ter filhos dependentes financeiramente, perder o parceiro durante a transição, aposentar-se mais cedo do que o esperado e aposentar-se por problemas de saúde são condições que afetam negativamente a saúde física e a adaptação à aposentadoria. Por outro lado, ter boa saúde física e mental, aposentar-se por decisão própria, usufruir de bom status financeiro, engajar-se em lazer e trabalho formal ou voluntário, ter planejado a aposentadoria, aposentar-se para fazer outras atividades, ter boa relação conjugal e estar insatisfeito com o trabalho ou desempregado antes da aposentadoria são condições favoráveis ao ajustamento após a aposentadoria (Wang; Henkens; Van Solinge, 2011).
Uma atitude saudável e que ajuda o indivíduo a se adaptar mais facilmente a essa realidade é a prática regular de atividades físicas. Segundo Slingerland, Van Lenthe e Jukema (2007) e Santos et al. (2001), há fortes evidências de que essa prática na aposentadoria diminui as doenças crônicas, o risco de quedas, melhora a capacidade funcional e a mobilidade, tornando o indivíduo mais independente. Matsudo (2009) destaca que, além de diminuir o risco de quedas, há uma diminuição na frequência e na gravidade das lesões por quedas, relacionadas ao aumento da força muscular de membros inferiores e coluna vertebral, melhora no tempo de reação, promoção de sinergia motora das reações posturais, velocidade de andar, mobilidade e flexibilidade.
Como principais efeitos metabólicos estão o aumento do volume de sangue circulante, da resistência física em 10%-30%, da ventilação pulmonar, diminuição da frequência cardíaca em repouso e no trabalho submáximo. Ocorre ainda o controle da pressão arterial, melhora nos níveis de colesterol HDL (lipoproteínas de alta densidade) e diminuição dos níveis de triglicérides, colesterol total e LDL (lipoproteínas de baixa densidade), e de glicose. A AF promove, ainda, a diminuição de marcadores inflamatórios associados às doenças crônicas não transmissíveis, colaborando na diminuição do risco de doença cardiovascular, acidente vascular cerebral tromboembólico, hipertensão arterial, diabetes tipo 2, osteoporose, obesidade, câncer de cólon e câncer de útero (Matsudo, 2009).
Nos efeitos psicossociais há melhora do humor, da autoestima e da imagem corporal, bem como redução da tensão muscular, da insônia, da ansiedade e da depressão. Também previne ou retarda o declínio das funções cognitivas (Peluso; Andrade, 2005; Matsudo, 2009).
A redução de sintomas depressivos e da ansiedade por meio da prática regular do exercício físico pode ser explicada pelo aumento da liberação de hormônios e neurotransmissores, como catecolaminas, hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), vasopressina, beta-endorfina, dopamina, serotonina e pela ativação de receptores específicos e diminuição da viscosidade sanguínea, propiciando um efeito tranquilizante e analgésico, obtendo um resultado relaxante pós-esforço (Cheik et al., 2003).
Apesar de todos esses benefícios advindos da prática regular de AF, 31,3% da população mundial e 49,2% da população brasileira não atingem as recomendações mínimas de prática de AF (WHO, 2010; Hallal; Andersen; Bull, 2012). Isso é preocupante, considerando que a AF pode ser uma ferramenta de promoção à saúde e de enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis (Duncan; Silva; Polanczyk, 2012). O monitoramento dessa prática, bem como de seus fatores associados, é de extrema importância.
De acordo com dados do Vigitel (2014), apenas 35,3% dos entrevistados disseram dedicar pelo menos 150 minutos do seu tempo livre na semana com AF, bem como aponta que 52% da população adulta do país apresenta excesso de peso.
Zantinge et al. (2013) afirmam que a AF regular é uma eficaz ferramenta, pois ajuda na saúde física e mental do indivíduo. Especialmente entre os idosos, é constatada a diminuição do risco de institucionalização, do uso de serviços de saúde e de medicamentos, gerando menos gastos à saúde pública.
A recomendação de AF para os aposentados, em geral, segue as mesmas recomendações para os idosos. Ela é fundamentada em quatro pilares: atividade aeróbia, fortalecimento muscular, flexibilidade e equilíbrio.
De acordo com Matsudo (2009), as atividades aeróbias, como caminhada, bicicleta e natação, devem ser realizadas por 30 minutos, com intensidade moderada, 5 vezes por semana. O fortalecimento muscular deve ser realizado duas ou três vezes por semana, em dias não consecutivos. Deve-se executar uma série de 8 a 15 repetições e de 8 a 10 exercícios diferentes priorizando grandes grupos musculares.
