O que vamos fazer depois do trabalho?

José Luiz Riani Costa · Capítulo 36 de 49

Páginas do PDF

O que vamos fazer depois do trabalho?

Animais de estimação no envelhecimento

Para Bryant (2008), muitas pessoas procuram suporte social para enfrentar situações desfavoráveis, como desarranjos familiares, luto pela morte do cônjuge ou ente querido, hospitalizações e mudança de lar, encontrando no animal de estimação parte desse suporte.

Beck e Katcher (2003) pontuaram que os seres humanos se sentem mais seguros em compartilhar momentos da vida com animais de estimação, uma vez que estes frequentemente estão disponíveis para suprir as necessidades de afeto (McNicholas et al., 2005).

 

Animais de estimação no

envelhecimento

Além das comorbidades associadas ao processo de envelhecimento, os idosos, muitas vezes, apresentam desarranjos psicossociais devido à aposentadoria ou à transição para a aposentadoria, e consequente perda da posição social. Segundo Alvarenga et al. (2008), as repercussões da aposentadoria englobam valores pessoais, sociais, culturais e econômicos e cada indivíduo enfrenta essa transição de maneira diferente. Para alguns, a aposentadoria é vista de forma positiva e permite às pessoas uma reorganização da vida. Para outros, a aposentadoria é substancialmente prejudicial, podendo afetar sua saúde psíquica. Rodrigues et al. (2005) apontaram que sentimentos e sintomas como a ansiedade, depressão, irritabilidade e insatisfação em geral são manifestações que podem ser decorrentes da aposentadoria, e que estas estão fortemente relacionadas com a piora da qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS).

Múltiplas terapias não medicamentosas têm se mostrado alternativas eficazes no tratamento de quadros crônicos, principalmente na população idosa, colaborando com a redução de gastos em internações hospitalares, consultas médicas e medicamentos (Berenstein; Wajnman, 2008). A atividade física, a dança e o tai chi chuan, por exemplo, podem promover inúmeras vantagens ao processo de envelhecimento ativo e saudável (Merom et al., 2013). A prática regular de atividade física pode ocasionar vantagens para o bem-estar geral do idoso, além de promover o engajamento social (Keogh et al., 2009), tendo efeito positivo sobre os sintomas depressivos (Lindwall et al., 2006). Lail, McCormack e Rock (2011) realizaram uma investigação no Canadá com 428 participantes, na qual se identificou que indivíduos que possuíam cães eram mais sujeitos a praticar caminhadas recreativas pela vizinhança, quando comparados com indivíduos que não tinham cães, em todas as estações do ano, permitindo, assim, que esses indivíduos se mantivessem ativos por um período prolongado.

Alguns estudos buscaram identificar os benefícios sociais e psicológicos para a população idosa relacionados ao convívio com os animais domésticos. Heiden e Santos (2009), em sua investigação com 51 idosos participantes de grupos de terceira idade, com idade entre 60 e 84 anos, verificaram que os animais proporcionam alegria, companhia, segurança, passatempo e distração para os idosos, além de esses animais estabelecerem um vínculo afetivo com seu dono, sendo considerados, em alguns casos, parte da família. Costa et al. (2009) realizaram uma pesquisa com duzentas idosas, divididas em dois grupos (as que conviviam e as que não conviviam com animais), e observaram que a convivência com animal de estimação foi capaz de preencher a carência afetiva.

De acordo com Triebenbacher (2000), os animais são capazes de desempenhar diversos papéis na vida dos indivíduos, desde a figura de um amigo próximo até de um membro da família, e por esse motivo são considerados fundamentais nas etapas de transição da vida, como separação, aposentadoria e velhice.

Nessa perspectiva, pode-se afirmar que o convívio com animais domésticos pode ter efeitos benéficos para os seres humanos. No entanto, ter um animal doméstico exige determinadas responsabilidades e cuidados que, em alguns casos, os idosos não conseguem desempenhar.

Fabrício, Rodrigues e Costa (2004), em uma pesquisa sobre as causas e consequências das quedas na população idosa, identificaram que a presença de animais domésticos pode ocasionar a queda, principalmente se o equilíbrio e a marcha do idoso estiverem prejudicados. Barbosa e Nascimento (2001), em uma análise sobre a incidência de internações por motivo de quedas, observaram que a presença de animais domésticos pela casa é um dos fatores extrínsecos que podem aumentar a incidência desses acidentes. Diversas outras investigações também identificaram a companhia de animais domésticos como um fator de risco para quedas no âmbito residencial (Messias; Neves, 2009; Yamazaki; Ferreira, 2013).