O que vamos fazer depois do trabalho?

José Luiz Riani Costa · Capítulo 28 de 49

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O que vamos fazer depois do trabalho?

6. Envelhecimento, novas tecnologias e aposentadoria

6 – Envelhecimento, novas

tecnologias e aposentadoria

Elisangela Gisele do Carmo, Marisa Silvana Zazzetta

O cenário mundial mostra um perfil demográfico com grande contingente de idosos, o que configura uma realidade associada a inúmeros desafios presentes e futuros. Desde seu nascimento, o indivíduo mantém uma relação ativa com o mundo e é na vida cotidiana, ou seja, na vida de todos os dias, segundo Heller (1991), que se depara, nos seus cenários mais imediatos, com os objetos fabricados e construídos pelo homem para satisfazer as necessidades cotidianas. A expectativa é que o homem adulto consiga dominar a manipulação de tais objetos. No mundo atual, grande parte desses objetos está associada a novas tecnologias e sua manipulação pode representar um desafio para uma parcela dos idosos.

O mundo contemporâneo é confrontado a cada instante com a rapidez das mudanças tecnológicas. As tecnologias, por sua vez, influenciam as relações sociais e familiares, exigindo o acompanhamento e adaptação a mudanças, bem como a apropriação e desenvolvimento de habilidades para manipular tecnologias.

Os diferentes perfis de idosos são um alvo constante para a utilização das novas tecnologias, denominadas tecnologias de informação e comunicação (TICs), devido à facilidade que elas promovem no relacionamento interpessoal. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada em 2013, mostra que há um crescimento significativo de idosos que acessam a internet no Brasil, correspondendo a 9,4% de aumento nessa população, superando a média total de 2,9% (IBGE, 2013).

Dias (2012) afirma que os sistemas que trazem informações como forma de atualizar e produzir conhecimento são imperativos no processo ensino-aprendizagem e proporcionam a maior facilidade da inclusão digital dos idosos. Além disso, Oliveira (2003) reflete que as TICs têm uma função também técnica e administrativa em diversos setores, sendo a disseminação da internet parte essencial da vida e do trabalho dos indivíduos.

De acordo com Pirola, Velho e Vermelho (2012), as novas tecnologias proporcionam aos idosos maior atualização, independência e convívio social através da utilização das redes sociais para fazer novas amizades, bem como encontrar familiares que moram longe. Os mesmos autores afirmam, ainda, que o lado positivo dessa relação entre idosos e redes sociais é que, diferentemente dos jovens, os idosos “constroem laços mais fortes, porque os canais de comunicação diminuem a dispersão na frente da internet, tornando gratificante o uso de alguma rede social, com a qual se identifique mais”. Essa afirmação é reforçada por Szabo (2012), que mostra a relação dos idosos com as novas tecnologias, identificando essa relação, através da rede social Facebook, como sendo a de maior destaque nessa faixa etária, frequentemente acessada por mulheres idosas de até 80 anos.

Outro estudo realizado por Jantsch et al. (2012) analisa a interação dos idosos com a internet, mostrando que existe uma relação positiva, principalmente para aqueles que possuem mobilidade reduzida e utilizam a internet como aliada, para contatos com amigos e familiares, reafirmando a contribuição que a rede social Facebook desempenha nesse processo, minimizando sentimentos de abandono e solidão.

A tecnologia promove no cotidiano dos idosos uma infinidade de possibilidades que colaboram na satisfação das mais diferentes necessidades; essa tecnologia inclui não somente as TICs, mas também as que trazem maior integração do idoso em seu meio ambiente, como dispositivos tecnológicos para monitoramento da saúde, ajuda na mobilidade, geolocalização, entre outros. No entanto, para usufruir de seus benefícios, essas tecnologias deveriam estar acessíveis financeiramente para todos os usuários. O exemplo do acesso digital demonstra essa realidade, pois uma importante parcela da população idosa não tem essa oportunidade por falta de recursos financeiros para aquisição de tais produtos ou falta de acesso ao aprendizado das tecnologias (Maciel; Pessin; Tenório, 2012).

Para o idoso que usufrui de uma boa renda com a aposentadoria e busca acompanhar as mudanças na realidade, as tecnologias desempenham o papel de trazer novas formas de aprender e conhecer novas possibilidades. O idoso que adentra ao mundo das TICs é um indivíduo que se mostra apto a aprender, demonstrando que a fase de aposentadoria é também de readaptação e aceitação das novas aprendizagens (Sá; Almeida, 2012).

No idoso, a existência de distúrbio cognitivo, problemas físicos decorrentes de doenças que comprometem a motricidade, exclusão social ou aspectos educacionais e culturais podem influenciar o acesso e uso de tecnologias (Goldman, 2006). Uma das barreiras para o uso de novas tecnologias é a falta de preparo dos idosos para operar as tecnologias, por não compreenderem, por exemplo, os manuais de usuário, devido ao tamanho das letras ou, ainda, pelas condições de escolaridade.

Estudo de Mattos e Chagas (2008) mostra que pessoas de menor poder aquisitivo não conseguem acompanhar a evolução tecnológica, principalmente no Brasil, em que existem grandes disparidades sociais. Dessa forma, essa exclusão pode explicar o porquê de muitos idosos não disporem de computador ou tablet, mas sim o telefone celular, que em comparação com os outros aparelhos é um bem de consumo mais acessível em termos financeiros. A opção pelo celular também pode ser explicada, conforme cita Anjos (2012), pois “o celular proporciona o contato independentemente de onde estiver, possibilitando que se comunique com pessoas e com o mundo”. Esse fato é comprovado pela PNAD (IBGE, 2013), que demonstra no Brasil, um percentual total de 23,5% de usuários de telefone celular acima de 50 anos.

Torna-se necessária a inserção do idoso no mundo digital, ampliando suas fontes de informação, contatos e conhecimento. Nesse sentido, a implementação de políticas públicas que priorizem o acesso e as oportunidades dos idosos às TICs é necessária. O acesso a novas tecnologias, especialmente na fase da aposentadoria, possibilita usufruir de novas oportunidades tecnológicas em seu tempo livre, antes ocupado pelo trabalho e, portanto, o acesso a redes sociais seria como um elo de comunicação ao interagir com as pessoas, retomando seu convívio social, trazendo consigo novas oportunidades de participação em grupos, efetuar novos contatos, oportunizar novas formas de recreação, busca de informação, conhecimentos e aprendizados desenvolvendo novos hábitos de vida.