Tempo para Amar
Capítulo 22 · - Deste aulas hoje? - perguntou ele…
- Deste aulas hoje? - perguntou ele com cautela quando se sentou no cadeirão ao pé da lareira. Acabara de chegar e, sorrindo para Kate, alargou o nó da gravata.
- Sim. - Hesitou. - Como correu o programa? -
O seu dia com Tom também não fora fácil. Ele estava constipado, tinha a garganta inflamada e chorara duas vezes.
- Foi de arrasar. - Disse o nome de três grandes vedetas de Hollywood, duas delas mulheres conhecidas pela rivalidade existente entre ambas. Porém, Nick não queria falar do programa. Queria falar da única coisa que ela não lhe contava. E desejava saber porquê. Havia semanas que algo o incomodava. Discrepâncias, pequenas coisas. Algo. Fora durante todo o caminho para Los Angeles a pensar nisso e o assunto não lhe saía da cabeça desde que conhecera Kate. Havia pequenas peças do quebra-cabeças que ficavam sempre de fora. Coisas que ela não dizia, anos que nunca referia. E até algumas das que ela dissera o perturbavam. A forma como os pais a tinham abandonado, o seu desencanto com o «destino», os anos que vivera sozinha com Tygue e o «emprego» onde não podia levar ninguém. Estava na sua varanda de Los Angeles a beber a terceira caneca de café quando sentira uma necessidade súbita de saber as respostas; tinha muitas formas de as procurar. Se calhar aquela segunda noite sem dormir começava a fazê-lo ter idéias estranhas, mas que se lixasse, não tinha nada a perder em procurar uma explicação e, para além do mais, Kate não precisava de saber. Nick não sabia ao certo o que procurava, embora soubesse que havia qualquer coisa. E a primeira pergunta tinha a ver com o nome dela e com o livro. Fora a primeira coincidência estranha. Kate sabia demasiado sobre futebol, sobre... As perguntas tinham surgido ao longo de vários dias e haviam por fim formado uma história coerente certa tarde, pouco antes das cinco, quando se encontrava no escritório do estádio. A resposta não o surpreendeu nada. O homem que fazia as investigações para o programa era seu amigo e Nick dissera-lhe que a investigação era confidencial e pessoal. Não estava preocupado com uma possível fuga. Porém, não gostou do que ouviu, por causa de Kate.
- Acabei de descobrir tudo o que era possível acerca da rapariga de que me falaste. Mas, primeiro, deixa-me dizer-te o que descobri mais.
«Por estranho que pareça, não me lembrei do tipo até termos visto algumas fotografias do programa. Depois liguei para os jornais e para o arquivo da estação de televisão. O Tom Harper foi uma grande estrela de futebol há cerca de dez anos. Veio ao programa três ou quatro vezes, quando o Jasper ainda trabalhava em Nova Iorque. Antes de tu trabalhares conosco, Nick. Bem, ele era um tipo simpático, segundo creio. O grande herói americano. Não sei por que motivo o nome não me disse nada quando mo referiste esta manhã. Ele jogou como profissional durante oito ou nove anos até a carreira começar a descambar. Não me recordo dos pormenores, mas sei que ele começou a meter-se em sarilhos quando ficou demasiado velho para o futebol profissional. Acho que cometeu a loucura de tentar alvejar o dono da equipe, ou o manager, ou outra pessoa qualquer, só que em vez disso deu um tiro nele próprio.
- Matou-se? - Nick recordava-se vagamente da história. Até chegara a encontrar Tom Harper uma ou duas vezes quando iniciara a sua carreira no futebol. Como as pessoas se esqueciam depressa das coisas! Há cerca de seis, sete ou talvez oito anos a notícia correra mundo, e agora fora preciso uma investigação para que o nome lhe voltasse a ocorrer. Kate gostaria de saber isso.
