Tempo para Amar

Danielle Steel · Capítulo 17 de 32

Páginas do PDF

Tempo para Amar

Capítulo 19 · Ela encontrou facilmente a casa graças ao…

Ela encontrou facilmente a casa graças ao croquis que Nick lhe dera. Não quisera que ele a fosse buscar, tendo preferido conduzir até lá. A viagem durou apenas meia hora, mas deu-lhe tempo para pensar. Não sabia bem por que motivo ali ia, a não ser porque gostava de Nick. E ele era uma pessoa com quem era fácil falar. Na véspera, ficara lá em casa quase até às onze e meia da noite, altura em que ela começara a adormecer no sofá. Estava exausta e ele dera-lhe um beijo casto na face e partira. Fora uma noite bastante agradável. Tinham acendido a lareira, Nick fizera pipocas para Tygue e a criança mostrara-lhe o novo fato à cowboy. Nick ficou espantado.

- Onde é que o encontrou?

- No hotel. - Outras pessoas compravam jade e casacos com plumas, mas ela comprara ao filho a roupa com que todas as crianças sonham.

- Quem me dera ter sido seu filho.

- Ainda bem que não foi. Eu sou um monstro. Pergunte ao Tygue.

- No entanto, Tygue limitou-se a rir e a enfiar outra mão cheia de pipocas amanteigadas na boca. -Deve ser um grande monstro.

Nessa altura tivera vontade de a beijar. Porém, não podia fazê-lo em frente da criança, nem o desejava. Queria muito daquela mulher. O seu amor, o seu corpo e mais ainda. Queria o seu tempo, a sua vida, os seus filhos, a sua sabedoria, a sua ternura, a sua compaixão. Via tudo o que ela possuía. E Kate via também muita coisa. Percebera que gostava dela o suficiente para a ter vindo procurar com o sapato de cristal. Que fora bondoso para Tygue, que se apercebera daquilo que os seus olhos revelavam, de ouvir aquilo que ela não dizia. Tinha de ter cuidado com isso, pensou Kate ao parar no endereço que ele lhe dera de Santa Barbara. Nick Waterman via demasiado.

Era uma casa branca, com cercaduras pretas nas janelas e na porta. Sobre a porta encontrava-se uma lanterna e o batente era uma enorme gaivota. Kate pegou-lhe nas asas, bateu e depois recuou. A casa ficava numa pequena colina sobranceira ao mar, e ali perto viam-se três salgueiros. Contrastava fortemente com a simplicidade da sua casa. Porém, esta tinha menos afeto, apenas beleza.

Foi abrir a porta descalço com uns calções de ganga e uma T-shirt desbotada da cor dos seus olhos.

- Cinderela! - exclamou ele, radiante, apesar da provocação do nome.

- Será que eu devia ter trazido o sapato de cristal para ter a certeza de ser reconhecida?

- Eu acredito em si. Entre. Estava lá fora a pintar a varanda.

- Estou vendo que se farta de trabalhar para pagar o aluguer. - Kate seguiu-o, reparando na decoração sóbria. Era tal como ela imaginara, bonita mas sem afeto, o que era uma pena, pois a casa estava cheia de belos objetos.

- Gosto de me entreter. O dono da casa nunca sal de Los Angeles. Por isso trato de algumas coisas quando tenho tempo.

Estava a pintar a varanda de azul-celeste e a um canto desenhara duas gaivotas em vôo.

- Precisa de nuvens - declarou ela num tom Profissional ao olhar para a varanda.

- Hum?

- Nuvens. Precisa de nuvens. Tem tinta branca?

- Sim. Além - indicou ele com um sorriso que ela retribuiu enquanto arregaçava as mangas da camisa e depois as pernas das calças. - Quer vestir alguma da minha roupa velha, Kate? Escusa de estragar a sua- sugeriu Nick muito sério, mas ela limitou-se a rir. Trouxera roupa velha confortável para se deitar na praia. E por baixo um biquíni cor de laranja. Para mais tarde. Talvez. Ainda não sabia.

