Prazer e desejo em Aristóteles
Agradecimentos
Já dizia Nelson Rodrigues em seu livro O óbvio ululante, que
devemos “ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três
desertos”. 1 Tomo como minhas as palavras do dramaturgo para descrever a trajetória deste livro. Com sistemática persistência, para não dizer obsessão, li e reli as obras de Aristóteles que me impeliam insistentemente a dialogar com os seus argumentos, a reconsiderar seus pressupostos e conclusões, a verificar sua lógica que, por vezes, não parece ser tão evidente como gostaríamos. Propus-me a caminhar nos emaranhados dos conceitos expostos tão sedutoramente pelo filósofo estagirita em preferência a lançar-me três vezes no deserto de intermináveis discrepâncias da exegese aristotélica. Assim, busquei delinear o que significa prazer e desejo e, para tanto, tracei e retracei percursos, leituras, escrituras. E, se não fui, pelo menos pretendi ir ao limite de tais conceitos no âmbito moral. Para alcançar as bordas, sem, talvez, ultrapassar os limites, me direcionei até onde os desafios e as descobertas da inferência argumentativa puderam me conduzir. De certo, neste percurso que evitou a aridez do deserto, mas que não se esquivou dos maremotos devo ter armado emboscadas para o meu próprio pensamento, das quais sou unicamente responsável. Talvez não tenha chegado a Ítaca, mas em águas filosóficas mais vale navegar do que atracar em seu destino final. E se cheguei ou não em algum lugar dirá melhor o leitor. No mais, se de algo pude ser convincente é menos por mérito próprio do que pelo auxílio impecável das profundas e belas palavras de Marco Zingano, Luiz Henrique Lopes e Francis Wolff.
Agradeço a todos e todas que me acompanharam nesta jornada e
às agências de fomento à pesquisa, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que financiou a pesquisa de doutorado, e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), que financiou o estágio de um ano na École Normale Supérieure – Paris (ENS-Paris). Por fim, também agradeço à Universidade Federal da Bahia, que possibilitou a publicação deste livro por meio do edital PRODOC/UFBA. Este livro é fruto da redação inicial de meu doutoramento, embora muito distante em alguns pontos que foram elaborados e desenvolvidos posteriormente.