Tempo para Amar

Danielle Steel · Capítulo 14 de 32

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Tempo para Amar

Capítulo 14 · - Okay, querido, agora fecha os olhos.

Tygue encontrava-se sentado muito quieto no banco ao lado do dela, de olhos fechados. Kate reconhecera a última curva da estrada antes de os prédios começarem a ver-se. Perguntou a si mesma o que pensaria ele da cidade. Nunca vira nada semelhante. Kate fez a curva com suavidade e sorriu ao ver o emaranhado de prédios à sua frente.

- Muito bem, já podes abrir.

Ele manteve-se calado. Abarcou tudo, mas não disse nada. Kate ficou admirada.

- Então, o que achas? -O que é?

- São Francisco, tontinho. Aqueles são os edifícios grandes da baixa.

Tygue nunca tinha visto um prédio com mais de três andares. Era espantoso perceber isso. Com a idade dele, Kate já tinha estado em Nova Iorque e subido ao Empire State Building.

- Pensei que tinha colinas. - Parecia desiludido. E um pouco assustado.

- E tem. Só que daqui não as vemos.

- Oh...

Ela não sabia o que dizer-lhe. Tygue estava muito quieto, a olhar em frente. Queria ir para casa. E ela que queria que ele adorasse São Francisco. Tinha combinado tudo com Felicia. Iriam ali ficar uma semana. Uma semana inteira! Fisberman's Wharf, Sausalito, elétricos, a praia, o jardim zoológico, uma viagem no ferry, andar de bicicleta em Angel Island, haviam pensado em tudo. Felicia até se informara dos locais onde decorriam filmagens a fim de que ele pudesse ver as perseguições de carros nas colinas. Como de costume, estava uma agendada para Divisadero.

- Queres ver a rua mais torta do mundo?

- Claro.

Apertava Willie com força no regaço e Kate sentiu vontade de o repreender. Estavam em São Francisco. Era excitante. Era a primeira viagem que ele fazia. Por que razão não estava feliz? Porque não sentiria o mesmo que ela? Depois sentiu-se cheia de remorsos e virou à direita na Rua Franklin, para poder parar.

- É aqui? E esta a casa da tia Licia? - Olhava para um hotel velho com um ar horrorizado e Kate soltou uma gargalhada. A viagem fora longa e só naquele momento é que ela se apercebeu de como estivera tensa com a expectativa de ver qual seria a reação do filho.

- Não. E eu gosto muito de ti, seu tontinho. Chega aqui e dá-me um abraço.

No rostinho sardento apareceu um sorriso e ele abraçou-a sem largar o urso. Tillie tinha ficado com Bert.

- Tygue Harper, prometo-te que vamos divertir-nos aqui. Está bem? Podes confiar em mim só um bocadinho? Ele assentiu e Kate deu-lhe um beijo na cabeça.

- É tão grande - comentou ele num tom cheio de temor. - E tão... - Olhou em volta para a rua suja onde ela parara e a desilusão era visível no seu rosto.

- Sim, é grande. Maior do que aquilo a que estamos habituados. Mas estás a ver a Rua E lá na nossa cidade?

Ele assentiu. Era uma rua horrível. Ficava depois dos velhos carris do caminho-de-ferro, perto da lixeira. Estava cheia de bêbedos e de carros abandonados. Cheirava mal e era o tipo de sítio a que nunca se queria ir. Ele estava a ver a Rua E. Toda a gente estava. Tygue olhou para a mãe de olhos muito abertos,

- Bem, esta rua é bastante parecida com a Rua E. Mas aqui há sítios muito bonitos. E nós vamos vê-los todos. Okay? Combinado? - Estendeu-lhe a mão com um sorriso e ele apertou-a com um ar muito compenetrado. - Vamos a isso?

- Vamos a isso! - repetiu ele, sentando-se a olhar para a frente, embora já segurasse Willie com menos força.

Kate sorriu e voltou a pôr o carro a trabalhar.

- Tens fome? - Sabia que se encontravam perto do Hippo na Van Ness, porém Tygue abanou a cabeça.- Queres um gelado? - A cabeça dele virou-se na sua direção e nos seus olhos havia um sorriso. - Então vamos ao gelado.

- Era perfeito. Pararia no Swensen's da Rua Hyde a caminho da casa de Licia. Esta aguardava-os no apartamento. E sentia-se tão ansiosa como Kate.

