O que vamos fazer depois do trabalho?

José Luiz Riani Costa · Capítulo 31 de 49

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O que vamos fazer depois do trabalho?

7. Alimentação e nutrição no envelhecimento e na aposentadoria

7 – Alimentação e nutrição no

envelhecimento e na

 

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Gilson Fuzaro Junior, Elisangela Gisele do Carmo, Raiana Lídice Mór Fukushima, Paula Secomandi Donadelli, José Felipe Riani Costa

Ao longo de todo o processo de envelhecimento, diversos fatores influenciam a saúde. Entre esses aspectos que contribuem para um estilo de vida saudável, a atividade física e a nutrição se mostram fundamentais e colaboram de maneira significativa para a saúde e a qualidade de vida (Lunn, 2007). O padrão alimentar e o perfil nutricional sofreram mudanças ao longo da história, o que se evidencia pela redução da desnutrição e aumento significativo da obesidade, considerado um dos graves problemas de saúde pública. Esse aumento está diretamente relacionado ao aumento do consumo de calorias e baixa prática de atividades físicas (Batista Filho et al., 2008). Neste capítulo, serão abordados, mais especificamente, os aspectos nutricionais relacionados a envelhecimento e aposentadoria, bem como a influência da saúde bucal nesse processo.

 

Nutrição e envelhecimento

Como já explanado em outros capítulos, a expectativa de vida vem aumentando, porém, esse adicional de anos de vida não está necessariamente vinculado a um envelhecimento saudável. Esse processo é de fundamental importância para que os “novos” anos conquistados sejam gozados com saúde. Assim, devem acontecer em condições que garantam a manutenção da autonomia e independência dos indivíduos, minimizando as possibilidades da não participação na sociedade (Lima; Silva; Galhardoni, 2008).

Por outro lado, sabe-se também que diversas doenças que se manifestam na população idosa estão intimamente relacionadas com problemas nutricionais ou alimentares, como: níveis alterados de colesterol e triglicérides, obesidade, diabetes, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e outras. Esse quadro reflete-se no perfil de saúde da população brasileira, caracterizado pela predominância das doenças crônicas, responsáveis por 70% das mortes no país (Schimidt et al., 2011). Entre idosos, 75% têm pelo menos uma doença crônica e 64% duas ou mais (IBGE, 2009).

Outro aspecto importante nesse processo é a alteração na composição e localização da gordura, concentrando-se na região abdominal, o que potencializa riscos de doença e morte em comparação a pessoas que possuem uma distribuição periférica. Essa distribuição mais centralizada da gordura pode aumentar os riscos de desenvolver diabetes mellitus do tipo 2 e doenças cardiovasculares (Lunn, 2007).

A partir desse quadro, evidencia-se a necessidade de estudos dos fatores que incidem sobre a prevalência das doenças crônicas não transmissíveis associadas à idade, assim como ter um melhor domínio sobre o real papel da nutrição na promoção e manutenção da independência e autonomia dos idosos (Da Cruz et al., 2004).

Além dos aspectos abordados nos capítulos anteriores a respeito do processo de envelhecimento, merecem destaque os distúrbios nutricionais comumente verificados em idosos, considerados muitas vezes, de forma equivocada, como normais, mas que podem afetar suas necessidades energéticas e a saúde geral (Malafaia, 2008).

Entre as alterações que ocorrem no processo de envelhecimento, as que interferem na alimentação e nutrição são:

Alterações sensoriais. A diminuição das sensações do paladar, olfato, audição, visão e tato podem reduzir o apetite e o prazer pela comida, levando à redução na ingestão de alimentos, o que, a longo prazo, representa um dos fatores da desnutrição. Essas alterações podem ser devidas a vários fatores, como: diminuição das papilas gustativas e terminações nervosas, uso

de prótese dentária, uso de medicações, intervenções médicas e cirúrgicas ou ainda ocasionadas por determinadas doenças neurodegenerativas (Harris, 2005).

Baixa secreção salivar (xerostomia). De acordo com estudos sobre o processo do envelhecimento, a produção e o fluxo salivar encontram-se diminuídos em idosos. Além disso, os idosos utilizam múltiplas medicações, como diuréticos e anti-inflamatórios, que favorecem a redução salivar, prejudicando a saúde oral, facilitando a perda dentária, inflamação de gengivas ou da mucosa oral (Phillipi et al., 1999; Bós, 2007). Entre as funções da saliva, destacam-se: umidificação dos alimentos para facilitar a mastigação, remoção de resíduos alimentares ao redor dos dentes e ação tampão, neutralizando a ação bacteriana.

Sistema digestivo. Existem evidências de que o envelhecimento influencia o seu pleno funcionamento. Nesse período, ocorre a diminuição da produção de ácido gástrico e pepsina que podem fazer que haja uma redução na biodisponibilidade de vitamina B12, ácido fólico, cálcio e ferro. Outros fatores importantes são a diminuição da secreção pancreática e da sensibilidade da vesícula biliar, que podem interferir na digestão de gorduras e proteínas, produzindo efeitos negativos (Lunn, 2007). Idosos apresentam menor superfície de absorção quando comparados a adultos jovens, o que ocorre pela diminuição da superfície interna do intestino, conjuntamente com uma menor produção das enzimas digestivas. Parece haver, atualmente, consenso na literatura que um dos únicos nutrientes cuja absorção não se altera, ou até se mostra aumentada entre os idosos, é a de açúcar. Com o avançar da idade, há uma tendência de crescimento da ocorrência de constipação intestinal, geralmente relacionada a sedentarismo e baixa ingestão de fibras e líquidos. Também ocorre o aumento da incidência de neoplasia (Bós, 2007).

