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O processo de envelhecimento e seus desdobramentos no âmbito da saúde
Além disso, geralmente as violências não são corretamente diagnosticadas em função de uma série de fatores, incluindo “falta de informação e preparo dos profissionais de saúde para enfrentar esses eventos, descrédito para com os relatos dos idosos por parte dos familiares e destes profissionais, além de constrangimento do idoso em acusar pessoas de sua família”.
Com relação aos acidentes, “as quedas, causadas pela instabilidade visual e postural, comuns à idade, representam os principais acidentes entre os idosos. Um terço desse grupo que vive em casa e a metade dos que vivem em instituições sofrem pelo menos uma queda anual. A fratura de colo de fêmur é a principal causa de hospitalização por queda”. Segundo o documento, “cerca de metade dos idosos que sofrem esse tipo de fratura falece dentro de um ano; a metade dos que sobrevivem fica totalmente dependente do cuidado de outras pessoas [...] por um longo período” (ibidem, p.22).
Matsudo e Matsudo (2000, p.12) afirmam que as quedas “que geralmente acontecem por anormalidades do equilíbrio, fraqueza muscular, desordens visuais, anormalidades do passo, doença cardiovascular, alteração cognitiva e consumo de alguns medicamentos” podem ser prevenidas, ao menos em parte, através de diferentes exercícios físicos adaptados a diferentes patologias, como doença de Alzheimer e doença de Parkinson. A Unesp/ câmpus de Rio Claro desenvolve programas de exercícios físicos voltados a essas importantes doenças que acometem especialmente a população idosa, conforme descrito por Coelho et al. (2013).
O Ministério da Saúde (2002, p.23) chama a atenção para a relação entre os acidentes sofridos pelos idosos nas áreas urbanas com os riscos presentes no ambiente doméstico e em outros de “âmbito público (barreiras arquitetônicas, sistemas de transporte coletivos inadequados, criminalidade)”.
O processo de envelhecimento e seus
desdobramentos no âmbito da saúde
Não há uma exata definição de envelhecimento bem-sucedido, principalmente devido à heterogeneidade do processo de envelhecimento (Teixeira; Neri, 2008). Envelhecer bem é uma questão de valores particulares, porém alguns elementos podem ser levados em consideração quando se trata de envelhecimento bem-sucedido. São eles: a) alta capacidade funcional cognitiva e motora; b) baixa probabilidade para doenças e incapacidades relacionadas ao envelhecimento; e c) engajamento ativo com a vida (Rowe; Kahn, 1997).
Uma das características marcantes no processo de envelhecimento é o declínio da capacidade funcional, que inclui flexibilidade, força, agilidade, coordenação motora, equilíbrio e resistência aeróbia. Esses componentes constituem variáveis afetadas diretamente por alterações neurológicas e musculares (Gobbi; Villar; Zago, 2005).
A Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (Brasil, 2006) fundamenta a ação do setor saúde na atenção integral à população idosa, em conformidade com a Lei Orgânica da Saúde, com a Política Nacional do Idoso e com o Estatuto do Idoso. Entre seus objetivos estão a promoção do envelhecimento saudável, a manutenção e a melhoria da capacidade funcional dos idosos, a prevenção de doenças e a recuperação da saúde. Inclui, ainda, a capacitação de recursos humanos especializados.
Outro aspecto a ser considerado é a funcionalidade cognitiva do idoso, que deve ser preservada, pois está relacionada à sua saúde e qualidade de vida (Yassuda et al., 2006).
Conceituar saúde não é uma tarefa fácil, pois não representa a mesma coisa para todas as pessoas, principalmente quando se consideram os âmbitos social, econômico, cultural e político, fazendo que a conceituação dependa da classe social, época, local etc. (Scliar, 2007).
Um dos primeiros conceitos de saúde, elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1946, estabelece que “saúde é o estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não meramente a ausência de doença ou incapacidade”. Assim, entendeu-se que a saúde seria composta por três dimensões básicas: bem-estar físico, mental e social (Almeida Filho, 2000; Patrick; Erikson, 1993; Robine, 1999).
Outro conceito de saúde que merece destaque é o contido no art. 196 da Constituição Federal, que indica que “a saúde é direito de todos e dever do estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem a redução do risco de doenças e outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Este conceito foi complementado pela Lei n.8.080/90 que, em seu art. 3º diz que “os níveis de saúde expressam a organização social e econômica do país, tendo a saúde como determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a atividade física, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais (Redação dada pela Lei n.12.864/2013).
O envelhecimento saudável leva em consideração que alguns processos do envelhecimento são, até certo ponto, modificáveis, o que faz que seja necessária uma abordagem multidimensional e individual relacionada a aspectos biológicos, físicos e sociais (Gardner, 2006).
Levando em consideração a perspectiva dos próprios idosos, há uma grande variabilidade de definições, mas, em geral, um envelhecimento saudável inclui as dimensões físicas, sociais, econômicas, entre outras (Cupertino; Rosa; Ribeiro, 2007).
Por outro lado, quando se leva em consideração a evolução de métodos diagnósticos e terapêuticos de algumas doenças, entre elas, as crônico-degenerativas, observa-se que há um aumento em idosos com enfermidades múltiplas, e para esses idosos é necessário que se encontrem opções para manutenção de sua autonomia e independência, e não somente o aumento da longevidade (Jacob Filho, 2006).
É importante destacar que condutas baseadas no risco relativo podem levar a concentrar as ações nos comportamentos de médicos e de pacientes, em detrimento de ações que atuem sobre as causas.