- Acho que ele não morreu, pelo menos de imediato. Não consegui saber todos os pormenores, mas parece que ficou paralisado, ou qualquer coisa do gênero. Acabaram por transferi-lo para uma casa de saúde elegante em Carmel, e creio que depois disso toda a gente o esqueceu. Ninguém parece saber se ele ainda está vivo ou não, e não consegui saber o nome da casa de saúde, se não, teria telefonado para lá. Um dos jornalistas escreveu uma história que explicava que o Tom Harper estava paralisado da cintura para baixo e com perturbações mentais quando o levaram para Carmel, mas mais nada. Quanto à rapariga, era mulher dele. Há pouca coisa acerca dela. Só algumas imagens dela a entrar e a sair do hospital. Mandaram-mas e eu fiquei doente só de as ver. Ela tem o ar de quem está a viver um pesadelo, e há outra imagem dele a ser metido na ambulância para a viagem rumo a Carmel. Parece que não sabia o que estava a acontecer, tinha um ar acriançado e idiota. Depois disso, não se soube mais nada. Descobri umas coisas acerca do passado dela. Freqüentou Stanford durante alguns meses, foi viver com o Tom Harper no fim do primeiro ano, viajou com ele para todo o lado, mas manteve-se sempre longe das luzes da ribalta. Durante algum tempo passou modelos. Na altura era muito bonita, mas isso já foi há bastante tempo. O único escândalo da sua vida é o fato de os pais a terem expulso de casa por ela querer casar com ele. Eram uns esnobes da classe média alta que não suportaram a idéia de ver a sua princesa casar com um plebeu. Por isso, correram com ela de casa.
«Não sei mais nada, Nick, sobre o que aconteceu ao Tom Harper, se ainda é vivo, ou sobre o que aconteceu à rapariga. Não há mais nada na imprensa depois disso. Se conseguires descobrir o nome da casa de saúde em Carmel, poderei saber se ele ainda é vivo, mas se calhar o nome nunca veio nos jornais. Queres que tente descobrir?
- Não, eu posso tratar disso. Olha, muitíssimo obrigado. Disseste-me tudo o que eu queria saber. -Mais até. Agora sabia tudo. Podia imaginar o resto. Era evidente que Tom estava vivo e que continuava em Carmel. Era essa a «escola» misteriosa onde ela dava aulas. Tudo aquilo acontecera havia sete anos. E Tygue... Tygue tinha seis. Kate devia estar grávida quando Tom dera um tiro em si próprio. Vivera demasiado tempo sozinha. Durante o resto da tarde, Nick sentiu-se abatido ao pensar no que acontecera. Queria falar-lhe daquilo, deitar tudo cá para fora, abraçá-la e deixá-la chorar se ela ainda o quisesse fazer ao fim de todos aqueles anos. Porém, sabia que não podia dizer nada antes dela. Perguntou a si próprio quanto tempo isso levaria.
Agora sentado à frente de Kate, viu-a observá-lo e notou as suas olheiras. Kate também estava a pagar pela felicidade de ambos e pela sua vida dupla.
- Como correram hoje as coisas em Carmel, Kate? Foram difíceis? - Detestou ver a dor espelhada nos olhos dela. isso contava-lhe o resto da história que o seu amigo não conseguira descobrir. Perguntou a si mesmo como estaria Tom Harper. Soubera já que os danos mentais eram irreparáveis. Tinha de ser um grande esforço. Porém, Nick não podia imaginar como seria realmente lidar com uma pessoa assim durante um longo período de tempo. Uma pessoa que se amava.
- Sim, foi difícil - respondeu ela com um sorriso, tentando não desenvolver muito, mas Nick não permitiu.
- Eles são muito exigentes? - Referia-se a Tom, não a «eles», mas esperava que ao menos ela lhe dissesse a verdade. Uma espécie de verdade.
- As vezes. As pessoas assim podem ser muito queridas e muito infantis, ou muito difíceis, como algumas crianças. Bem, mas isso não interessa, fala-me mas é do teu programa.
O assunto estava encerrado. Nick percebeu isso ao olhar para o rosto de Kate.
- As pessoas do programa também podem ser «muito queridas e muito infantis», ou completamente idiotas e igualmente infantis. Talvez a maior parte dos atores e das vedetas seja atrasada mental -declarou ele com um sorriso e um suspiro,
- A propósito, alugaste a casa para este fim-de-semana? - perguntou Kate desabotoando-lhe a camisa.
Nick assentiu.
- Sim. Sabes uma coisa? Estive a pensar. E se formos os três para lá?
Ela pensou um pouco e olhou para ele. -Porque não aqui?
- Ainda não - respondeu Nick abanando a cabeça. Este é o território do Tygue. Não quero impor-lhe a minha presença.
