Tempo para Amar

Danielle Steel · Capítulo 4 de 32

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Tempo para Amar

Capítulo 4 · As contrações eram cada vez mais freqüentes,…

As contrações eram cada vez mais freqüentes, e Kate mal conseguia respirar entre elas. Felicia encontrava-se sentada numa cadeira ao lado da cama no pequeno quarto da maternidade. Segurava a mão da amiga. O sol acabava de surgir atrás das montanhas e tinha um halo dourado.

- Queres mais gelo? - A voz de Felicia era estridente no quarto silencioso; Kate abanou a cabeça. Não era capaz de falar. Limitava-se a respirar fundo, como aprendera nas aulas para grávidas havia dois meses. - Não estás farta de fazer isso?

Kate tornou a abanar a cabeça, fechou os olhos e, durante dez segundos, deixou de ofegar. Mal teve tempo de respirar normalmente antes de sentir outra contração. Tinha o cabelo úmido colado à cara e, pela centésima vez, Felicia levantou-se e limpou a testa da amiga com um pano úmido. A expressão de felicidade desaparecera do rosto de Kate. A sua expressão era agora de dor.

- Agüenta, querida, já não deve tardar muito.

Kate pareceu não ter ouvido. Ofegava de novo; de súbito parou e o gemido que soltou transformou-se num pequeno grito. Felicia levantou-se de um pulo, surpreendida, e Kate começou a contorcer-se e a abanar a cabeça de um lado para o outro.

- Licia... não... não agüento... mais... - Porém, até o tempo que Kate levara a dizer aquelas palavras fora demasiado longo. As dores eram de novo lancinantes e ela soltou outro gemido, rapidamente seguido de um grito.

- Kate... então, querida, vá lá... - Deus do Céu! Não estava preparada para aquilo. Era pior do que o que já vira no cinema. Agitada, tocou a chamar a enfermeira, e Kate começou a chorar.

Menos de um minuto depois, a enfermeira abriu a porta e espreitou para o quarto.

- Que tal vai isso, meninas? Felicia lançou-lhe um olhar furioso.

O que é que lhe parece? - Tinha vontade de matar a mulher. Por que raio não podia a enfermeira fazer alguma coisa para ajudar Kate? A rapariga estava cheia de dores. As vezes as pessoas morriam daquela maneira, não morriam?

- A mim parece-me tudo bem. - Os olhos da enfermeira pareceram lançar faíscas na direção de Felicia. Aproximou-se rapidamente da cama de Kate e pegou na mão dela.

- Já está quase, Kate. Esta é a parte mais difícil. Está numa fase de transição. Depois disto é tudo mais fácil e pode começar a fazer força.

Kate tornou a abanar a cabeça, num movimento frenético, e as suas lágrimas misturaram-se ao suor que lhe escorria do cabelo.

- Não consigo... não consigo... - Pareceu que ia vomitar, mas não saiu nada.

- Consegue sim senhora. Vamos lá, eu respiro consigo.

A enfermeira começou a ofegar rapidamente, segurando a mão de Kate com firmeza.

- Vamos lá agora, Kate... agora.

- Viu de novo o esgar de dor no rosto da rapariga. - Agora... vá lá... - Aquele ofegar estava a dar com Felicia em doida, mas Kate parecia mais calma. Afinal, talvez fosse conseguir. Era um pensamento horrível. Porque é que as mulheres tinham de passar por aquilo? Os seus pensamentos foram interrompidos por outro gemido seguido de um grito, e a enfermeira continuou a tentar tranqüilizar Kate. Felicia perguntou a si mesma como é que a amiga conseguia agüentar; parecera sempre tão frágil. Nenhuma criança merecia aquilo. Nenhum homem. Ninguém. Felicia sentiu lágrimas nos olhos e virou-se para o Sol que despontava. Não suportava ver a amiga a sofrer. Ela já passara por um mau bocado, não era preciso mais aquele. Quando Felicia voltou as costas à janela, viu que a enfermeira estava a olhar para si, mas com uma expressão mais meiga.

