Prazer e desejo em Aristóteles

Juliana Ortegosa Aggio · Capítulo 15 de 34

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Prazer e desejo em Aristóteles

Condição de possibilidade da educação do desejo

aja conformemente à reta razão: 53

Sendo assim, para sustentarmos a tese da possibilidade da

retitude do desejo é necessário explicitar a condição desta possibilidade e a sua realização. Brevemente, a condição de possibilidade é garantida pela constituição natural da alma humana. E a realização desta possibilidade, pela educação do desejo.

 

Condição de possibilidade da

 

educação do desejo

 

A concepção aristotélica de natureza humana permite que haja a

educação do desejo, pois, na alma, a parte desiderativa é naturalmente capaz de obedecer ou de ser persuadida pela parte racional, o que é explicado, em EN I 13, em termos de relação entre pai e filho. Ou seja, a razão pode participar do desejo orientando-o, como um pai em relação ao filho; e o desejo pode participar da razão, como uma criança obedece ao pai.

Segundo o Estagirita, a possível harmonia entre desejo e razão

tem como condição a constituição natural da alma humana. Por isso, o fundamento da educação moral se encontra no fato de que a nossa natureza é educável, ou seja, o desejo pode ser capaz de ser persuadido pela razão que soube apreender que é verdadeiramente bom. Tendo isso em vista, a minha tese é a de que a educação do desejo não é apenas possível, como é de extrema importância para que a ação ética possa se fundar e se fundamentar na virtude.

Quanto à analogia entre pai e filho para explicar a relação entre

razão e desejo, tendemos de imediato a considerá-la como uma explicação meramente metafórica. Porém, se notarmos bem, veremos que a explicação fundamenta-se no próprio processo formativo do caráter e, ao mesmo tempo, no amadurecimento da criança. No início, o desejo e o corpo são educados a partir de uma autoridade vinda de fora, mesmo porque, a criança, efetivamente, possui a faculdade racional ainda em potência; não podendo, por ela mesma, fazer uso de sua racionalidade tal qual o faz um adulto. A parte não racional precede à racional na geração do homem. A prova cabal disto é a de que o impulso (thumos), o apetite (epithumia) e o querer (boulêsis) pertencem à criança desde o nascimento, enquanto o raciocínio (logismos) e a inteligência (noûs)