Prazer e desejo em Aristóteles

Juliana Ortegosa Aggio · Capítulo 25 de 34

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Prazer e desejo em Aristóteles

A magnificência

É tese aristotélica bem estabelecida e reafirmada neste capítulo

que “é próprio da virtude sentir prazer e dor com o que se deve e como se deve” (1121a4); o que pressupõe, portanto, a educação dos desejos que concernem ao prazer e à dor: o apetite e o impulso, como vemos no caso da generosidade e nas demais virtudes analisadas a seguir.

 

A magnificência

 

Quanto à magnificência (megaloprepeias), examinada no livro IV,

capítulo 2 (1122a18-1123a33), não há muito que discorrer além do

que já foi dito sobre a generosidade,14 uma vez que o homem magnificente é generoso, porém dele se diferencia pelo objeto: ele trata de grandes despesas para grandes obras. A grandeza não diz respeito somente à quantidade de dinheiro a ser empreendido, mas sobretudo à beleza da obra. Portanto, o homem magnificente não apenas necessita de uma grande quantia de dinheiro, mas também deve saber onde e como aplicá-la. Vale a pena enfatizar que, para tal virtude, principalmente o apetite deve ser educado e estar subordinado à beleza do fim (tou kalou hêneka), “pois isto é comum às virtudes” (1122b8), ou seja, toda virtude tem um belo fim em vista.

Sendo assim, o magnificente gasta grandes somas com prazer e

em vista do belo (1122b8-9). Já o homem vulgar (banausos), em sua vulgaridade e falta de gosto, erra por excesso de dispêndio em obras pequenas ou insignificantes, e assim o faz em vista não do que é belo, isto é, da própria ação magnificente, mas em vista da consequente exibição de sua riqueza e do prazer de a admirarem (1123a24-28). Ele erra, portanto, ao sentir prazer com o que não deveria. O erro por falta se caracteriza, por sua vez, em sentir dor com o que não se deve, pois o mesquinho (mikroprepês) lamenta a dor de se supor gastando mais do que se devia: assim, acaba por estragar a beleza da obra por ninharia.