- Como está o Tygue?

- Bem. Mandou-lhe cumprimentos. Saiu ao romper do dia para ver aquelas cabras. Agora diz que também quer uma.

- O Tygue devia era ter um cavalo - disse Nick, enquanto pintava outra gaivota a um canto.

- E o que ele está sempre a dizer-me. Talvez você gostasse de lhe comprar um - disse ela na brincadeira, tendo-se arrependido de imediato ao ver a expressão dele. - Nick, estava a brincar. A sério, nem pense numa coisa dessas. Já há dois anos que tento dissuadir a Licia de comprar-lho.

- Ela parece ser uma mulher bastante sensível. Tenho de a conhecer. Há quanto tempo são amigas?

- Oli, há muitos anos. Conhecia quando passei modelos para... - Então olhou para cima como se tivesse dito algo que não devia.

- Acha que eu não sabia? - perguntou ele com um sorriso. - Ora, minha querida, sou produtor. Sei perfeitamente ver quando as pessoas passaram modelos, fizeram ballet ou levantaram Pesos.

- Eu levantei pesos - proferiu ela com um sorriso, flectindo um braço.

- Está a pintar umas belas nuvens, Cinderela.

- Gosta? - perguntou ela, satisfeita.

- Claro. Especialmente da que tem na ponta do nariz.

- Patife! Eu menti ao Weinberg, sabe? Disselhe que nunca passei modelos. julguei que se o admitisse ele venderia o meu corpo a quem fizesse a oferta mais alta e me obrigaria a fazer imensa publicidade.

- Linda menina. Parece um pinto envergonhado - comentou ele, piando, e Kate ameaçou atirar-lhe com tinta. - É capaz de me culpar por não ter querido fazer isso?

- Sou feliz aqui, longe daquela loucura toda. Nick, o meu lugar não é lá.

- Nem o de ninguém - disse ele, sentando-se no parapeito e olhando para ela. - Mas vou dizer-lhe uma coisa: o seu lugar também não é aqui. Está a desperdiçar-se. Um destes dias vai ter de ganhar coragem e voltar lá, pelo menos durante algum tempo.

Ela assentiu muito séria.

- Eu sei. Tenho tentado. Mas é difícil. - Mas não tanto como julgara, pois não?

Ela abanou a cabeça, perguntando a si mesma como teria ele adivinhado. Parecia perceber tanto a seu respeito. Kate tinha a sensação de que Nick já a conhecia.

- E quando voltamos ao mundo civilizado há compensações.

Ela soltou uma gargalhada. - Lá isso é verdade.

- Tem fome?

- Nem por isso. E você? Se quiser posso ir preparar-lhe qualquer coisa. - Tinham acabado de pintar a varanda e concordado que estava uma obra-prima. - Espero que o dono disto dê valor aos seus melhoramentos. Ele devia pagar-lhe para você se hospedar aqui.

- Vou dizer-lhe que você sugeriu isso. - Pousou o braço sobre os ombros dela e dirigiram-se ambos à cozinha, descalços e bronzeados. Nessa manhã, Nick tinha comprado presunto, melão e frango assado. E outro saco continha pêssegos, morangos e melancia. Havia ainda uma baguette comprida e uma grande fatia de bríe.

- Isto não é um almoço, é um festim.

- Bem, Cinderela, para si só o melhor. - Fez uma vênia e quando se endireitou encontrava-se muito perto dela. Estendeu os braços. Kate sentiu-se impelida para ele e, devagar, abraçou-o. Não teria sido capaz de resistir mesmo que quisesse, e não quisera resistir. Queria apenas estar ali, perto dele, a sentir o calor da sua pele e a força dos seus braços, a cheirar o aroma a limão e a especiarias que já lhe era familiar. Nick.

Então, com meiguice, levou uma mão ao queixo de Kate, levantando-o na direção do seu, e beijou-a, primeiro devagar, e depois com mais força, os braços envolvendo-a, a boca firmemente colada à dela.