- Porque não vai buscar um café? A cafeteria já deve estar aberta.

- Não, eu estou bem...

- Vá lá. Aqui está tudo a correr bem. - E tinha razão. Kate parecia ter melhor aspecto. No seu olhar ainda existia aquela expressão de dor, mas voltara a lutar. E provavelmente estava demasiado ocupada para se aperceber de que Felicia saíra do quarto por alguns minutos. Começara o trabalho de parto.

- Okay. Mas volto já.

- Cá estaremos.

A enfermeira sorriu alegremente e continuou a respirar com Kate enquanto cronometrava as contrações. Pela primeira vez, Felicia sentiu-se posta de parte. Perguntou a si mesma se os pais se sentiriam assim quando viam as mulheres a contorcer-se de dores, lutando para alcançar um objetivo que eles conseguiam ver mas nunca sentir. Felicia sabia que nunca sentiria aquela dor. Nunca amaria ninguém o suficiente para isso. Como Kate amara Tom. Pensar nisso fê-la de novo sofrer. Avançou muito determinada para a cafeteria. Nem sequer lhe apetecia beber nada. A única coisa que realmente desejava era saber que aquilo chegara ao fim, e poder ir para casa tomar banho e dormir. A longa viagem da véspera e a noite passada em claro começavam a fazer sentir os seus efeitos.

- Como está Mistress Harper? - perguntou uma enfermeira gorda atrás do balcão, olhando para Felicia. A cidade era muito pequena. Felicia perguntou a si mesma se a mulher se recordaria do nome de toda a gente.

- Não sei. Acho que não está nada bem. -Já teve filhos?

Felicia abanou a cabeça. Era engraçado estar a responder às perguntas de uma desconhecida.

A mulher assentiu.

- Daqui a uns dias ela já se esqueceu de tudo. Poderá falar sobre o assunto durante algum tempo, mas há-de acabar por esquecer. A senhora há-de lembrar-se disto durante mais tempo do que ela.

- Talvez. - Sem razão aparente, deteve-se por um momento junto ao balcão, como se esperasse que a enfermeira dissesse mais alguma coisa. Era reconfortante falar com alguém.

- Talvez sim. Talvez não. É difícil dizer. É o primeiro bebê dela, não é?

Felicia assentiu. Isso significava mais dores, não era?

O primeiro. E talvez o último. Pobre Kate...

- Não fique tão triste. Há-de correr tudo bem com a sua amiga. Vai ver. Assim que o bebê nascer, ela há-de rir e chorar e de telefonar aos pais e a toda a gente que conhece. o rosto da mulher ficou momentaneamente sério. Olhou para Felicia. Ela é viúva, não é?

- Sim.

- É pena. Ainda por cima numa altura destas. De que é que ele morreu?

- Foi... um acidente.

O rosto de Felicia ficou inexpressivo. Já falara de mais.

- Lamento. - A enfermeira adivinhou o que ela estava a pensar. Felicia dirigiu-lhe um sorriso mecânico e afastou-se.

O café iria fazer-lhe bem.

Esteve apenas cinco minutos na cafeteria. Teria ali ficado mais tempo, se pudesse, mas não queria deixar Kate sozinha. Bebeu o café quente o mais depressa que a sua boca conseguiu agüentar, e pensou em pedir uma torrada. Mas isso parecia excessivo. Kate estava a sofrer e ela ia comer uma torrada? Só de pensar nisso ficou doente. E então, de súbito, enquanto esperava pela conta, deu consigo a pensar em Tom. Perguntou a si mesma se Kate também estaria a pensar nele, ou se apenas na dor. Tom. Ele devia ali estar com ela. Era incrível perceber que ele nunca veria o filho. Que nunca perceberia o que tinha feito. A rapariga atrás do balcão meteu o papel com a conta debaixo da xícara de Felicia, esta olhou-o com ar ausente e deixou cinqüenta cêntimos no balcão. Tinha de regressar para junto de Kate. Não dispunha de tempo para pensar naquelas coisas.