Kate estacionou à porta do Swensen's e, quando saíram do carro e esticaram as pernas, dois elétricos vinham a descer a Rua Hyde.

- Olha! - exclamou Tygue aos saltos com o urso de pelúcia na mão. - Olha, mamã! E um... um... -Estava excitadíssimo, e Kate sorriu. Afinal, tudo iria correr bem. E o gelado estava delicioso. Duas bolas num cone e molho de chocolate; a maior parte ficou no nariz e no queixo de Tygue. Quando saíram da geladaria, vinha outro elétrico a descer a colina. Foi a custo que conseguiu meter o filho no carro.

- Havemos de andar num mais tarde.

Antes, porém, teve outra idéia. Aliás, duas. A colina mais íngreme. A rua mais torta. Estavam perto de ambas.

A colina mais íngreme não o impressionou; no entanto, adorou a rua mais torta enquanto percorriam lentamente o caminho estreito e sinuoso ladeado por árvores e casas vitorianas de tom pastel. Tygue gostou tanto dela que quase se esqueceu do gelado que pingava para cima do urso. Lambeu todo contente um bocado de chocolate da orelha de Willie. -Tygue, que horror!

- Hum, delicioso! - Estava de novo feliz. - O que é aquilo? - perguntou, apontando para Colt Tower em Telegraph Hill.

- É um monumento de homenagem aos bombeiros. Chama-se Coit Tower e fica perto da casa da tia Licia.

- Podemos ir visitá-lo?

- Claro. Mas primeiro vamos ver o que a tia Licia planeou.

- Isto é divertido.

E o mesmo aconteceu ao resto da estada. Experimentaram tudo. jantaram no Hippo, fizeram piqueniques em Stinson Beach, foram ao museu de cera, a Fisherman's Wharf, andaram dez ou quinze vezes de elétrico, foram ao aquário, ao planetário, a Chinatown e ao jardim japonês no parque. Foi divino e, no sábado seguinte, Tygue conhecia melhor São Francisco do que a maior parte das crianças que lá vivia.

- Então, campeão? O que achas? Vais abandonar a tua mãe e vens viver para cá comigo? - perguntou Licia. Encontravam-se instalados no tapete branco da sala de Felicia a comer pipocas. Pela primeira vez, naquela semana, sentiam-se demasiado cansados para sair. Felicia concordara em encomendar pizza. A semana pertencera a Tygue e as duas mulheres estavam exaustas. Sorriram uma à outra por sobre a cabeça da criança.

- Sabes, tia Licia - disse Tygue, olhando pensativo para a Ponte Bay -, quando for grande se calhar venho para cá trabalhar num elétrico.

- Boa idéia, campeão.

- E se lhe comprares um no Natal, Licia, dou cabo de ti! - exclamou Kate com uma gargalhada, enchendo de novo a boca de pipocas.

- Quando é que pensam voltar?

Kate encolheu os ombros e olhou para Tygue.

- Não sei, veremos. - Prestara pouca atenção a Tom nos últimos tempos e tinha algumas idéias para um livro novo. - Eu devia pensar em trabalhar. E tenho de inscrever o Tygue no grupo que vai ao rancho dos Adams montar todos os dias até ao começo das aulas.

-E o livro? - Felicia que puxasse o assunto. Ela andara a tentar não pensar nele. A publicação iria ser dali a uns dias.

- O problema agora é deles. Eu escrevi-o. Eles que o vendam.

- É assim tão simples? - perguntou Felicia franzindo o sobrolho e fitando Kate. - Escreveste-o e já está. Já alguma vez te ocorreu que eles vão querer que os ajudes a vendê-lo?

- Porta a porta? - retorquiu Kate com uma gargalhada.

- Sabes bem o que eles querem. - Felicia não tencionava permitir que ela desviasse a conversa. Há semanas que esperava a ocasião propícia.

- Como é que posso saber? E a questão não é essa. - Ai não? Então qual é? Aquilo que tu queres?

- Talvez. Não vejo por que motivo tenha de fazer uma coisa que me deixa pouco a vontade.

