Os Ensaios

Michel de Montaigne · Capítulo 25 de 33

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Os Ensaios

Defesa de Sêneca e de Plutarco

vigilância seu Capitólio fora salvo; os atenienses ordenaram que as m ulas e os

burros que tinham servido na construção do tem plo cham ado

Hecatom pedon293 ficassem livres e que os deixassem pastar por todo canto sem restrição. Os agrigentinos tinham a prática usual de enterrar dignam ente

os anim ais que lhes foram caros, com o os cavalos de algum raro m érito, os

cães e os pássaros úteis, ou m esm o que tinham servido de passatem po para

seus filhos. E a m agnificência que lhes era com um em todas as outras coisas

tam bém aparecia, singularm ente, na suntuosidade e no núm ero de

m onum entos erguidos para esse fim , e que duraram , visíveis, por vários

séculos adiante. Os egípcios enterravam os lobos, os ursos, os crocodilos, os

cães e os gatos em lugares sagrados: em balsam avam seus corpos e ficavam

de luto pela m orte deles. Cím on fez um a sepultura honrosa para os j um entos

com os quais ganhara por três vezes o prêm io de corrida nos Jogos

Olím picos. Xantipo, o Antigo, m andou fazer um a tum ba para seu cão num

prom ontório, na costa do m ar, o qual desde então conservou esse nom e. E

Plutarco tinha o escrúpulo, diz, de vender e enviar para o m atadouro, em troca

de um pequeno lucro, um boi que o servira por m uito tem po.

Defesa de Sêneca e de Plutarco

Capítulo XXXII

Neste capítulo Montaigne não apenas revela como lê seus livros mas ousa

dar ao grande Jean Bodin, autor do famoso método para o estudo da história

— Methodus ad facilem historiarum cognitionem (1566) —, uma lição sobre

interpretação histórica. Faz um paralelo entre Sêneca e Plutarco, um romano e um grego. Introduz sua argumentação com um duplo paralelo entre, de um

lado, o rei Carlos IX e Nero, e de outro, o cardeal de Lorraine e Sêneca. O

primeiro paralelo, na época polêmico e injurioso, tornara-se um tema retórico

dos panfletos protestantes depois da noite de São Bartolomeu, e Carlos IX

aparecia como sendo mais cruel que Nero. Em outro panfleto, o cardeal de

Lorraine era comparado não a Sêneca, mas a Nero olhando Roma queimar.

No contexto político da época, as afirmações de Montaigne significavam

tomar posição e livrar o falecido rei da acusação de crime pela Noite de São

Bartolomeu. A edição póstuma traz um acréscimo sobre as crueldades de

Nero.

A fam iliaridade que tenho com esses personagens e a aj uda que prestam a

m inha velhice e a m eu livro inteiram ente construído com seus despoj os

obrigam -m e a render-lhes hom enagens. Quanto a Sêneca, entre os m ilhares

de livrinhos que aqueles da religião pretensam ente reform ada fazem circular

para a defesa de sua causa, saídos às vezes de boas m ãos que é m uita pena

que não estej am ocupadas em m elhor assunto, vi um outrora que, para

am pliar e reforçar a sem elhança que desej a encontrar entre o governo de

nosso pobre falecido rei Carlos IX e o de Nero, com para o falecido senhor

cardeal de Lorraine com Sêneca, e seus destinos por terem sido am bos os

prim eiros no aconselham ento de seus príncipes, e ao m esm o tem po seus

costum es, condições e tem peram entos. No que, em m inha opinião, ele m uito

honra o dito senhor cardeal, pois em bora eu sej a dos que m uito estim am seu

espírito, sua eloquência, seu zelo pela religião e o serviço de seu rei, e sua

boa fortuna de ter nascido num a época em que foi tão novo e tão raro, e ao m esm o tem po tão necessário para o bem público ter um personagem

eclesiástico de tam anha nobreza e dignidade, com petente e capaz em seu

ofício, se é para falar a verdade não considero que sua capacidade estej a

m uito próxim a da de Sêneca, nem que sua virtude sej a tão pura, inteira e firm e