Os sapatos pretos que calçara na véspera murmuravam baixinho no corredor, e Felicia reparou que tinha a roupa toda amarrotada. O calça-casaco preto que fora buscar ao terceiro andar no início da semana parecia ter feito as vezes de pijama, e a pesada pulseira de prata provocara-lhe um vergão vermelho no braço. Perguntou a si mesma quanto mais tempo demoraria a espera e quanto mais conseguiria Kate agüentar. A arruga encontrava-se em trabalho de parto desde a meia-noite e naquele momento passavam apenas alguns minutos das sete da manhã. Porém, quando Felicia abriu a porta do quarto, reparou que as coisas se tinham alterado. O rosto de Kate estava molhado da transpiração, e não apenas úmido - parecia ter estado debaixo do chuveiro. A bata azul da maternidade colava-se-lhe ao corpo, e a sua mão apertava com força a da enfermeira. No entanto, os olhos estavam mais brilhantes, o rosto mais expressivo, e o ritmo dos seus movimentos alterara-se; parecia que passara de um trote muito doloroso para um galope saudável. Era difícil saber se a dor já tinha abrandado, e a enfermeira não dispunha de tempo para falar com Felicia. Dizia a Kate para respirar fundo e dava-lhe ordens com uma precisão militar. Kate parecia muito concentrada nas suas ordens. E então Felicia reparou que a mão livre da enfermeira se dirigia à campainha e que carregava nela três vezes.

Ficou ali de pé, sentindo-se uma inútil, sem saber se as coisas estavam a correr mal ou bem, e temendo desconcentrar Kate se começasse a fazer perguntas. Porém, alguma coisa mudara. Tudo mudara. Havia no rosto de Kate uma luz que Felicia nunca tinha visto no rosto de ninguém. Fê-la desejar meter também mãos à obra, colaborar, correr ao lado dela e sentir-se a cortar a fita da meta ao lado dela. Kate estava agora a vencer. Isso era quase palpável no quarto. Até chegou a sorrir brevemente entre duas contrações. O sorriso desapareceu, mas a sua aura não.

A enfermeira voltou a carregar no botão da campainha e desta vez a porta abriu-se repentinamente e duas enfermeiras, envergando o que pareciam ser pijamas azuis, apareceram com uma maca.

- O médico está à nossa espera na dois. Que tal está ela? Pareciam descontraídas e nada preocupadas, e a sua atitude tranqüilizou Felicia, embora Kate parecesse não ter dado por elas. A enfermeira ao lado da cama esperou por um intervalo das contrações para olhar para as duas colegas de azul e dirigiu-lhes um sorriso.

- Estamos prontas. Muito prontas. Não é, Kate?

Kate assentiu e, pela primeira vez desde há algum tempo, os seus olhos procuraram Felicia. Encontrou-a e quis falar. Porém, teve de esperar que outra contração passasse antes de o conseguir fazer e as duas enfermeiras aproveitaram esse intervalo para a transferir para a maca. Kate queria Felicia, e esta aproximou-se rapidamente da maca.

- Vem comigo... por favor, Licia...

- Agora?

- Preciso de ti... - Custava-lhe muito falar. Parecia incapaz de respirar entre as contrações. O suor escorria-lhe da cara para o pescoço, mas não desistiu. - Por favor... quando o bebê nascer... tu também.

Felicia percebeu. Mas, caramba, porquê ela? As enfermeiras iam acompanhá-la e sabiam o que estavam a fazer. Podiam ajudá-la mais do que ela. No entanto, não era possível dizer que não a Kate.

- Claro, querida. Continua o que estás a fazer que eu estarei ao teu lado a pegar-te na mão. -Caminhava já ao lado da maca pelo corredor. A enfermeira que as acompanhava franziu o sobrolho na direção de Felicia.

- Tenciona ir para a sala de partos?

Ela hesitou apenas uma fração de segundo e respondeu num tom firme.

- Sim.

Deus do Céu! Tinha o estômago às voltas, mas não podia decepcionar Kate.