- Não sejas parva, Kate. - Tygue levantou-se e ligou a televisão. Estava aborrecido. Agarrou na taça das pipocas e levou-a consigo, e Kate deixou de poder esconder-se atrás dela. Olhou para Felicia e depois para a paisagem exterior. - Ouviste bem. E és louca se não promoveres o teu livro. Esta é a tua grande oportunidade. Desta vez conseguiste. Se aproveitares isso agora, o teu próximo livro venderá ainda mais. E então serás uma figura permanente no meio dos êxitos literários. Porém, esta é a prova dos nove. Se deres cabo dela, não voltarás a ter outra. Não podes dar-te ao luxo de ignorar isso.

- Como é que sabes que é isso que eles querem? O livro pode vender-se sozinho.

- És louca. Estás a desperdiçar a tua carreira. E sabes tão, bem como eu que é isso que queres. Ainda por cima, está ao, teu alcance. Tens tudo o que é necessário. Beleza, inteligência e talento.

- Mas nenhuma coragem.

- Tretas. Andas é tão preocupada a escondê-la de ti própria que te esqueces de que a tens. Para além disso, vê o que fizeste no mês passado. Vieste cá duas vezes. Já não és uma eremita, e sabe-lo bem, Kate. Nem sequer queres sê-lo.

- Mas isto é diferente, Licia. Isto não é público. A minha cara não aparece na televisão a pedir-lhe que lhe atirem uma torta. Ou pior, que me espetem uma faca no coração. Ou no do Tygue - disse ela baixinho, de forma a que o filho não ouvisse. Porém, ele estava concentrado no programa a que assistia na enorme televisão a cores. - Não vou correr esse risco, Licia.

- E difícil discutir contigo, bolas! Mas se fizesses o que estou a pedir-te, e se alguma coisa corresse mal, eu ficaria cheia de remorsos.

- Eu também. E por isso que não o vou fazer.

- Mas pensa só como seria divertido.

- Seria? Não tenho assim tanta certeza. Para o Tom não foi muito divertido.

- Foi, sim senhora.

- Nem por isso.

- Talvez não tivesse sido para ti. Mas para ele foi. Teve de ser. Deve ser uma das maiores alegrias do mundo.

- Sou feliz sem ela.

- E sentes-te também mais sozinha.

- Licia, minha querida, o êxito não é o antídoto para a solidão.

- Talvez não, mas será que não ficas animada ao ver a publicidade feita ao teu livro? Caramba, pá, ele vai sair daqui a três dias! Isso não te excita?

Kate sorriu com uma expressão envergonhada. -Mais ou menos.

- Estás a ver? E pensa só no que aconteceria se aparecesses em público! - tomou Felicia a insistir; Kate levantou a mão com um sorriso e um acenar de cabeça.

- Chega! Basta!

No entanto, Felicia não iria desistir, e sabiam-no.

- Talvez o Weinberg mude de idéias.

Desta vez Kate abanou a cabeça com ar convicto.

- Nem pensar. E ele é demasiado inteligente para tentar.

Kate e Tygue foram-se embora de São Francisco no princípio da tarde de domingo. Felicia havia tirado uma semana de férias para estar com eles, mas iria regressar ao trabalho no dia seguinte e Tygue começaria as aulas de equitação também na manhã seguinte. E havia ainda Tom. Pobre Tom. Já há quase duas semanas que não recebia uma visita. Kate andara demasiado ocupada antes de ir a São Francisco. Iria vê-lo na manhã seguinte. Era um bocado idiota fazer o caminho de regresso até casa e depois voltar quase tudo para trás no dia seguinte, mas não havia alternativa. Kate não podia levar Tygue a Mead.

- Mamã?

- Sim, querido? - Haviam acabado de entrar no trânsito que saía da cidade.

- Podemos voltar cá? -Eu dissete que sim. - Em breve?

Ela sorriu e assentiu. - Em breve.

Tygue soltou uma gargalhada e Kate fitou-o. - O que foi?

- Estou desejoso de ver o Bert. - Eu também - disse Kate.

Seria bom regressar a casa. Aquelas visitas todas eram bastante cansativas. Recordou-se das viagens que costumava fazer com Tom. Também haviam sido cansativas. Perguntou a si própria como teria sido capaz. Sempre a fazer as malas, a andar de avião, a conduzir, a dormir em hotéis. Porém, ele tomara sempre tudo divertido. Uma espécie de aventura. Uma lua-de-mel.

- No que é que estás a pensar?

