Tempo para Amar

Danielle Steel · Capítulo 32 de 32

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Tempo para Amar

Capítulo 37 · - Kate? - Ela sentiu-o a abaná-la…

- Kate? - Ela sentiu-o a abaná-la devagar e, quando abriu os olhos, viu que lá fora ainda era de noite. O quarto estava quase às escuras. Havia apenas uma lâmpada acesa. Olá, querida. - Nick passou-lhe a mão pelas costas e ela tornou a fechar os olhos. A sensação era tão agradável! Mas continuava zangada com ele. Lembrou-se disso quando começou a despertar.

- O que é que queres?

- Falar contigo.

- Acerca do quê? - Recusava-se a abrir os olhos, mas ouviu o lume na lareira.

- Abre os olhos.

- Vai-te embora. - No entanto, começava a sorrir, e Nick notou isso. Inclinou-se e deu-lhe um beijo na cara. - Pára com isso.

- Quero perguntar-te uma coisa. Ela abriu um olho.

- Outra vez, não - disse, franzindo o sobrolho.

- Não, é outra coisa.

- O quê?

- O que é que aconteceu hoje no Saks? - perguntou ele com um sorriso, embora os seus olhos revelassem preocupação. Não pensara noutra coisa enquanto gravava o programa. Fora a correr para casa para ver se ela já chegara. Quase chorara de alívio ao vê-la na cama. Não lhe importava que ela estivesse zangada; pelo menos encontrava-se em casa, não algures, morta, doente, ou histérica. Ela ainda não lhe respondera. - Então, diz lá.

- Há alguma coisa a meu respeito que não saibas? - perguntou ela sentando-se e olhando para ele, espantada. - Mandaste alguém seguir-me?

Ele abanou a cabeça com um sorriso triste.

- Não, eles é que ligaram para cá. Queriam saber se chegaste bem a casa. Então, o que aconteceu?

- Nada.

- Não foi isso que eu ouvi.

- Está bem, desmaiei. Comi de mais ao almoço. Também não fora isso que Felicia lhe contara, mas ele não quis dizer-lho.

- Tens a certeza? - perguntou, envolvendo o rosto dela com as mãos.

Kate descontraiu-se e os seus olhos encheram-se de lágrimas.

- O que achas que foi, Nick?

- Acho que talvez... espero... - Olhou-a com tanta ternura que as lágrimas dela começaram a rolar ainda com mais intensidade. Nick sorriu. - É possível, Cinderela, que estejas grávida?

Ela libertou-se das mãos dele.

- Porque haveria eu de estar grávida? - Mas, tal como Felicia, parecia estar a lembrar-se de algo, a comparar acontecimentos. De súbito, esboçou um sorriso tímido. - Talvez. Não tinha pensado nisso,

- Talvez ou de certeza? - perguntou ele, esperançado. - Quase de certeza. Meu Deus, não sei porque é que não me lembrei disso. - Chegara a pensar que estava com alguma doença rara. Sorriu e Nick beijou-a, primeiro devagar, depois com mais força, acariciando-lhe os seios com cuidado. - Devo estar grávida de sete semanas. Foi na noite em que o Tygue... não foi?

- Não sei. É demasiado cedo para sabermos se estás grávida?

- Não. Está na altura certa.

- Queres tentar outra vez? Ela soltou uma gargalhada.

- Tentar outra vez, hem?

- Claro, porque não?

Mas não precisavam. Ela estava grávida. O teste deu positivo no dia seguinte.

- Tens a certeza? - Ele estava radiante quando Kate desligou o telefone depois de saber o resultado do teste.

A voz da enfermeira não demonstrara a mínima emoção.

- Harper? Oli. Aqui está. Positivo.

- Estás grávida?

- Sim, estou, e sim, tenho a certeza. Foi isso que a mulher disse. - Pôs os braços à volta do pescoço de Nick e ele sorriu-lhe.

- Oli, Kate, amo-te!

- Eu também te amo - retorquiu ela, baixinho. E desculpa aquilo de Nova Iorque. - Não lho dissera na véspera, e queria ter-lho dito.

- Não faz mal. Não aconteceu nada. Mas se lá voltares, vais com um guarda armado. - Fitou-a, muito sério. - Não quero que faças viagens grávida. Percebido?

- Sim, senhor.

- E o teu livro novo? Estás disposta a esperar até viajares? A tua carreira não será prejudicada se esperares alguns meses.

- Só sai daqui a um ano. Foi na altura certa. - Sorriu-lhe, despenteando-o. Nick estava a levar aquilo demasiado a sério. Kate não se sentia tão nervosa com aquela gravidez como se sentira quando estivera grávida de Tygue. Isso já fora há muito tempo. De certa forma, sentia-se rejuvenescida. E seria agradável ter Nick por perto. Abraçou-o com força, e sorriram ambos devido aos seus pensamentos.

- Promete-me que não abusas enquanto estiveres grávida - pediu ele fitando-a.

- Não abuso de quê? perguntou ela tentando não o levar a sério.