- Então terá de se lavar e de mudar de roupa.

- Onde?

- Ali - respondeu a enfermeira, indicando uma porta.

- A enfermeira de serviço irá ajudá-la. Vá ter conosco à sala de partos número dois,

- Dois?

A enfermeira assentiu com uma expressão ausente no momento em que Kate arqueava as costas devido a uma contração. Já se esquecera de Felicia.

- Agüente, Kate, estamos quase lá. Ainda não. Ainda não. Só quando a deitarmos na marquesa.

Depois de se terem afastado, Felicia entrou na porta que lhe tinham indicado para se lavar e mudar de roupa.

Saiu para o corredor menos de três minutos depois, envergando um pijama azul esterilizado e sapatos com sola de borracha, e correu pelo corredor até à sala de partos número dois. Carregou num botão e a porta abriu-se automaticamente. Teve cuidado para não tocar com as mãos e os braços em nenhuma superfície, tal como lhe tinham indicado. Na sala de partos poderia pegar na mão de Kate, porém não podia tocar em nada antes disso, ou teria de ir desinfectar-se de novo, e não desejava fazer Kate esperar tanto. Pareciam já ter passado horas. Viu a sua imagem refletida num espelho estreito e quase sorriu. Assemelhava-se a uma personagem de uma série televisiva sobre hospitais, o cabelo firmemente amarrado e uma touca azul parecida com as toucas de banho. Até tinha uma pequena máscara. Caramba, e se alguém a confundisse com uma enfermeira? Era uma idéia assustadora. Entrou na sala de partos e percebeu que só poderiam confundi-Ia com um turista. Os profissionais estavam a preparar-se, e Kate já fora tapada com um lençol branco. As suas pernas estavam para cima. Felicia achou aquilo primitivo e cruel, mas Kate parecia não reparar. Tentava levantar a cabeça, como se houvesse alguma coisa para ver. Felicia sentiu um arrepio, ao pensar que talvez houvesse mesmo. Aquilo já não era apenas uma provação. Era um acontecimento, um parto. Dali a alguns minutos iria nascer um bebê, e o horror chegaria ao fim. No entanto, Felicia teve de admitir que aquilo não estava a ser um horror para a amiga. Pela primeira vez após muito tempo, Kate virou a cabeça na sua direção e os seus olhos pareciam sorrir.

- Olá, querida - disse Felicia, tentando parecer descontraída.

- Ficas ridícula nessa roupa, Licia.

Conseguia falar de novo, e Felicia sentiu-se tão aliviada que teve vontade de a abraçar, embora não pudesse. Em vez disso, quis pegar-lhe na mão, mas reparou que as mãos de Kate seguravam uma das faixas que a prendiam, para poder assim fazer força. O obstetra encontrava-se aos pés da maca, com bata e máscara, e os seus olhos tinham uma expressão bondosa atrás dos óculos com armação de osso.

- Muito bem, Kate, faça agora força... agüente... pronto... é isso... mais um pouco... vá lá, menina, mais força... pronto... está bem. Descanse agora um bocadinho.

O rosto de Kate parecera transfigurado pela dor, e a palidez deu lugar a um grande rubor devido ao esforço. Ficou ofegante e pousou a cabeça na almofada, olhando para a amiga.

- Oh, Licia, não sou capaz... ajuda-me.

Felicia parecia assustada e impotente. Uma enfermeira aproximou-se rapidamente.

- Se lhe segurasse nos ombros enquanto ela faz força se,ria bom.

- Eu? - Foi a única palavra de que conseguiu lembrar-se; Kate parecia de novo uma criança assustada... A alegria e a expectatiVa tinham desaparecido. Estava exausta. Teve outra contração e todos os presentes ficaram tensos quando o médico fez qualquer coisa entre as suas pernas.

- Licia...

Sem pensar, Felicia segurou os ombros de Kate e amparou-a quando ela fez força. Nunca se esforçara tanto na vida.

- Não consigo... não quer...