Ele pensava em tudo, preocupava-se com tudo. Tal como ela se preocupava com ele. O suficiente para ficar aflita com o seu aspecto. Exausto.
- Nick?
- O que foi, querida? - Estava deitado no sofá, de olhos fechados, a segurar a mão dela. Tentava não se mostrar magoado com o fato de Kate não lhe falar de Tom. Sabia que teria de esperar até ela estar pronta a fazê-lo.
- O que é que vamos fazer?
- Acerca do quê? - perguntou, sabendo no entanto a que é que ela se referia. Estava a pensar na mesma coisa. Já há três semanas que nenhum deles dormia a noite toda.
- Não podes andar a correr de um lado para o outro para sempre.
- Estás a dizer que já estou velho? - Nick abriu um dos olhos e Kate sorriu.
- Não. Eu é que estou. E se isto está a dar cabo de mim, imagino o que não estará a fazer-te a ti, a ir todos os dias para Los Angeles.
- Não te preocupes. Porque não deixamos passar o Verão? Depois logo se vê.
- Depois logo se vê o quê? - Pensara nisso durante o regresso a Carmel. A viagem dera-lhe uma idéia da distância que Nick percorria todas as manhãs e todas as noites. A distância era a mesma. - O que raio vamos fazer depois do Verão?
- Eu podia comprar um avião. Talvez um helicóptero - sugeriu ele a brincar e Kate deu-lhe um beijo na cara. A culpa também era sua. Mas havia Tygue e ela não podia simplesmente... - Descontrai-te, querida. Depois logo se vê. Estou à espera de ver o que é que o Jasper vai decidir em relação ao programa. Isso poderá mudar tudo. Ele tem de tomar uma decisão durante as próximas duas semanas.
- Pode mudar tudo como? - inquiriu Kate, cada vez mais preocupada.
- Não ligues. Não penses mais nisso. É uma ordem.
- Mas...
- Chiu! - Nick encostou os lábios aos dela e respondeu a todas as objeções com beijos até ela ter desatado a rir. Depois foram para a cama. Porém, naquela noite nem sequer fizeram amor. Limitaram-se a dormir, enroscados um no outro, exaustos. E quando Kate acordou na manhã seguinte, Nick já tinha partido.
- Onde é que arranjaste isto? - perguntou Tygue, pegando numa T-shirt branca enorme com um olhar desconfiado enquanto a mãe se tapava com o lençol. Era a primeira vez que Tygue aparecia no quarto de Kate antes de ela ter tempo de vestir um roupão, e Kate pôs-se à defesa. Tinham estado tão cansados que Nick se esquecera da camisola interior debaixo da cama.
- Vesti-a ontem para tratar do jardim.
- Tem o cheiro do Nick - insistiu ele, fitando-a muito sério. Começava a sentir ciúmes. Nick tinha razão. A alegria inicial fora demasiado boa para ser verdade, ou para poder durar.
- Foi o Nick quem ma deu. O que queres comer ao pequeno-almoço? Cereais ou ovos? - E por que raio devia ela dar-lhe explicações? Tinha direito a ter debaixo da cama todas as camisolas interiores que lhe apetecesse.
- Quero fatias douradas ou panquecas - respondeu ele com vontade de discutir.
- Isso não faz parte da ementa - retorquiu Kate muito séria.
- Oli, está bem. Ovos. Quando é que o Nick vem ver o Brownie outra vez? - O mais engraçado é que ele parecia ansioso por voltar a ver Nick e também zangado, como se quisesse discutir com a mãe.
- Ele disse que aparecia cá no fim-de-semana. Aliás Kate susteve a respiração -, ele convidou-nos para passar uns dias na casa de Santa Barbara. O que te parece?
- Okay. Talvez. Tu também vais?
- Claro. Alguma objeção?
- O Nick não gosta de falar de cavalos quando estás ao pé. Quando estamos sozinhos, ele fala sobre coisas mais interessantes.
- Bem, talvez vocês pudessem ir os dois à cavalariça, ou passear na praia, ou qualquer coisa parecida. O que achas?
- Pode ser. - No seu olhar surgira um sorriso. - Posso levar o Joey?
Ela nem sequer tinha pensado nisso, mas parecia-lhe uma boa idéia. Assim Tygue estaria mais ocupado, e ela e Nick teriam mais tempo para estar sozinhos.