quanto a dele. Ora, esse livro de que falo, para alcançar seu obj etivo faz um a

descrição de Sêneca m uito inj uriosa, tendo tirado essas críticas de Díon, o

historiador, em cuj o testem unho não acredito. Pois além de ser inconstante,

prim eiro cham a Sêneca ora de m uito sábio, ora de inim igo m ortal dos vícios

de Nero, e em outra parte o cham a de avarento, usurário, am bicioso, covarde,

voluptuoso e fazendo-se de filósofo sob falsas aparências. A virtude de

Sêneca parece tão viva e vigorosa em seus escritos, e neles a defesa é tão

clara contra cada um a dessas acusações, com o sobre sua riqueza e

despesas excessivas, que eu não acreditaria em nenhum testem unho

contrário. E adem ais, é bem m ais razoável acreditar em tais coisas nos

historiadores rom anos do que nos gregos e estrangeiros. Ora, Tácito e os

outros falam m uito honrosam ente tanto de sua vida com o de sua m orte, e

pintam -no em todas as coisas com o um personagem excelente e m uito

virtuoso. E não quero m encionar outra crítica ao j ulgam ento de Díon além

desta aqui, que é inevitável: é que ele tem um a sensibilidade tão doentia

perante os negócios rom anos que ousa sustentar a causa de Júlio César

contra Pom peu e a de Antônio contra Cícero. Vam os a Plutarco: Jean Bodin294

é um bom autor de nosso tem po e dem onstra m uito m ais discernim ento do

que a turba de escrevinhadores de sua época, e m erece que o j ulguem os e considerem os. Acho-o um pouco ousado nesse trecho de seu Méthode de

l’histoire em que acusa Plutarco não só de ignorância (o que eu o deixaria

dizer, pois isso não é m eu dom ínio) m as tam bém por esse autor descrever

m uitas vezes coisas inacreditáveis e inteiram ente fabulosas (são suas

palavras). Se ele tivesse dito sim plesm ente “as coisas diferentes do que são”,

não haveria um a grande crítica, pois tem os de tirar das m ãos de um outro e

de sua boa-fé aquilo que não vim os, e vej o que cientem ente às vezes ele

conta a m esm a história de m odo diferente: o j ulgam ento feito por Aníbal dos

três m elhores capitães que j á existiram aparece diferentem ente na vida de

Flam ínio e na de Pirro. Mas acusá-lo de ter tom ado com o favas contadas

coisas inacreditáveis e im possíveis é acusar de falta de discernim ento o autor

m ais j udicioso do m undo. E eis o exem plo dele: “Com o”, diz, “quando relata

que um garoto da Lacedem ônia se deixou dilacerar todo o ventre por um a

raposinha que ele furtara e m antinha escondida sob a túnica, preferindo até

m orrer a revelar seu furto”. Acho, em prim eiro lugar, esse exem plo m al

escolhido, tanto m ais que é bem difícil delim itar esforços para as faculdades

da alm a, enquanto é bem m ais fácil delim itar e conhecer as forças corporais.

E por isso, se m e coubesse fazê-lo, eu teria antes escolhido um exem plo do

segundo tipo, e deles ainda há m enos fidedignos, com o, entre outros, o que

ele narra de Pirro, que, por m ais ferido que estivesse, deu um golpe de

espada tão grande em um inim igo arm ado dos pés à cabeça que o fendeu do

alto do crânio até em baixo, tanto assim que o corpo se partiu ao m eio. Em seu

exem plo não vej o grande m ilagre nem adm ito a desculpa com que defende Plutarco, a de ter ele acrescentado as palavras “com o se diz” para nos

advertir e m anter o freio de nossa crença. Pois, salvo nas coisas aceitas por

autoridade e reverência à Antiguidade ou à religião, Plutarco não quis adm itir

nem propor que acreditássem os em coisas por si inacreditáveis. E, portanto,

não é com esse obj etivo que ele em prega naquele trecho a expressão “com o

se diz”. É fácil ver isso pelo que ele m esm o nos conta em outro trecho sobre

esse assunto da resistência das crianças lacedem ônias, exem plos ocorridos

em seu tem po, m ais difíceis de nos convencer, com o o que Cícero tam bém

atestou antes dele, por ter estado, pelo que diz, naquele lugar. Até a época

deles havia crianças subm etidas a essa prova de resistência, para o que eram treinadas diante do altar de Diana; sofriam por ser açoitadas até que o sangue

lhes escorresse de todo o corpo, não só sem gritar m as tam bém sem gem er,

e algum as ali até deixavam voluntariam ente a vida. E o que Plutarco tam bém

conta, com cem outros testem unhos, que durante um sacrifício um carvão em

brasa caiu na m anga de um a criança lacedem ônia, enquanto ela balançava o

incensório; ela deixou queim ar todo o braço até que o cheiro de carne

queim ada chegou aos assistentes. Nos costum es dos lacedem ônios não havia

nada de que m ais dependesse sua reputação, nem com que sofressem m ais

reprovação e vergonha do que ser flagrado num furto. Estou tão im buído da

grandeza daqueles hom ens que não só não m e parece, ao contrário de Bodin,

que essa história sej a inacreditável, m as nem sequer a acho estranha e rara.