Os exercícios de flexibilidade devem ser executados por, no mínimo, 10 minutos nos dias que forem realizadas as atividades aeróbias e o fortalecimento muscular. Orienta-se ficar na posição estática por 10 a 30 segundos em cada posição, e repetir 3 a 4 vezes cada movimento. Por fim, recomenda-se que os exercícios de equilíbrio sejam realizados 3 vezes por semana (Matsudo, 2009).
O Ministério da Saúde incluiu as práticas corporais/atividades físicas no âmbito da Política Nacional de Promoção da Saúde (Brasil, 2006). Também incluiu os profissionais de educação física na composição dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), bem como apoiou a implantação de academias da saúde. Além disso, a ANS vem estimulando a adoção de um estilo de vida ativo, incluindo bonificações aos usuários que praticam regularmente AF.
Slingerland, Van Lenthe e Jukema (2007) relatam que, quando o indivíduo se aposenta, há uma queda no nível de AF, já que muitos deles realizam trabalhos manuais e se deslocam para o trabalho caminhando ou pedalando, o que contribui substancialmente para um maior nível de atividade física do indivíduo. Em contrapartida, eles afirmam que a pressão e as limitações do tempo são as principais barreiras para a prática regular de AF.
Por isso, a ideia de aliar essa prática a um PPA é fundamental, já que diversas pesquisas apontam que a inatividade física, combinada a outros fatores de risco, contribui para a ocorrência de um conjunto de doenças crônicas, como: diabetes, osteoporose, câncer de cólon, de pulmão e de próstata e, sobretudo, doenças cardiovasculares (Zaitune et al., 2007).
No Brasil, muitos programas de PPA citam a prática regular como uma estratégia importante, mas poucos realizam algum tipo de intervenção ou desenvolvem alguma ação específica para que os indivíduos sejam realmente mais ativos.
Em 2006, foi criado o PPA da Universidade Federal de Santa Catarina, no qual cinquenta funcionários foram convidados a participar de nove encontros, para tratar de assuntos relevantes como expectativas pós-aposentadoria, relação familiar, empreendedorismo, saúde, AF, entre outros (Soares; Costa; Rosa 2007).
Segundo Soares, Costa e Rosa (2007), em relação à AF, realizou-se uma palestra informativa sobre esportes, com a presença de um especialista convidado, a apresentação de técnicas sobre a correta realização de atividades físicas, bem como propostas para o início da prática esportiva, inclusive com as alternativas existentes dentro da própria universidade, como o Núcleo de Estudos da Terceira Idade (Neti). Também foi realizada uma dinâmica de grupo para discussão sobre atividades de lazer, com foco nas possibilidades para a região. Em ambas as situações, tanto no esporte, como no lazer, discutiu-se a importância da inserção social promovida pela prática de atividades físicas.
Tendo em vista a importância do tema e poucos resultados na literatura, estão sendo desenvolvidos alguns projetos de pesquisa pela Unesp, como um estudo de base populacional, de caráter epidemiológico, que está sendo realizado na cidade de Rio Claro, incluindo aposentados, a fim de verificar, por meio de questionários, o nível de AF, a qualidade de vida, condições socioeconômicas, condições de saúde e as barreiras enfrentadas para iniciar ou continuar a prática de AF. Os resultados poderão nortear a implantação de novos programas que atendam de forma mais abrangente as reais necessidades dessa população, além de melhorar a aderência a esses programas.
Outro trabalho de mestrado em andamento é a implantação de um projeto-piloto de preparação para a aposentadoria para servidores da Prefeitura de Limeira (SP). Nesse projeto foram feitas intervenções com AF, duas vezes por semana, palestras educativas e dinâmicas em grupo, uma vez por semana, abordando assuntos relevantes, como envelhecimento, doenças crônicas, depressão, nutrição, importância da AF, qualidade de vida, expectativas relacionadas à aposentadoria, empreendedorismo e voluntariado. Um dos objetivos específicos do projeto é incentivar que esses servidores introduzam essa prática regularmente na sua rotina e proporcionar a eles um envelhecimento bem-sucedido. Foram realizadas avaliações físicas e psicológicas antes do início e após o término da intervenção, para analisar o efeito nos servidores participantes, em comparação com um grupo que não participou das atividades. Os resultados preliminares indicam que houve mudança significativa no nível de AF dos servidores, bem como na coordenação motora dos mesmos. Também houve melhora nos níveis de força de membros superiores e inferiores, na flexibilidade e na resistência aeróbia. Um achado positivo desta pesquisa foi que o follow-up realizado 6 meses após o término da intervenção, revelou que 80% dos servidores do grupo intervenção continuavam praticando exercícios físicos 3 vezes por semana. Devido a todas estas mudanças, a qualidade de vida dos servidores melhorou em diversos aspectos quando analisadas qualitativamente. Outros resultados estão sendo analisados para posterior divulgação.