- Kate... por favor... Nick queria aquele filho mais do que tudo.

Ela entendeu.

- Descontrai-te, querido. Prometo. - Sentiu-o descontrair. O telefone tocou ao lado deles. Kate olhou para Nick.

- Talvez tenham mudado de idéias.

- Diz-lhes que é tarde de mais.

Ela sorriu e atendeu o telefone, mas o seu rosto ficou subitamente sério.

- Olá, Stu. - Sentiu Nick ficar tenso. - Que surpresa. Quando?... Não sei. - Olhou para Nick e sorriu, mas ele já estava em pânico. Começara a andar de um lado para o outro com uma expressão de desespero. Ia começar tudo outra vez. Weinberg e as suas malditas viagens.

- Prometeste!

- Tem calma! - exclamou ela com a mão sobre o bocal, tentando continuar a conversa com Weinberg.- Vou ver.

Nick não agüentou mais. Arrancou o telefone das mãos de Kate e tapou o bocal.

- Diz-lhe que a pessoa que ele quer explorar está grávida, e que ele pode meter a maldita viagem ou seja lá o que for, num sítio que eu cá sei! - exclamou, desesperado.

Kate sorria ao pegar no telefone.

- Desculpe, Stu. - Sorriu para Nick. - Ele não vai jogar consigo no torneio. Acha que está a explorá-lo. Está grávido e muito temperamental. - Nick revirou os olhos, com uma expressão aliviada e sentou-se com um sorriso. - Não, ele disse que podia meter isso num certo sítio. Foi isso que ele disse... Está bem. Eu transmito-lhe. - Desligou e olhou para Nick. - Preocupa-se demasiado, Mister Waterman.

- És uma miúda mimada, Cinderela. Já te tinham dito isso nos últimos tempos?

- Não desde esta manhã. A propósito, quando vou receber o outro sapato de cristal? - perguntou, sentando-se no colo dele.

- Quando me prometeres que não vais fazer viagens e que não vais cansar-te enquanto estiveres grávida. Se me prometeres isso, podes ter tudo.

- Não te esqueças do que estás a dizer. - Não respondeste à minha pergunta.

- Era uma pergunta? Pareceu-me mais uma ordem disse, franzindo o sobrolho e fazendo-lhe uma festa na orelha.

- Estou a falar a sério, Kate. Isto é muito importante para mim.

- Para mim também. Não é preciso obrigares-me a ter calma. Confia em mim.

- Não quando o assunto é o teu trabalho... e o nosso filho. - Olhou para ela, preocupado. - Vai ser muito difícil para ti conciliar as duas coisas, Kate?

Ela hesitou.

- Não - disse por fim. Esperava que não, mas, se fosse, tentariam resolver as coisas.

- Tinhas pensado em... Ela interrompeu-o.

- Não, não faria uma coisa dessas. - Puxou-o, para si.

- Quero o teu filho, Nick. Acho que sempre o quis. O Tygue é especial, e foi sempre só meu. Nunca o partilhei, nunca partilhei a gravidez, o parto, todos aqueles momentos especiais que surgem mais tarde... Nunca tive ninguém com quem partilhar. Conosco, com este bebê, tudo será diferente.

- Incluindo o fato de não seres casada. - Nick pareceu um pouco atrapalhado ao dizê-lo e fitou-a. -Achas que vai ser muito difícil para ti e para o Tygue?

- Claro que não. O Tygue é demasiado novo para se importar, e achas mesmo que eu me preocupo com o que as pessoas pensam? Para além disso, um dia haveremos de casar.

- Olhou para a linha branca na sua mão esquerda, onde estivera a aliança. - Entretanto, não importa. A menos... que tu te importes. Por causa do programa, quero eu dizer. Vais arranjar problemas? - Também tinha de pensar nisso. Não era apenas a sua reputação que estava em jogo.

Ele sorriu.

- No mundo de loucos onde trabalho? Estás a brincar? Achariam estranho era se fôssemos casados e tu estivesses grávida. Mas sabes, ontem à noite lembrei-me de uma coisa. Pareceu um pouco atrapalhado, porém decidiu contar-lhe. Se te incomoda, ou se incomodar o Tygue, podemos dizer às pessoas que somos casados. Quem é que sabe que não somos? Podemos dizer que fomos casar a um sítio qualquer. E depois... mais tarde, fazemos isso. Ninguém tem de saber se somos ou não casados.

Ela abanou a cabeça com uma expressão determinada. - Não. Nem pensar nisso, Mister Waterman.

- Porque não?

- Porque quando nos casarmos, não quero fazê-lo às escondidas. Quero uma cerimônia cheia de pompa e circunstância, barulhenta e elegante. E o mundo inteiro irá saber.

O que te parece?

- Sabes uma coisa, Cinderela?

- O quê?

- Por causa do que acabaste de dizer, mereces o outro sapato de cristal.

Kate sorriu e beijou-o com ternura.

- Fazes idéia do quanto te amo, Nicholas Waterman?

- Queres ir lá acima mostrar-me?

- Quando quiseres, quando quiseres.

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