O que vamos fazer depois do trabalho?
Intervenção assistida por animais
Quando os animais não são adequadamente adestrados, há um risco maior de mordeduras e arranhaduras que podem ocasionar lesões propensas a infecção.
Além do risco de quedas, mordeduras e arranhaduras, é importante lembrar que animais de estimação, especialmente se não vacinados e vermifugados, podem transmitir doenças às pessoas, pelo contato direto ou indireto (Pereira; Ferreira, 2012). De acordo com Neto et al. (2011), são escassas as informações básicas sobre a posse responsável de animais de estimação e o risco de zoonoses, sendo necessária a maior divulgação dessas informações como maneira de reduzir os riscos à saúde e elevar a segurança da população em destaque.
Cabe também lembrar o peso econômico que a posse desses animais pode representar, com alimentação, cuidados gerais (banho e tosa), consultas e medicamentos. Outro aspecto que merece uma abordagem é o trabalho adicional que a manutenção da higiene da casa pode significar. Finalmente, é importante ter em mente que, como a expectativa de vida desses animais é bem menor que a dos humanos, pode ser um sofrimento o luto pela morte do animal de estimação.
Diante dos aspectos aqui levantados, recomenda-se que discussões sobre essa temática sejam incluídas no PPA, para que a posse de um animal de companhia em casa, sob orientação correta, possa promover efeitos benéficos aos indivíduos que estão passando pelo processo de aposentadoria e envelhecimento, além de ajudar a minimizar os riscos relacionados a essa posse.
Intervenção assistida por animais
Alguns estudos observaram que a população idosa pode obter benefícios por meio da intervenção assistida por animais (IAA) (Colombo et al., 2006; Banks; Banks, 2002; Stasi et al., 2004).
O termo IAA inclui duas categorias: a terapia assistida por animais (TAA), ou pet-terapia, e as atividades assistidas por animais (AAA).
A pet-terapia é uma intervenção realizada com animais que possui objetivos específicos, sendo parte de um processo de tratamento e deve ser acompanhada e supervisionada por um profissional da área de saúde que, conforme seu enfoque profissional, terá metas distintas e específicas para cada indivíduo. Segundo a organização Delta Society (atualmente conhecida como Pet Partners), essa ação tem por finalidade intervir no desempenho físico, social, emocional e cognitivo dos indivíduos.
Por outro lado, a AAA refere-se às atividades elaboradas com animais que oferecem oportunidades recreativas, bem como motivacionais e educacionais, com o objetivo de aperfeiçoar a qualidade de vida dos indivíduos (Queiroz, 2014). Nessa modalidade, não há um objetivo terapêutico específico.
A pet-terapia é entendida como uma terapia não farmacológica que, segundo Queiroz (2014), é capaz de trazer múltiplos benefícios a distintos grupos de indivíduos. Diversos autores já observaram resultados satisfatórios da pet-terapia. Para Moretti et al. (2011) e Berget, Ekeberg e Braastad (2008), a pet-terapia mostrou-se eficaz na diminuição de sintomas em pacientes com desordens psiquiátricas, assim como no auxílio a indivíduos com dependência química (Wesley; Minatrea; Watson, 2009), além da otimização da qualidade de vida em idosos residentes em instituições de longa permanência (Colombo et al., 2006). Stumm et al. (2012) observaram em um estudo com idosas com transtornos mentais que a pet-terapia aplicada em uma instituição de longa permanência teve como resultado a melhora do humor e interação entre as idosas e o maior vínculo entre a equipe, os médicos e pacientes, facilitando o cuidado.
Vale lembrar que todo animal de estimação deve estar em condições saudáveis, apto para ser utilizado nessas atividades e com todas as vacinas em dia, devidamente avaliado pelo veterinário (Verklan, 2015), com a finalidade de minimizar potenciais riscos.