A história espartana está repleta de m ilhares de exem plos m ais rudes e

extraordinários: nessa toada, ela seria puro m ilagre. A respeito do furto,

Marcelino conta que em sua época ainda não se tinha encontrado nenhum tipo

de suplício que conseguisse forçar os egípcios flagrados nessa m á ação,

m uito corrente entre eles, a dizer ao m enos o próprio nom e. Um cam ponês

espanhol, tendo sido subm etido ao suplício para revelar os cúm plices do

hom icídio do pretor Lúcio Piso, gritava em m eio às torturas que seus am igos

não se m exessem e que podiam ficar perto dele em total segurança, pois a

dor não seria capaz de arrancar-lhe um a palavra de confissão, e no prim eiro

dia não se conseguiu outra coisa; no dia seguinte, com o o trouxessem para

recom eçar a tortura, ele se debateu vigorosam ente entre as m ãos de seus

guardas e foi bater a cabeça contra um a parede e se m atou. Epícaris

enfrentou os esbirros de Nero e cansou a crueldade deles, durante um dia

todo, ao suportar-lhes o fogo, os golpes, os instrum entos, sem dizer nenhum a

palavra sobre sua conj uração; levado à tortura no dia seguinte, com todos os

m em bros quebrados, passou um cordão da túnica em um dos braços de sua

cadeira, fez um nó corredio e, ali passando a cabeça, estrangulou-se com o

peso do corpo; tendo a coragem de m orrer assim e escapar das prim eiras

torturas, não parece que cientem ente em prestou sua vida a essa prova de

resistência da véspera para m elhor zom bar daquele tirano e encoraj ar outros

a um a iniciativa sim ilar contra ele? E quem interrogou nossos arqueiros sobre

as experiências que tiveram nessas guerras civis encontrará exem plos de

resistência, obstinação e persistência em nossa m iserável época, e até nessa

turba m ole e ainda m ais efem inada que a egípcia, dignos de ser com parados

aos que acabam os de citar na narração sobre a virtude espartana. Sei que

houve sim ples cam poneses que se deixaram queim ar a sola dos pés, esm agar a ponta dos dedos com o cão de um a pistola, arrancar os olhos sangrando

para fora da cabeça de tanto ter a fronte apertada por um a corda, antes

m esm o de ter sequer desej ado ser subm etido a resgate. Vi um largado com o

m orto, todo nu, num fosso, com o pescoço todo m achucado e inchado, envolto

num cabresto que ainda lhe pendia, e com o qual o haviam puxado a noite

inteira pelo rabo de um cavalo, e o corpo furado em cem lugares a golpes de

adaga que lhe deram , não para m atá-lo m as para causar-lhe dor e m edo: ele

sofrera tudo isso até ter perdido a fala e os sentidos, decidido, pelo que m e

disse, a m orrer de m il m ortes (com o de fato, quanto ao sofrim ento, ele

passara por um a inteira) antes de prom eter algum a coisa; e no entanto era um

dos m ais ricos agricultores de toda a região. Quantos vim os se deixarem

pacientem ente queim ar e assar por opiniões tiradas de outros, e por eles

ignoradas e desconhecidas? Conheci centenas de m ulheres (pois dizem que

na Gasconha as cabeças têm certo dom para isso) que antes teriam agarrado

um ferro em brasa do que desistido de um a opinião que tivessem concebido

num acesso de raiva. Elas se exasperam diante dos golpes e da coerção. E

quem inventou a história da m ulher que nenhum castigo de am eaças e

pauladas era capaz de fazê-la parar de cham ar o m arido de piolhento, e que,

atirada na água e sufocada, ainda levantava as m ãos e fazia acim a da cabeça

o gesto de m atar os piolhos, inventou um a história da qual, na verdade, todo

dia se vê a im agem expressa na teim osia das m ulheres. E a teim osia é irm ã

da constância, ao m enos no vigor e na firm eza. Não se deve j ulgar o que é

possível e o que não é de acordo com o que é crível e inacreditável em nossa opinião, com o eu disse em outro lugar, e é um grande erro, em que porém a

m aioria dos hom ens incorre, não querer acreditar que os outros possam fazer

o que eles m esm os não saberiam ou gostariam de fazer; m as não digo isso

por Bodin. Parece a cada hom em que ele m esm o é a m elhor form a da

natureza hum ana: todos os outros devem ser regulados de acordo com ele.

Os com portam entos que se diferenciam dos seus são fingidos e falsos.

