O que vamos fazer depois do trabalho?

José Luiz Riani Costa · Capítulo 24 de 49

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O que vamos fazer depois do trabalho?

Aposentadoria e a tarefa de cuidar de alguém

Aposentadoria e a tarefa de cuidar de

alguém

Em alguns casos, a aposentadoria pode estar atrelada ao papel de cuidar de um ente familiar, podendo ser uma criança com deficiência, um adulto com sequela de acidente ou um idoso. Esses idosos que se tornam cuidadores num contexto familiar no qual ninguém mais dispõe de tempo para desempenhar tal tarefa, deixam de dispor do seu tempo de lazer e descanso para cumprir uma empreitada que pode ter, em média, sessenta horas semanais (Haley, 1997). Existem estudos que relacionam o ato de cuidar de um idoso a sobrecarga física, estresse e sintomas depressivos.

Segundo Alvarenga et al. (2009), a aposentadoria é caracterizada como um momento de mudanças que pode repercutir de maneira positiva ou negativa. No caso de idosos que têm o empenho de cuidar de alguém, essa situação pode estar relacionada a aspectos negativos, uma vez que a sobrecarga de cuidar de alguém é evidenciada em muitos estudos, principalmente quando relacionada a alguma doença grave.

Observações não sistematizadas têm mostrado que muitas pessoas se aposentam para cuidar de um familiar, ou, estando aposentadas, assumem a condição de cuidador. Uma pesquisa que envolveu servidores aposentados de uma universidade pública paulista identificou como um dos motivos para a definição do momento da aposentadoria a tarefa de “cuidar de alguém” (Costa, 2014). Em alguns casos, o trabalhador se vê na contingência de antecipar a data da aposentadoria para exercer a tarefa de cuidar de algum membro da família, especialmente o cônjuge. Nesses casos, além da redução do valor dos proventos, a pessoa que se aposenta não tem tempo hábil para se preparar para essa transição.

Ainda que a tarefa de cuidar não seja o motivo da aposentadoria, esta surge com frequência depois da aposentadoria, especialmente em função do “tempo livre” que o aposentado tem para “desfrutar”. Às vezes, o cuidado é eventual ou pontual, como acompanhante da internação hospitalar de um familiar ou amigo.