- Em como me costumava divertir quando viajava com o teu pai. - Ficou admirada por ter dito aquilo. Raramente falava de Tom a Tygue. Era melhor não tocar no assunto. Ele percebia que a mãe não gostava de falar nisso. Sabia apenas que o pai tinha morrido num acidente, antes de ele nascer. Nunca perguntara sequer o que é o que o pai fazia. Mas um dia iria perguntar. Kate ultrapassaria esse obstáculo quando lá chegasse. Inventaria uma mentira como as outras. Tinha de ser.

- Faziam muitas viagens?

- Algumas. - Estava de novo a ser reservada.

- Aonde? - Voltara de novo a ser um rapazinho, sentado no banco com Willie, desejoso de ouvir aventuras.

A expressão dele fê-la rir-se.

- A muitos sítios. Uma vez fomos a Cleveland. - O primeiro fim-de-semana que tinham passado juntos. Porque decidira falar-lhe disso? Porque teria pensado nisso,? Sentiu um enorme sofrimento.

- Foi fixe?

- Foi, muito fixe. Não é uma cidade bonita, mas o teu pai fê-la parecer bonita.

Tygue tinha uma expressão de tédio. «Bonita» era para raparigas.

- Alguma vez foste a Nova Iorque?

Felicia iria lá em breve e ele ouvira-as falar disso. -Sim, com os meus pais. Não com o teu pai

- Mamã?

- Sim, querido? - Rezou para que a pergunta não fosse difícil. Sobretudo naquele dia, e naquele momento. Sentia-se bem e queria continuar assim.

- Como é que essas pessoas já morreram todas? Os teus pais, o meu pai? Como?

O mais estranho daquilo é que nenhum deles estava morto, mas era como se estivessem.

- Não sei. Às vezes as coisas são assim. Mas tenho-te a ti - respondeu ela com um sorriso.

- E ao Willie e ao Bert e à tia Licia. Nós nunca havemos de morrer. Talvez a tia Licia morra. Mas nós não. Não é, Willie? - Olhou para o urso, muito sério, e depois para a mãe. - Ele diz que sim.

Ela sorriu a ambos e fez uma festa na cabeça do filho.

- Gosto muito de ti, borracho.

- Eu também gosto muito de ti - retribuiu ele em voz baixa, como se tivesse medo que alguém o ouvisse.

Kate riu-se e sentiu-se bem consigo própria. Viajaram em silêncio durante algum tempo e, quando tornou a olhar para o filho, viu que ele adormecera. Tinham acabado de passar por Carmel e dali a três horas estariam em casa. Foram buscar Bert a casa de Tillie e jantaram na cozinha.

A seguir ao jantar, Tygue foi para a cama, e ela imitou-o cerca de uma hora depois. Nem sequer se incomodou a desfazer a mala ou a abrir o correio. Despiu-se e enfiou-se na cama. Parecia que passara apenas uma hora quando o telefone tocou, mas o Sol já brilhava e ela ouvia Tygue a brincar algures na casa. O telefone tocou quatro vezes antes de ela atender. Era Stu Weinberg.

- Pensei que me tinha dito que nunca saía.

- E não saio. - Kate tentava acordar e ao mesmo tempo ser simpática.

- Telefonei. Escrevi. Pensei que tivesse morrido. Eu teria feito haraquiri na minha secretária.

- Foi assim tão mau, hein? Há algum problema? - E se fossem cancelar os contratos? Sentiu-se subitamente desperta.

- Claro que não. Não há problema nenhum. Está tudo bem. O livro sai daqui a três dias, ou será que já se esqueceu? Não esquecera, mas tentava.

- Não me esqueci - disse com cautela. - Temos de falar numa coisa, Kate. Bolas! E logo de manhã. Antes do café.

- Ai sim?

- Teve uma oferta maravilhosa.

- Outra? - Os seus olhos abriram-se muito. Deus do Céu! O que seria agora? Vendas dos direitos de adaptação ao cinema para o Japão? Sorriu.

- Sim. Outra. Recebemos um telefonema do Case Show. - Do Jasper Case?

- Sim. Gostariam que aparecesse no programa. E uma excelente oportunidade para o livro. Estamos todos muito animados.

- Todos quem? - perguntou Kate. Parecia distante e desconfiada.