Propõe-se a ele algo das ações ou faculdades de outro? A prim eira coisa que

ele convoca para basear seu j ulgam ento é o próprio exem plo: a ordem do

m undo deve agir com o ele age. Ó asneira perigosa e insuportável! Considero

que certos hom ens, em especial entre os antigos, estão m uito acim a de m im ,

e em bora reconheça claram ente m inha im potência em segui-los, m esm o a m il

passos, não deixo de segui-los de longe e j ulgar as engrenagens que os

elevam assim , cuj as sem entes, porém , não percebo de j eito nenhum em m im ;

faço o m esm o com a baixeza extrem a dos espíritos, que não m e espanta e da

qual tam pouco descreio. Bem vej o o m odo que aqueles hom ens adotam para

elevar-se e adm iro sua grandeza; e esses ím petos que acho m uito bonitos,

abraço-os, e se m inhas forças não conseguem , ao m enos m eu j ulgam ento se

aplica nisso com m uito gosto. O outro exem plo que Bodin cita de coisas

inacreditáveis e inteiram ente fabulosas, ditadas por Plutarco, é que Agesilau

foi m ultado pelos éforos por ter atraído só para si o coração e a vontade de

seus concidadãos. Não sei que indício de falsidade aí ele encontra, m as o

certo é que Plutarco está falando de coisas que deviam ser m uito m ais

conhecidas dele que de nós, e não era novidade na Grécia ver os hom ens punidos e exilados pelo único m otivo de agradar dem ais a seus cidadãos,

com o atestam o ostracism o e o petalism o. Há ainda, nessa m esm a

passagem , outra acusação que m e irrita a respeito de Plutarco: é quando

Bodin diz que com parou bem , e de boa-fé, os rom anos aos rom anos, e os

gregos entre si, m as não os rom anos aos gregos, com o atestam (diz ele)

Dem óstenes e Cícero, Catão e Aristides, Sila e Lisandro, Marcelo e

Pelópidas, Pom peu e Agesilau, considerando que ele favoreceu os gregos por

lhes ter dado com panheiros tão díspares. É j ustam ente atacar o que Plutarco

tem de m ais excelente e louvável. Pois em suas com parações (que são a

peça m ais adm irável de suas obras, e com que, a m eu ver, ele tanto se

deleitou), a fidelidade e a sinceridade de seus j ulgam entos igualam sua

profundidade e seu peso. Plutarco é um filósofo que nos ensina a virtude.

Vej am os se poderem os defendê-lo contra essa crítica de parcialidade e

falsidade. O que posso pensar ter ocasionado esse j ulgam ento é o grande e

esplêndido lustro dos nom es rom anos que tem os em m ente: não nos parece

que Dem óstenes possa igualar-se à glória de um cônsul, de um procônsul ou

questor dessa grande república. Mas quem considerar a verdade da coisa e

os hom ens em si m esm os, ao que Plutarco m ais visou, pondo na balança seus

costum es, tem peram entos, conhecim entos, m ais que seus destinos, penso, ao

contrário de Bodin, que Cícero e Catão, o Velho, ficam a dever a seus

com panheiros. Para seu obj etivo, antes eu teria escolhido o exem plo de

Catão, o Moço, com parado a Fócio, pois nessa dupla encontraríam os um a

disparidade m ais plausível, com vantagem para o rom ano. Quanto a Marcelo, Sila e Pom peu, vej o bem que suas façanhas guerreiras são m ais intensas,

gloriosas e pom posas que as dos gregos a quem Plutarco os com para, m as

as ações m ais belas e virtuosas, tanto na guerra com o em outro lugar, nem

sem pre são as m ais fam osas. Vej o com frequência nom es de com andantes

ofuscados pelo esplendor de outros nom es de m enos m érito: com o provam

Labieno, Ventídio, Telesino e vários outros. E desse ângulo, se eu tivesse de

m e queixar dos gregos, não poderia dizer que Cam ilo é m uito m enos se

com parado a Tem ístocles; os Gracos a Ágis e Cleôm enes; e Num a a Licurgo?

Mas é loucura querer j ulgar de um a só vez coisas de tantas facetas. Quando

Plutarco os com para, nem por isso os iguala. Quem m ais clara e

conscientem ente poderia reparar nas diferenças entre eles? Chega ele a

com parar as vitórias, os feitos de arm as, a puj ança dos exércitos conduzidos

por Pom peu e seus triunfos aos de Agesilau? “Não creio”, diz, “que o próprio

Xenofontes, se vivo estivesse, em bora lhe tenham concedido escrever tudo o

que quis em favor de Agesilau, ousasse com pará-lo àquele.” Fala ele de

com parar Lisandro com Sila? “Não há”, diz, “term o de com paração, nem em

núm ero de vitórias nem em risco de batalhas, pois Lisandro ganhou apenas

duas batalhas navais” etc. Isso não é retirar coisa nenhum a dos rom anos; por

sim plesm ente tê-los posto diante dos gregos ele não pode ter-lhes feito

inj ustiça, por m aior que fosse a disparidade entre eles. E Plutarco não os

contrapesa inteiros, não há no conj unto nenhum a preferência: com para os

fatos e as circunstâncias, um a após outra, e j ulga-as separadam ente. Com o

que, se quiséssem os culpá-lo de favoritism o, teríam os de porm enorizar um j ulgam ento específico, ou dizer que, de m odo geral, ele teria falhado ao