- Amo-te, Kate - declarou ofegante, cheio de desejo e observando-a. Estava a dizer a verdade.

Kate não disse nada, pois não sabia o que dizer. Ele não podia amá-la. Não a conhecia. Era demasiado cedo. Devia dizer isso a todas as mulheres. Ela não podia fazer aquilo, nem permitir que aquilo lhe acontecesse.

- Amo-te. E tudo. Não faço perguntas, nem exijo nada. Apenas te amo.

E daquela vez foi Kate quem o beijou.

- Também te amo - disse ela quando o largou, com um sorriso. - É uma loucura. Mal te conheço. Mas acho que te amo, Nick Waterman.

Olhou para os pés. Sete anos. Sete anos. E agora dissera aquelas palavras a um desconhecido. «Amo-te.» Porém, ele não era um desconhecido. Era Nick. Assim que o conhecera vira nele algo de infinitamente especial. Como se ele tivesse estado à sua espera. Como se ambos soubessem que ele viera para ficar. Será que estava maluca? Que só queria pensar naquilo? Fitou-o com um olhar interrogador e ele sorriu com ternura, levando as coisas para a brincadeira, a fim de desanuviar.

- Com que então «achas», hum? Caramba, essa é boa. «Achas» que me arrias. - A expressão dos seus olhos era travessa e ele deu-lhe uma palmada no rabo enquanto punha o almoço num cesto. - Vamos comer na praia. - Ela assentiu e saíram, de mão dada, ele levando o cesto. Tinha a mesma constituição física que Tom tivera havia muitos anos. Já a perdera. Encolhera devido a ter passado tantos anos sentado numa cadeira de rodas. Mas aquele homem nunca encolhera. Pulsava de vida. - Queres ir tomar banho, Cinderela?

Kate sorriu. O nome ia pegar.

- Gostaria muito. - Decidira confiar nele.

- Eu também. - Olhava descaradamente para o minúsculo biquíni cor de laranja que ela revelara ao tirar a camisa e as calças de ganga. Mas o seu olhar era tão aberto e amigável que Kate se limitou a sorrir. - julgas que eu vou conseguir nadar depois de te ver assim? Vou mas é ao fundo!

- Cala-te! Vamos fazer uma corrida.

Desatou a correr, as suas longas pernas graciosas impelindo-a para a água. Nick seguiu-a com um olhar apreciativo e depois passou-lhe à frente, mergulhando na primeira onda. No entanto, Kate seguia-o de perto e emergiram já a uma boa distância da costa. O toque da água era delicioso.

- Isto é muito melhor do que a piscina do hotel, não achas?

Nick soltou uma gargalhada e tentou fazê-la mergulhar, porém Kate foi demasiado rápida. Mergulhou e passou por entre as pernas dele. Quando tentou agarrá-la, Nick quase lhe arrancou a parte de cima do biquíni, e Kate emergiu a rir.

- Sua espertinha! - exclamou Nick. - Ainda vais perder essa coisa minúscula que trazes vestida se não tiveres cuidado.

Era quase indecente, e Kate tinha consciência disso. Mas os biquínis eram todos assim. Fora Felicia quem lhos mandara, e a única pessoa que a vira com eles fora Tygue. «Exibicionista», dissera ele.

- És impossível.

- Não, mas vou ficar se tiver de olhar para ti durante muito mais tempo.

Ela riu-se e dirigiram-se para a costa, nadando lado a lado. Já há muito tempo que ninguém lhe falava assim. E Nicholas fazia-o de uma forma que a divertia.

- Estou a morrer de fome - disse Kate, atirando-se para a toalha e dirigindo ao cesto um olhar faminto.

- Força, tontinha, come à vontade. Escusas de ser tão bem-educada. - Sentou-se ao lado dela e deu-lhe um beijo salgado. - A tua família deve ter sido muito rígida. És uma rapariga muito bem-comportada.