- As pessoas que se interessam pelo livro, Kate. - Enumerou os nomes dos editores. - Já para não falar nos tipos do cinema. Isto podia ajudar bastante o livro. - Silêncio. Kate?

- Sim.

- No que é que está a pensar? -Naquilo que lhe disse.

- Acho que faz mal em não o fazer. Penso que esta é uma das coisas que vai ter de fazer. Por Deus e pelo país, minha senhora. E pelo livro. - O livro, o livro, o maldito livro. - O Case é um tipo impecável. É um bom começo. De bom trato, bem-educado, muito correto. É inglês.

- Eu sei, costumo ver o programa. - Era o melhor programa da noite e o país inteiro assistia. Jasper Case era realmente um cavalheiro. Ela nunca o vira deixar alguém pouco à vontade. E quanto aos espectadores? Se alguém a visse e se lembrasse? Deus do Céu. Quem diabo iria lembrar-se de uma rapariga alta e magra de cabelo castanho que andava sempre atrelada a Tom Harper? Quem é que sabia? Quem é que se importava? - Está bem. Eu vou lá.

- Fico muito contente, Kate - comentou ele, limpando o suor da testa. - Eles já começaram a preparar tudo. Vai aparecer de hoje a oito dias. E acharam que talvez gostasse de ficar hospedada no Hotel Beverly Hills. Reservaram um quarto para segunda. Pode fazer a viagem de manhã e descansar um pouco. Iremos almoçar com uma pessoa do programa que lhe dirá quem são os convidados daquela noite e o que poderá esperar. Assim, ficarão com uma idéia sobre aquilo de que quer falar ou não. Você é quem manda. Depois pode passar a tarde junto à piscina, ir ao cabeleireiro ou fazer o que bem lhe apetecer. O programa é gravado às sete e emitido mais tarde. Depois da gravação, às nove, está por sua conta. Podemos ir jantar, para comemorar. E é isso. Passa lá a noite e regressa a casa no dia seguinte. Sem dor.

- Parece uma forma bastante agradável de perder a virgindade - retorquiu Kate com um sorriso. Weinberg conseguira. Ambos tinham consciência disso. Ele manipulara-a desde o princípio. Bolas!

- Kate, confie em mim. Vai adorar.

Riram os dois.

- Se eu não adorar, recebo o meu dinheiro de volta?

- Claro, minha querida. Claro. Não se esqueça. De segunda a oito. Ali, a propósito, o L. A. Times quer uma entrevista. O que acha?

Kate hesitou.

- Não.

- E a Vogue?

- Caramba, o que raio está a acontecer, Stu?

- Mais do que você julga, minha querida. Está bem... E quanto a esta? - Disse o nome de uma revista feminina.

- Nada de fotografias, só uma entrevistazinha feita durante o almoço de terça-feira.

- Está bem, está bem. Convenceu-me. A quantos mais leões me vai lançar? Diga agora a verdade! -Kate parecia estar a falar com Tygue.

- Nove revistas, cinco jornais e outros três talk-shows. E um programa de rádio em Chicago. Vão gravá-lo pelo telefone. Se ler a sua correspondência, ficará a saber tudo.

- Tenho estado fora - disse ela com ar envergonhado.

- Foi a algum sítio divertido?

- A São Francisco.

- Bestial. Se quiser, arranjamos-lhe lá uma entrevista. Pode lá voltar quando quiser.

- Bolas, Stu, não estou preparada para isto!

- É para isso que aqui estou. Deixe-me ajudá-la. Neste momento só tem de preocupar-se com uma coisa: O Jasper Case Show. O resto pode esperar. Faça a experiência com o Case. Depois veremos. Acha razoável?

- Muito. Meu Deus! - Estava de novo a entrar em pânico. - O que é que vou vestir?

Stu Weinberg soltou uma gargalhada. Conseguira! Se ela estava preocupada com o que iria vestir, a batalha fora ganha. - Minha querida, vá nua, se quiser. Só lhe peço que se divirta.

Cinco minutos mais tarde, Kate encontrava-se ao telefone com Felicia, que a escutava sentada à secretária, de boca aberta.

- Vais ser o quê?

- Entrevistada no Jasper Case Show. - Kate parecia orgulhosa. O que diabo teria feito o homem para a convencer? Felicia admirou-o. - O que é que hei-de vestir?

Porém, Felicia limitou-se a sorrir.

- Kate, querida, adoro-te.