Na Austrália foi realizado por Holt, Jancey e Lee (2014) um estudo em vilas de aposentados. Essas vilas são comuns no país e estão crescendo, visto que o número de idosos também é crescente. Nesse estudo, cerca de 400 pessoas, divididas em 20 grupos de 20 indivíduos cada, sendo 10 no grupo intervenção e 10 no grupo controle, foram analisadas durante 6 meses. Para os indivíduos do grupo intervenção, foram oferecidas cartilhas explicativas falando da importância da AF e recomendando que os indivíduos pratiquem 150 minutos semanais de atividades físicas moderadas. Nessa cartilha, também foram apresentados conteúdos sobre hábitos alimentares saudáveis. Esse estudo ainda estava em andamento por ocasião da publicação mas será importante para fornecer informações sobre facilitadores de barreiras para construir hábitos saudáveis e também podem contribuir para que os órgãos públicos pensem em estratégias para facilitar esse processo.
Existem na literatura alguns estudos com essa temática realizados em outros países, porém existem limitações para a comparação dos resultados, devido aos diferentes hábitos e culturas, além da utilização de diferentes instrumentos de avaliação.
Em outro estudo, Lahti et al. (2011) concluíram que indivíduos que se aposentam aumentam a frequência da prática esportiva no lazer e diminuem a inatividade física. Esses resultados apontam que esse momento de transição para a aposentadoria é o ideal para que sejam feitas ações que estimulem a prática regular, bem como as AF no lazer.
Soares, Costa e Rosa (2007) afirmam que é necessário um novo olhar para os aposentados em virtude do aumento da expectativa de vida, trazida principalmente pelos avanços da medicina. É preciso preparar esse idoso para que ele viva mais vinte ou trinta anos com qualidade.
Estudos indicam maior adesão à AF por adultos no período de aposentadoria, melhorando a saúde e bem-estar devido à nova rotina e à possibilidade de interação social, enfatizada entre as mulheres, e às mudanças pessoais, enfatizada entre os homens (Barnett; Guell; Ogilvie, 2012).
Segundo Barnett, Van Sluijs e Ogilvie (2012), o principal resultado após uma revisão sistemática do tema abrangendo trinta anos, entre 1980 a 2010, é que a AF no lazer aumentou depois da transição para a aposentadoria no grupo de maior nível econômico. Também se investigou se outras mudanças variavam com a classe socioeconômica.
Em outra revisão sobre o assunto, Barnett, Guell e Ogilvie (2012) realizaram uma síntese de resultados quantitativos e qualitativos. Os resultados dessa revisão permitiram perceber que esse engajamento tende a ocorrer mais em atividades de recreação, que incluem expectativas dos benefícios de saúde, padrões de AF ao longo da vida, oportunidades para socialização, mudanças pessoais e desejos para uma nova rotina.
Para entender como ocorre o processo de envelhecimento de professores, a Unesco (2004) desenvolveu uma pesquisa com professores no Brasil, identificando que 17,8% praticam AF diariamente, 15,3% realizam AF de três a quatro vezes por semana, 18,7% de uma a duas vezes por semana e 13,7% a cada quinze dias. Os que disseram nunca realizar atividade física somaram 34,5%.
Moraes (2014), em sua dissertação de mestrado, desenvolvida junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Motricidade, da Unesp, buscou entender melhor o processo de envelhecimento ativo de um grupo de indivíduos participantes de um programa de AF da Unati/Esalq/USP, especialmente os professores aposentados, caracterizando o grupo em relação: 1) ao índice de aptidão funcional geral (IAFG); 2) ao nível de atividade física; 3) à qualidade de vida em três domínios: capacidade funcional, limitação por aspectos físicos e vitalidade, e também a atividade física na aposentadoria dos professores do grupo.
