Tempo para Amar

Danielle Steel · Capítulo 19 de 32

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Tempo para Amar

Capítulo 21 · Olha, mãe! É o Nick! - exclamou…

Olha, mãe! É o Nick! - exclamou Tygue. A sua alegria era idêntica à de Kate e correram ambos lá para fora com Bert atrás quando o Ferrari azul se deteve, Os dois adultos trocaram um olhar e depois a atenção de Nick virou-se para Tygue. Saiu do carro e pegou na criança ao colo com um grande à-vontade.

- Como estavam as cabras?

- Ótimas! E o Joey tem dois pôneis. Bom, um é para a irmã dele. Mas não é bem. Ela é parva e tem medo dele. Que miúda parva, o pônei é bestial!

- Deve ser. - Nick pousou Tygue no chão e enfiou uma mão dentro do carro. - Tygue, quando fores grande e visitares uma senhora, é sempre boa idéia levares-lhe flores e chocolates. - Tirou do carro um ramo de lilases e de tulipas e entregou a Tygue uma enorme caixa embrulhada em papel dourado. - A tua mãe fica com as flores, tu com os chocolates. - A criança ficou radiante e a mãe também,

- Tu mimas-nos de mais, Nicholas.

- Com muito gosto, Cinderela. - Pôs o braço nos ombros dela, deu a mão a Tygue e entraram em casa. Estava uma agradável noite de Verão e corria uma ligeira brisa que refrescava um pouco. Fazia demasiado calor para acenderem a lareira. Em vez disso, sentaram-se no chão, cantaram, comeram cachorros quentes e salada de batata até serem horas de Tygue se ir deitar. Ele já ia meio a dormir quando chegou à cama, nos braços de Nick, e a mãe aconchegou-lhe a roupa. Quando os dois saíram do quarto, ele dormia profundamente. Nick tomou-a nos braços assim que fecharam a porta.

- Okay, borracho, onde é que fica o teu quarto? - perguntou ele, pegando-lhe depois ao colo, para espanto dela. -Na porta ao lado - murmurou Kate a rir.

Pousou-a na cama. O quarto era alegre e cheio de flores. Licia oferecera-lhe uma colcha, cortinados e cadeiras forradas a condizer havia seis anos, mas continuavam bonitos como nessa altura.

- Parece um jardim - observou Nick, admirado e agradado. Havia flores e plantas por todo o lado, e muita verg branca. - Estavas à espera de quê? De cetim preto?

- Credo! Se assim fosse, tinha-te atirado logo ao chão:

- Ai sim? - perguntou ela com um sorriso, desapertando-lhe a camisa. - E o que é que andaste a fazer em Santa Barbara, meu menino?

- Fui às compras, dei um passeio e tive imensas saudades, tuas - respondeu ele, sentando-se na cama e tomando-a nos braços.

Kate nunca mais pensou no que ele lhe dissera que tinha feito em Santa Barbara. Até ao dia seguinte, quando recebeu um recado. Nick telefonara-lhe três vezes nessa manhã, depois de ter regressado a Los Angeles. Saíra às seis e meia, meia hora antes de ela acordar Tygue. Até ali tudo bem, o plano funcionara; porém, Kate perguntou a si mesma quanto tempo ele conseguiria agüentar. Era uma viagem de três horas para Los Angeles. Ele parecera animado ao telefone e nada dissera que a fizesse prever a chegada do recado pouco depois das três da tarde, a seguir a Tygue ter chegado das aulas. O recado dizia que havia um embrulho para Tygue Harper nos correios de Santa Barbara. Trazia o endereço de uma estação que Kate não conhecia e dizia que ele tinha de a levantar pessoalmente. Kate desconfiou novamente de Licia. O que seria agora? Talvez um carro. Ela prometera na brincadeira que ia esperar até ele ter seis anos. Kate sorriu e pôs o carro a trabalhar. Tygue insistira em ir de imediato aos correios e ninguém seria capaz de o aturar se não lhe fizessem a vontade.

Levaram meia hora a chegar à morada indicada; porém, quando lá chegaram, Kate percebeu que devia haver algum engano. Não estavam perante nenhum posto dos correios, mas sim uma casa, com um celeiro branco nas traseiras e algumas cavalariças. Kate estava prestes a ir-se embora quando viu um homem de chapéu à cowboy a acenar-lhe. Tygue acenou-lhe também e o homem avançou na direção deles. Kate suspirou. Queria despachar-se. Ainda tinham de ir aos correios antes de eles fecharem. Porém, o homem já estava junto ao carro e olhava-os com um grande sorriso.

- Tygue Harper?

- Sim! - gritou ele.

- Temos uma encomenda para ti - disse o homem, piscando o olho a Kate, que não estava a perceber nada.

- Isto são os correios? - perguntou Tygue, muito animado.

- Não, mas temos uma encomenda para ti.

