O que vamos fazer depois do trabalho?

José Luiz Riani Costa · Capítulo 40 de 49

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O que vamos fazer depois do trabalho?

A participação de idosos na educação ambiental

Implantação de bosques de vizinhança, integrando a recuperação ambiental com locais para a prática de atividades físicas e lazer. Seria interessante constituir espaços que lembrassem os antigos quintais e as fazendas onde muitos idosos passaram boa parte de sua infância e juventude. Apoio ao plantio de árvores nos quintais e jardins das residências, com o fornecimento de mudas e orientação técnica, além da instituição de estímulos, como a redução de tributos proporcional à área cultivada.

Outra possibilidade é desenvolver atividades que recuperem as informações acumuladas pelos idosos a respeito das transformações promovidas no meio ambiente, tanto o natural como o construído pelo homem. Nessa atividade, é fundamental a participação de pessoas de diferentes idades, com ganhos adicionais em função do contato intergeracional.

 

A participação de idosos na educação

ambiental

Os conhecimentos e experiências acumulados pela população idosa podem ser compartilhados com as novas gerações, proporcionando ao educando o contato, ainda que indireto, com o antigo meio, através de histórias e fotografias que resgatem a herança da família e sua ligação à terra. Quanto maior a diversidade de idades entre os participantes, mais rica a atividade, pois é importante que todos tenham consciência das transformações que a humanidade está provocando no meio ambiente, especialmente no processo de urbanização. Com base nessas reflexões foi elaborado um trabalho intitulado “Vovô e vovó como educadores ambientais” (Costa; Costa, 2003), apresentado em eventos de educação ambiental, que serviu de fundamento para as discussões aqui apresentadas.

Uma das técnicas utilizadas é a Memória Viva, que busca conhecer os fatos ocorridos no passado, com possibilidade de recriar, reconstruir ou retratar o meio ambiente e as características da vida na cidade e no campo para, com visão crítica, associar as mudanças promovidas no decorrer dos tempos (Cetesb, 2001).

Nessa atividade são colhidos depoimentos de pessoas idosas que vivem na comunidade, sendo interessante incluir os próprios avós dos participantes, além de comerciantes, funcionários da prefeitura e moradores da vizinhança que tenham raízes antigas no bairro e/ou cidade.

O relato deve ser livre, podendo seguir um roteiro que inclua dados sobre:

A casa em que morava, como era feita, se existia quintal grande, horta, pomar.

A escola onde estudou, o trajeto da casa à escola, as brincadeiras e jogos etc.

O que havia no local antes que o bairro fosse criado (fazenda, várzea etc.).

Como eram os rios, riachos ou córregos que passavam pela cidade.

Como eram os hábitos alimentares e a conservação dos alimentos.

Como era feito o abastecimento de água (poço, diretamente do rio etc.).

Como eram os meios de transporte e comunicação e as formas de energia.

Quais eram as atividades econômicas predominantes e como se modificaram (Cetesb, 2001).

Em uma experiência desenvolvida nos Estados Unidos por Herman et al. (1992 apud Cetesb, 2001), os alunos entrevistavam seus avós e outros moradores antigos, documentando, com áudio e vídeo, atividades quase esquecidas, como a técnica de plantar seguindo as fases da lua, curtir couro, fiar e tecer. Os estudantes também percorriam as comunidades rurais para aprender sobre os hábitos e para ouvir histórias dos mais velhos. O folclore voltou a ocupar seu lugar; “emergiram charadas, jogos, ritos de passagem, festivais da terra, conhecimentos sobre o clima, medicina, arquitetura, lendas, preservação de alimentos, ferramentas e técnicas da agricultura” (Cetesb, 2001).

O mais interessante é que os idosos se beneficiam muito da atividade, na medida em que, além de reviverem momentos marcantes de suas vidas, sentem-se úteis e integrados na comunidade. Nessa atividade, todos os participantes saem ganhando, pois se conscientizam de que fazem parte de um grupo maior de pessoas, as quais têm características comuns (Cetesb, 2001).

Para a realização das atividades propostas, é importante envolver as entidades representativas dos idosos, além de contar com profissionais que tenham conhecimento técnico a oferecer para o aprimoramento do processo.

Outras atividades que também podem ser incluídas em um PPA:

Estudar a vegetação e a paisagem urbana retratada em antigas fotografias e visitar os locais procurando analisar as mudanças. Voltar a um local que os idosos gostavam de frequentar quando jovens, conversando sobre o que havia ali e o que faziam. Descrever, com a ajuda dos migrantes, a história de seus locais de origem, destacando o uso da terra, a agricultura, a pesca etc.

Através de um álbum de fotografias, estimular a discussão, indo além da identificação das pessoas e da relação de parentesco, procurando observar evidências da paisagem e de estilos de vida.

Organizar uma exposição de fotos e objetos antigos da instituição ou empresa, estimulando que a história seja contada. (Cetesb, 2001)

Em Rio Claro (SP), a Lei da Política Municipal do Idoso (Rio Claro, 2004) incluiu essa questão nos seguintes termos:

Art. 28. O órgão municipal responsável pela área de Meio Ambiente deve:

a. Aproveitar o conhecimento da população idosa sobre a questão

ambiental, como uso da água, tipo de alimento e história dos rios da cidade, enriquecendo as atividades de educação e cultura através de