- Vou perguntar, mas desconfio que o Nick vai dizer que sim.
Nick dizia que sim a tudo o que Tygue queria. Por vezes isso incomodava-a. Ele mantivera a promessa de não o mimar demasiado, porém continuava a fazer todas as vontades à criança e Kate sentia-se irritada, pois isso tornava-lhe mais difícil Controlar o filho. Fazia também com que Nick fosse sempre o bonzinho e ela a má da fita, quando tentava discipliná-lo. Para além do mais, era uma novidade para Kate ter outra pessoa a mimar Tygue. Durante muito tempo Tygue só pudera contar com ela para tudo e era difícil partilhar a glória com outra pessoa. Não gostava de admiti-lo, mas sabia que era verdade. Claro que também havia Felicia, mas as visitas dela eram raras, as de Nick cada vez mais freqüentes e com a familiaridade surgia também o direito a uma certa autoridade que era difícil de aceitar. Tygue não era o único a ter de adaptar-se. Kate tinha de aceitar algumas coisas novas na sua vida, mas valia a pena por causa de Nick.
- Não te esqueças de perguntar ao Nick se o Joey pode ir - disse Tygue por cima do ombro saindo do quarto. - Está descansado. Agora vai-te vestir.
Tygue desapareceu no seu quarto e Kate enfiou a camisola interior numa gaveta, mas não sem antes a cheirar, Tinha o cheiro dele, a limão e a especiarias. Isso fê-la desejá-lo.
Porém, Nick não telefonou naquela manhã. Quem o fez foi Stu Weinberg.
- Tenho uma surpresa para si, Kate. - Parecia muito satisfeito.
- Boa ou má?
- Só tenho boas surpresas - retorquiu ele, tentando parecer ofendido, sem contudo o conseguir.
- Muito bem, diga lá.
- Bom, minha querida, acabaram de me pedir que a convidasse a passar oito dias no Hotel Regency em Nova Iorque, três dias em Washington, dois dias em Boston e um dia em Chicago no regresso. E uma viagem promocional ao seu livro, e nas quatro cidades você irá aparecer nos melhores programas possíveis. Ficará sempre instalada em hotéis de cinco estrelas. Miss Harper, conseguiu!
- Deus do Céu! - Outra dificuldade a ser ultrapassada. E ela que se sentia tão satisfeita com o planalto onde chegara. Porque tinha de subir ainda mais? - Tem mesmo de ser?
- Está a brincar? - retorquiu ele, horrorizado. - Olhe Kate, para falar com franqueza, quer um best seller ou uma bomba? Se quer receber o dinheiro dos direitos também tem de fazer alguma coisa.
- Por outras palavras, tenho de tocar para comer. Não ficara nada satisfeita. - Quantos dias é que são ao todo?
- Precisamente duas semanas. Não é tão mau como isso, pois não?
Ela suspirou.
- Acho que não. Mas posso dar-lhe uma resposta depois? Tenho de ver se arranjo alguém para ficar a tomar conta do Tygue.
- Claro, minha querida. Eu ligo-lhe mais tarde. -Quando é que eu teria de partir?
- Na segunda - respondeu ele abruptamente.
- Daqui a quatro dias? - Já era quinta-feira.
- Ele não me avisou com muita antecedência, bolas! exclamou Stu, calando-se. Já falara de mais.
- Quem é que não o avisou?
- O tipo do departamento de publicidade da sua editora.
- Ali. Bom, eu ligo-lhe mais tarde. - Kate queria telefonar a Nick e Stu respirou fundo. Bolas, quase dera cabo de tudo. E prometera a Nick que não o faria. Devia estar a passar-se algo muito estranho para Nick lhe telefonar a fazer um pedido daqueles. Porque não a tinha convidado diretamente? Stu sabia a resposta. Se Nick a tivesse convidado, ela não teria ido. Talvez assim fosse,
Kate apanhou Nick em casa, e ele parecia um pouco ensonado.
- Acordei-te?
- Não, estava só a pensar. O que se passa, querida? Kate ouviu-o bocejar e imaginou-o a espreguiçar-se.
- Esqueceste-te da camisola interior.
- Espero que não tenha sido num sítio muito mau. Nick sorriu ao recordar-se do aspecto dela naquela manhã, profundamente adormecida.