- Mais força, Kate! Vamos lá, agora! - exclamou o médico num tom urgente e determinado. As enfermeiras pareciam andar de um lado para o outro e Kate começou de novo a chorar.

- Não consigo... não...

Felicia sentiu o suor começar a escorrer pelo seu rosto enquanto continuava a segurar os ombros de Kate. Até esse esforço parecia ser demasiado, embora soubesse que nada era quando comparado com aquilo que Kate devia estar a sentir. Por que diabo não lhe davam qualquer coisa para apressar as coisas, ou usavam os ferros, ou qualquer coisa, raios?!

- Faça mais força! - insistiu o médico, implacável, e Felicia detestou-o quando viu o rosto de Kate contorcer-se devido ao que julgou ser uma contração. Era mais esforço do que dor, mas Felicia não podia saber. De súbito, as enfermeiras começaram de novo â andar à volta delas.

-Vá lá, Kate. Tu és capaz. Faz força só mais uma vez. Isso... vamos lá. - Felicia apercebeu-se subitamente de que a tensão na sala aumentara. Quando olhou para o médico, viu uma expressão diferente no seu olhar; uma das enfermeiras verificava um aparelho a que tinham ligado Kate. Então Felicia ouviu o som na outra extremidade da mesa. Rezou para que Kate estivesse demasiado concentrada para não o ouvir. -As batidas cardíacas do feto, senhor doutor.

- Estão a abrandar?

- São irregulares.

Ele assentiu, e Kate teve outra contração.

- Muito bem, Kate, está na hora. Quero que faça força. Agora! - Desta vez, Kate reagiu imediatamente à ordem e os seus ombros empurraram as mãos de Felicia. Depois, baixou a cabeça, soltando um soluço.

- Oli, Licia... Tom... Tom! Oli, Tom... por favor... -Kate. Por favor, querida. Por favor. Por nós. Pelo Tom. Só mais um bocadinho. - As lágrimas corriam já pelo rosto de Felicia, molhando-lhe a máscara. Elas cegavam-na; enquanto segurava os débeis ombros, rezou para que aquela provação chegasse rapidamente ao fim. Tinha de chegar. Kate não poderia agüentar muito mais tempo. Felicia sabia-o. Porém, talvez por Tom... - Por favor, querida, sei que és capaz. Faz toda a força que puderes.

Seguiu-se uma série de sons, o barulho dos instrumentos cirúrgicos, um gemido do médico, um gritinho da enfermeira, um estranho silêncio vindo de Kate e um longo e débil choro.

- É um rapaz! - exclamou o médico dando uma palmada no rabo do bebê.

Kate tinha lágrimas nos olhos e sorriu para a amiga.

- Conseguimos.

- Tu é que conseguiste, campeã! - Felicia também chorava. - Oli, e ele é lindo!

Era pequeno e roliço e tinha o rosto muito vermelho enquanto chorava; depois, enfiou o minúsculo polegar na boca e calou-se. Kate soltou uma gargalhada ao olhar para o filho. Felicia achou que nunca vira nada tão belo como a amiga naquele momento. Ela própria não era capaz de deixar de chorar, ao passo que Kate apenas sorria, calada e orgulhosa. As enfermeiras embrulharam o bebê e estenderam-no à mãe.

O cordão umbilical fora cortado. Ele estava livre. E era dela.

Kate ficou ali deitada com o filho nos braços, ainda de lágrimas nos olhos, e olhou de novo para Felicia. Esta percebeu. Também já reparara. Embora fosse muito pequeno, o bebê era igualzinho a Tom.

- Que nome lhe vai dar? - A enfermeira que acompanhara Kate durante mais tempo aproximou-se e fitou o rostinho rosado nos braços da mãe. Era um bebê grande, com cerca de quatro quilos.

- Tygue.

O médico sorriu e Kate soltou uma gargalhada. Parecia de novo uma rapariguinha. Levantou a cabeça e olhou em volta.

- Olhem todos, já sou mãe!

As enfermeiras e o médico riram com ela, e Felicia acompanhou-os, embora ainda tivesse lágrimas nos olhos.