Foi nessa altura que Kate percebeu tudo. Apeteceu-lhe gemer, mas não teve coragem. Fora Nick. Escondeu o rosto nas mãos e começou a rir quando Tygue saiu do carro, muito animado, e correu ao lado do homem. Kate imitou-o com mais calma e seguiu-os até uma das cavalariças, Viu o homem abrir o portão, sem largar a mão de Tygue e levá-lo até junto de um magnífico pônei castanho-escuro e castanho-claro. - Estás a vê-lo?

Tygue assentiu boquiaberto enquanto a mãe e o homem do chapéu o observavam.

- E esta a tua encomenda, Tygue. O pônei é teu.

- Oli... Oli!... Oli, mãe! - Correu para o pônei e lançou os braços ao pescoço dele. O animal tinha arreios vermelhos e uma sela nova. kate observou o rosto do filho, desejando que Nick pudesse também vê-lo. Então o homem do chapéu tirou do bolso duas cartas, uma para Tygue e outra para a mãe.

- Queres que eu ta leia, querido? - perguntou Kate, sabendo que ele estava demasiado excitado para sequer conseguir ler o seu próprio nome. Tygue fazia festas ao pônei, que parecia encantado com a atenção de que era alvo.

- O que é que diz?

- Diz... - Abriu a carta com cuidado e sorriu ao lê-la.

- Diz o seguinte: «Achei que o pônei ficava bem com o fato à cowboy que a tua mãe te comprou em Los Angeles. É todo teu. Põe-lhe um nome bonito e daqui a uns tempos hei-de ver-te num rodeo. Nick.»

- Uau! Posso ficar com ele? - implorou Tygue. Kate assentiu.

- Acho que sim. O Nick disse que ele era para ti, não disse?

Tygue assentiu com vigor, - Então podes ficar com ele. Que nome lhe vais dar? Kate sentiu um aperto no coração. O presente era demasiado valioso. Qual seria o seu significado?

- Vai chamar-se Brownie. - Daquela vez ele não teve de perguntar a Willie.

Ela abriu a carta que lhe era destinada. «Quinze minutos para comprar flores. Dez minutos para comprar chocolates. Cinco minutos a olhar para a lista telefônica à procura de cavalariças. Vinte minutos para chegar aqui. Sessenta e cinco minutos para escolher o pônei e tratar de tudo. Cinco minutos a sonhar contigo. Tudo junto, faz duas horas. Amo-te, querida. Até logo. Beijos, Nick.» Depois acrescentara um «P.S.» a dizer que tratara de tudo para que o pônei pudesse ali ficar, a menos que ela desejasse levá-lo para o rancho dos Adams; no entanto, podiam falar disso mais tarde - «e de outras coisas».

As «outras coisas» tiveram prioridade quando ele chegou a sua casa à meia-noite. Foram direitos ao quarto e Nick deitou-se cansado na cama, com um suspiro e um sorriso.

- Muito trabalho? - perguntou Kate com um sorriso, ainda a estranhar a novidade de ver um homem na sua cama.

- Nem por isso. Estive o dia todo ansioso por aqui chegar. O programa pareceu arrastar-se durante horas e tive a sensação de que nunca mais cá chegava.

- É uma viagem bastante grande, Mister Waterman.

- Acho que a senhora merece, Mistress Harper - retorquiu Nick sentando-se e estendendo os braços. Depois de ficar a olhar para ele durante uns segundos, Kate aproximou-se e sentou-se junto dele, - Estás a sentir-te tímida?

- Talvez um bocadinho.

Sorriram de novo e ele encostou suavemente os lábios aos dela. Kate perdeu a timidez quando ele enfiou a mão dentro da sua camisa e acariciou o seu selo até o mamilo ficar duro. Desejou-o ainda mais quando a boca dele pressionou mais a sua e a outra mão lhe acariciou o outro seio. Os anos de celibato foram esquecidos quando as mãos de Nick procuraram o toque sedoso da sua pele e deslizaram para baixo até ele encontrar o que procurava.

Passaram horas até se saciarem um do outro e ficarem deitados lado a lado nos lençóis amachucados. Nick acendeu um cigarro e Kate desenhou círculos no peito dele com um dedo. Então virou-se para ela e, pela primeira vez ao fim de muitas horas, lembrou-se de Tygue.

- E o pônei? O Tygue gostou dele?

- Estás a brincar? Quase morreu de felicidade. - Houve um momento de silêncio e Nick fitou-a com um sorriso. -E depois?... Noto que há aí mais qualquer coisa. Ficaste zangada comigo?

- Zangada? Como é que podia ter ficado zangada? Não... - Porém, Nick tinha razão. Havia mais qualquer coisa. Kate fitou-o e o seu sobrolho franziu-se. - Não sei como dizer isto, Nick, pois vai parecer ingratidão. Ele ficou maravilhado com o pônei, e é de fato um presente incrível para uma criança. Parece um sonho tornado realidade. Tu és um sonho tornado realidade. Talvez seja isso que me incomoda.