- Foi debaixo da cama. O Tygue encontrou-a. - Uops! Houve algum problema?
- Com o Tygue parece que não.
Foi então que ele se apercebeu de que ela parecia preocupada. Sentou-se na cama e franziu o sobrolho.
- O Stu acabou de me ligar.
Nick franziu ainda mais o sobrolho. E ficou à espera.
- Programou-me uma viagem de duas semanas para promover o livro. Nova Iorque, Boston, Washington e Chicago. Oito dias são passados em Nova Iorque. Meu Deus, Nick, não sei o que fazer! Estou apavorada. - Parecia estar prestes a chorar e Nick perguntou a si mesmo se teria feito bem. Talvez não tivesse o direito de interferir.
- Não te preocupes muito com isso, querida. Havemos de falar do assunto. Onde é que vais ficar instalada?
- Não sei. Esqueci-me de perguntar. E é para partir já na segunda-feira. E... oli, Nick, o que é que eu faço? -Tive uma idéia. - Obrigou-se a soar animado enquanto fechava os olhos, sentindo que estava a empurrá-la de um precipício.
- O quê?
- Porque não vais outra vez ao programa do Jasper? -Não posso, bolas! Acabei de te explicar. O Stu quer que eu vá a Nova Iorque - respondeu ela nervosa e exasperada.
- E precisamente onde o Jasper vai fazer o programa nas próximas duas semanas. - Abriu os olhos e aguardou. Não ouviu nada. - Queres ir a Nova Iorque comigo, Kate? Sei que não vai ser fácil, mas vou estar ao teu lado. Prometo. Vou estar junto de ti.
- Pediste ao Stu para fazer isto? - perguntou ela com incredulidade.
- Eu... - Gaita! Já estragara tudo. Não valia a pena mentir-lhe. Tinha era de prometer não voltar a interferir. Sim. Desculpa, sei que não devia, mas... - Ela desatara a rir.
- Kate?
- Seu patife! Fizeste mesmo isso? E eu a pensar que era a sério. A pensar que o meu editor iria obrigar-me a promover o livro... se não, nunca mais publicaria nada meu. A pensar...
- E pensaste bem. Só que eles não te disseram nada até eu comentar com o Stu que achava que eras capaz de aceitar. Podes ir de avião a Boston e a Washington, indo de manhã e vindo à noite, e ficar comigo em Nova Iorque.
- E em relação a Chicago?
Kate continuava a rir-se, felizmente.
- Também querem que lá vás? - perguntou Nick num tom de estupefação.
- Sim senhor.
- São muito zelosos, não achas?
- Sabes uma coisa? És maluco, completamente maluco. Já sabias disto tudo quando cá estiveste ontem? - A casa dela era agora a casa de ambos.
- Sim, confesso.
- Há quanto tempo é que sabes?
- Desde segunda. O Jasper informou-nos de repente.
- Bestial.
- O que é que vais fazer agora? - Nick estava cheio de curiosidade. - Quero dizer, para além de me dares um murro no olho quando eu chegar logo a casa?
- Tens a certeza que queres que eu te diga pelo telefone? - retorquiu ela num tom misterioso, e Nick desatou também a rir.
- Esquece isso. Vais comigo?
- Será que tenho alternativa?
Nick hesitou, sem saber o que dizer, e decidiu arriscar. - Não, não tens. Eu preciso muito de ti. Pede à Tillie que fique com o Tygue e depois compramos-lhe todos os brinquedos que virmos.
- A propósito, ele aceitou o teu convite para o fim-de-semana, e quer levar o Joey.
- Ótimo. Até pode levar o King Kong. Quero é saber se vais comigo para Nova Iorque.
- Sim, raios, sim! Vou! Estás contente?
- Muito.
Sorriram os dois.
- Sempre tenho de promover o livro?
- Claro que sim - respondeu Nick, chocado. - E eu estava a falar a sério. Vou pôr-te no programa com o Jasper.
- Tem mesmo de ser? - perguntou ela deitada na cama e a sorrir para o telefone.
- Sim, tem.
- Nick?
- Sim, querida? - disse ele muito terno. - Será que podias vir para casa? - Quando, agora?
- Sim.
Nick tinha uma montanha de coisas para fazer, mil assuntos a tratar ... e uma mulher que adorava.
- Já estou a caminho. E estava mesmo.