Os Ensaios

Michel de Montaigne · Capítulo 7 de 33

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Os Ensaios

Ao Leitor

em um terço em relação às precedentes im pressões

Em Paris,

Abel L’Angelier, no prim eiro pilar

da grande sala do Palácio

MDXVCV

Com privilégio

Ao Leitor

Aqui está um livro de boa-fé, Leitor. Ele te adverte, desde o início, que não m e

propus outro fim além do dom éstico e privado. Nele não tive nenhum a

consideração por servir-te nem por m inha glória: m inhas forças não são

capazes de tal desígnio. Dediquei-o ao uso particular de m eus parentes e

am igos, a fim de que, tendo-m e perdido (o que breve terão de fazer), possam

aqui encontrar alguns traços de m inhas atitudes e hum ores, e que por esse

m eio nutram , m ais com pleto e m ais vivo, o conhecim ento que têm de m im . Se

fosse para buscar os favores do m undo, teria m e enfeitado de belezas

em prestadas. Quero que m e vej am aqui em m eu m odo sim ples, natural e

corrente, sem pose nem artifício: pois é a m im que retrato. Meus defeitos,

m inhas im perfeições e m inha form a natural de ser hão de se ler ao vivo, tanto

quanto a decência pública m e perm itiu. Pois se eu estivesse entre essas

nações que se diz ainda viverem sob a doce liberdade das leis prim itivas da

natureza, asseguro-te que teria com m uito gosto m e pintado por inteiro e

totalm ente nu. Assim , Leitor, sou eu m esm o a m atéria de m eu livro: não é razão para que em pregues teu vagar em assunto tão frívolo e vão. Portanto,