Fizeram parte dessa pesquisa 47 participantes, com média de idade de 70,21 anos (± 5,58) e peso 67,88 (± 9,63). Os resultados socioeconômicos da amostra apontaram um melhor nível econômico dos professores em relação aos demais participantes.
Isto leva à associação com o estudo de Barnett, Van Sluijs e Ogilvie (2012), que relacionou os resultados de outros estudos sobre a pós-aposentadoria e o status socioeconômico concluindo que o aposentado com esse indicador mais elevado realiza mais AF no lazer no período de aposentadoria.
Entre os resultados encontrados quanto ao IAFG do grupo estudado, a maioria (46,94%) está classificada como fraco ou muito fraco, não havendo diferenças significativas entre professores e não professores quanto ao IAFG. Nas capacidades físicas específicas, observou-se ligeira vantagem para os professores nos componentes da capacidade funcional da American Alliance for Health, Physical Education, Recreation and Dance – AAHPERD (agilidade, equilíbrio dinâmico e resistência aeróbia). Os professores aposentados do grupo estudado apresentam-se mais ativos no cotidiano que os demais, pois o nível de AF nos domínios doméstico e lazer, avaliados pelo IPAQ, foram significativamente maiores. Quanto aos três domínios avaliados no questionário SF-36 (capacidade funcional, limitação por aspectos físicos e vitalidade), a vitalidade foi significativamente menor entre os professores do grupo.
A conclusão observada no estudo de Moraes (2014) foi a tendência de as professoras e professores aposentados buscarem um envelhecimento ativo, preconizado pela OMS (2005), que se caracteriza pelo aumento da expectativa de vida saudável e a qualidade de vida para todas as pessoas que estão envelhecendo, inclusive as que são frágeis, fisicamente incapacitadas e que requerem cuidados.
Em uma pesquisa realizada com aposentados residentes no município de Rio Claro, procurou-se investigar o nível de atividade física e a qualidade de vida, por meio de um estudo epidemiológico, de base populacional. Foi observado que as mulheres aposentadas não atingiram os níveis de AF recomendados (150 minutos semanais) no tempo livre, diferentemente dos homens, que atingiram estes níveis. Em relação à qualidade de vida, observou-se que os aposentados apresentaram pior qualidade de vida quando comparados a não aposentados no domínio capacidade funcional, indicando uma influência da aposentadoria no nível de AF e qualidade de vida. Dessa forma, devem ser incentivados e implantados PPAs em empresas e instituições, com apoio das políticas públicas de saúde, a fim de minimizar estes efeitos durante o processo de aposentadoria e nas etapas posteriores (Micali, 2015).
A inclusão da prática regular de AF é importante em todas as idades, porém, à medida que envelhecem, as pessoas tendem a ser mais inativas. Nesse contexto, pessoas maiores de 65 anos fisicamente ativas, ao serem comparadas com as fisicamente inativas, apresentam melhores rendimentos na aptidão cardiorrespiratória, menor risco para o desenvolvimento de doenças incapacitantes, além de taxas menores de várias doenças crônicas não transmissíveis (WHO, 2010), além do convívio e da interação social. Novos estudos e programas de PPA ainda precisam ser realizados para preencher as lacunas sobre essa temática.
Diante dos relatos apresentados e da afirmação de diversos autores baseados em estudos experimentais e epidemiológicos (transversais e longitudinais), existem evidências de que a atividade física tem implicações sobre a qualidade e a expectativa de vida. Estudos com pessoas idosas indicam que tanto o exercício aeróbio, feito regularmente, quanto o treinamento de força, têm efeito positivo sobre a saúde, não havendo evidências da superioridade de uma forma de atividade sobre as outras (Ministério da Saúde, 2002; Santarem, 2002; Deps, 1993).
Para o homem primitivo, a atividade física era parte integrante do seu dia a dia, mas, com a evolução da tecnologia, tanto no trabalho como na vida doméstica, houve uma progressiva redução das atividades físicas, especialmente para alguns grupos de pessoas (Costa; Gobbi, 2002).
Para Santarem (2002, p.9), como as “pessoas idosas costumam apresentar graus variáveis de processos degenerativos articulares e vasculares, exigindo maiores cuidados na prática esportiva e nos programas de exercícios terapêuticos ou de condicionamento físico”, é importante que as atividades iniciais sejam suaves e que a progressão ocorra lentamente, especialmente se os idosos forem sedentários há muitos anos.