Taxa metabólica basal (TMB). A TMB mede a quantidade mínima de energia necessária para manter as funções fisiológicas em repouso (Westerterp, 2001) e, por diversos fatores, diminui com a idade. Entre esses fatores podem ser

citados: diminuição da massa magra, concomitante ao aumento da massa gorda, alterações nos fluidos e temperatura corporal, alterações hormonais, estresse, genética e inatividade física (Poehlman et al., 1990; McArdle; Kattch; Kattch, 1996; Lunn, 2007).

Portanto, pode-se dizer, em síntese, que, com o envelhecimento, mudanças fisiológicas, metabólicas e na capacidade funcional podem resultar em alterações nas necessidades nutricionais (Sousa, V. et al., 2009). Nesse sentido, Najas, Andreazza e Souza (1994) destacam a importância de uma dieta equilibrada em carboidratos, proteínas e gorduras para os idosos. O atendimento das necessidades de vitaminas e minerais é também essencial, pois esses nutrientes atuam como reguladores de diversas funções no organismo, agindo como antioxidantes, retardando efeitos do envelhecimento e o aparecimento de doenças.

A ingestão de proteínas é importante para o organismo devido à necessidade da presença de aminoácidos para importantes funções estruturais, motoras, metabólicas, hormonais e imunológicas. A ingestão de proteínas pelos idosos deve ser adequada e suficiente para diminuir a perda muscular relacionada com a idade, porém deve-se ter em consideração que a ingestão elevada de proteínas pode facilitar os distúrbios renais, que são mais frequentes nessa faixa etária (Sousa, V. et al., 2009).

Vários alimentos têm sido relacionados tanto à ocorrência quanto à prevenção de doenças crônicas. Estudo de Fung et al. (2001) relata o efeito antioxidante das vitaminas A, E e C na prevenção do câncer e de doenças cardiovasculares. A vitamina A desempenha papel importante na visão, crescimento e desenvolvimento ósseo, sistema imunológico e reprodução. A vitamina C é um antioxidante solúvel, envolvido na biossíntese de colágeno e carnitina. A vitamina E também tem função antioxidante no organismo (Marucci; Alves; Gomes, 2007).

Outro micronutriente de extrema importância é o zinco, que está relacionado com a síntese e degradação dos macronutrientes, sistema imunológico e cicatrização. Pode haver uma ligeira deficiência devido a alterações no paladar e olfato, que ocasionam a diminuição da ingestão de alimentos ricos nesse nutriente (Novaes et al., 2005). A efetividade da suplementação de zinco é controversa na literatura, devendo cada caso ser avaliado individualmente.

Participante direto do transporte de oxigênio e gás carbônico, respiração celular e sistema imune, o ferro é um micronutriente fundamental na alimentação dos seres humanos (Marucci; Alves; Gomes, 2007).

O cálcio é um mineral constituinte de ossos e dentes, sendo 99% desse mineral utilizado na função estrutural do organismo humano. O restante está presente em funções metabólicas como: contração muscular, estabilidade de membrana celular, liberação ou ativação de enzimas intra e extracelulares, transmissão de impulsos nervosos, coagulação sanguínea, entre outras (Marucci; Alves; Gomes, 2007).

Um importante complemento no metabolismo do cálcio é a vitamina D, que precisa do sol para ser ativada. Idosos frequentemente apresentam deficiência dessa vitamina, principalmente pela diminuição da exposição ao sol e ingestão insuficiente de alguns alimentos (Marucci; Alves; Gomes, 2007). Em idosos, a exposição ao sol diminuída e a pele envelhecida aumentam o tempo de conversão da vitamina D para sua forma ativa (Sambrook; Cooper, 2006).

Uma doença muito importante no envelhecimento, e que está relacionada com esses dois últimos nutrientes citados (cálcio e vitamina D), é a osteoporose, caracterizada pela diminuição progressiva da massa óssea, levando à diminuição da resistência óssea e a um maior risco de fraturas. A osteoporose é mais frequente em mulheres idosas, já que, no climatério, a diminuição dos níveis hormonais aumenta as perdas de massa óssea (Kenny; Prestwood, 2000).

Entre os vários fatores que influenciam a perda da massa óssea, destacam-se, no idoso, os níveis séricos inadequados de vitamina D, responsáveis pela diminuição das condições funcionais dos músculos, justificando maior ocorrência de quedas e fraturas. A exposição ao sol diminuída e a pele envelhecida aumentam o tempo de conversão da vitamina D para sua forma ativa pela luz ultravioleta. Esse quadro de déficit de vitamina D resulta na redução da absorção de cálcio. Tais fatores, juntamente com uma dieta pobre em cálcio e vitamina D, contribuem para o agravamento desse quadro (Sambrook; Cooper, 2006).