O que eu quero dizer... é que não quero que tudo isto seja um sonho. Não quero que tu sejas um sonho. Quero que isto tudo seja real. E talvez... talvez se...

- Talvez se eu desaparecer, como é que vocês os dois irão sentir-se? É isso, Kate?

Nick parecia perceber o que ela sentia, e Kate ficou aliviada por ele não se ter zangado.

- Acho que sim, Nick. O que aconteceria se de repente desaparecesses? Agora há pôneis e presentes e promessas de uma viagem à Disneylândia, mas depois... - Não acabou a frase; parecia de fato preocupada. E aqueles mimos todos que Tygue recebia também a incomodavam. Assemelhavam-se à enorme generosidade de Tom... perto do fim.

- Eu vou estar por aqui, Kate. Durante muito, muito tempo. Enquanto me quiseres. Não vou a lado nenhum. Fora também o que Tom havia dito. Mas a vida não era assim, Kate sabia-o bem.

- Não sabes. É uma coisa que não podes controlar. Podes querer estar aqui, mas não sabes o que o destino te reserva,

- Querida... - Nick debruçou-se sobre Kate e tomou o rosto dela nas suas mãos. - Aquilo de que mais gosto em ti é do teu otimismo.

Ela esboçou um sorriso envergonhado e encolheu os ombros.

- Acho que vou levar algum tempo a habituar-me a todas as coisas boas que estão a acontecer comigo.

- E o mesmo pode acontecer com o Tygue. Não te iludas, pois até aqueles que oferecem pôneis e prometem viagens à Disneylândia podem ser encarados com desconfiança.

- Acho que te saíste lindamente. Eu estava à espera que ele tivesse ciúmes de ti, mas não. - Isso ainda a surpreendia.

- Provavelmente vai ter quando perceber que eu vim para ficar. - Estava sempre a dizer aquilo: «para ficar». Como é que podia saber? Como podia ter tanta certeza? E se as coisas não corressem bem? De certa forma, Kate ficava apavorada ao vê-lo tão seguro de si.

- Vá lá, Kate, estás com um ar cansado. Já chega de preocupações. Amo-te e acho o Tygue bestial e não vou fugir de vocês. E se quiseres, não o mimo mais. Acabaram-se os pôneis - disse ele com um sorriso, puxando um caracol de Kate. - Pelo menos por esta semana.

- Já pareces a Licia.

- Bolas, espero não ser parecido com ela.

- Nem por sombras, meu amor. - E com um sorriso de felicidade, Kate esqueceu o filho e estendeu de novo os braços para o seu amante. Eram quase quatro da manhã quando deixaram de fazer amor e Kate acendeu um cigarro com um suspiro de felicidade. Olhou para o despertador e fez uma careta.

- Amanhã vais estar de rastos.

- E tu? Podes voltar para a cama depois de o Tygue ter ido para a escola? - perguntou Nick, preocupado. Ela também tinha muito que fazer. Ele podia sempre dormir quando chegasse a Los Angeles; salvo raras exceções, só tinha de estar nos estúdios às três. A maior parte das coisas já estava feita, pelo que ele poucas vezes precisava de sair de casa antes das duas, a não ser que tivesse algum almoço combinado.

Kate suspirou em resposta à sua pergunta. - Não. Amanhã vou a Carmel.

- Dar aulas?

Ela assentiu. Detestou ter de lhe mentir.

- Um dia destes posso ir contigo? Gostava de ver o que fazes.

Ela desviou o olhar e apagou o cigarro antes de responder, Nick não conseguia ver-lhe a cara e, quando viu, não percebeu bem a expressão de Kate. Pareceu-lhe ser de distanciamento. Isso admirou-o. E viu algo oculto no seu olhar, o que o perturbou ainda mais.

- Eles não me autorizam a levar ninguém. É um lugar um pouco complicado.

- Gostas de lá ir? - perguntou ele, procurando algo nela, embora não soubesse bem o quê.

Ela fechou os olhos.

- Dentro do gênero, não é mau de todo. - Deus do Céu, queria tanto mudar de assunto, mas tinha de soar convincente. Devia falar como se falasse de um emprego. Não podia contar-lhe nada a respeito de Tom. Ainda não. Nem sequer a Nick.

- Não podias arranjar uma coisa mais perto de casa? Ela abanou a cabeça. Nick não quis fazer-lhe mais perguntas e, para além do mais, estavam ambos muito cansados. Fez-lhe uma festa na perna e ela fitou-o, admirada. Sentiu-se satisfeita por ele não insistir em querer saber o que ela fazia em Carmel. A mão no interior da sua coxa subiu mais um pouco.

- Outra vez?

- Estás a queixar-te? - perguntou ele com um sorriso. Entre os seus corpos acontecia algo que nunca lhe tinha acontecido com mais ninguém. Era uma espécie de êxtase que nenhum deles havia conhecido antes. E quando o despertador tocou às seis da manhã, nenhum se arrependeu da noite sem dormir.