- Já não.

- Kate, os teus pais também morreram?

Olhou para ele durante um minuto antes de responder e depois decidiu contar-lhe a verdade. Pelo menos a respeito daquilo.

- Eles correram comigo de casa.

Nick deixou de desembrulhar o almoço e olhou para ela. -Estás a falar a sério? - Parecia tão chocado que Kate sentiu vontade de rir. Aquilo já não a incomodava. Acontecera havia muito tempo.

- Sim, estou. Eu desiludi-os, por isso riscaram-me da sua lista. Acho que será mais correto dizer que acharam que eu os traí.

- Tens irmãos?

- Não, sou filha única.

- E os teus pais fizeram-te uma coisa dessas? Que tipo de pessoas são? Eras filha única e expulsaram-te de casa? O que diabo fizeste?

- Casei com uma pessoa de que eles não gostavam.

- Só isso?

- Só isso. Deixei a faculdade no fim do primeiro ano e fui viver com ele. Depois casamo-nos. Eles não foram ao casamento. Nunca mais voltamos a falar. Excluíram-me da árvore genealógica quando fomos viver os dois. Acharam que ele não era suficientemente bom.

- Pagaste um preço muito elevado por esse homem.

- Ele merecia-o - disse ela baixinho, sem o mínimo arrependimento.

- É agradável poder dizer isso acerca de alguém. Ele deve ter sido um homem muito especial.

- E era - confirmou ela com outro sorriso. Ficaram em silêncio durante alguns minutos e ela ajudou-o a tirar o almoço. Depois viu qualquer coisa no rosto de Nick. Uma expressão de dor, e de exclusão. -Nick?

- Sim? - perguntou ele, surpreendido. Estivera perdido nos seus pensamentos.

Ela pegou na mão dele.

- Tudo isso se passou há muito tempo. Há coisas que ainda doem, outras que já não. Na altura, tudo era importante. Muito. Mas já tudo passou. Tudo. E... - Não tinha forças para dizer aquilo, mas teve de as arranjar. Por muito que lhe custasse. - E ele também. Já passou.

Nos seus olhos surgiram algumas lágrimas e Nick puxou-a para si.

- Lamento, Kate.

- Não é preciso lamentares. Houve também momentos maravilhosos. O Tygue. Os livros. A Licia. Tu... - disse ela a medo e ele fitou-a com um sorriso meigo.

- Minha menina, um dia destes... - Mas não teve coragem de continuar. Limitou-se a ficar ali sentado a olhar para ela.

- O quê?

- Nada... apenas...

- Nicholas, diz-me! - exclamou Kate, erguendo-se sobre um cotovelo.

- Um dia destes, Cinderela, vou transformar-te na Senhora Encantada.

- A mulher do Príncipe Encantado? - perguntou ela de olhos muito abertos. Ele assentiu. - És louco, Nick. Nem sequer me conheces.

Quem era aquele homem? Por que motivo dizia ele aquelas coisas?

- Conheço sim, Cinderela. Conheço o fundo da tua alma, e vou conhecer-te ainda melhor. Se o permitires, é claro.

- Estendeu-lhe o pão e beijou-a. Ela estava com uma expressão demasiado séria para o seu gosto. -Ficaste incomodada?

- Não, pelo contrário. Mas Nick... nunca voltarei a casar-me. Estou a falar a sério.

- Pois, pois - disse ele, tentando aligeirar a conversa. Já se arrependera de ter dito aquilo. Era demasiado cedo. - É sério. Não seria capaz.

- Porque não?

«Porque o meu marido ainda não morreu. Credo!»

- Porque não seria. Casei uma vez, e não volto a casar outra. Até há dois dias, não me imaginava sequer capaz de amar outro homem, embora agora imagine, mas não a casar-me.

Afinal de contas, sempre havia esperança.

- Então avancemos um passo de cada vez. - Kate reparou que ele não queria levá-la a sério, mas não sabia o que mais lhe dizer. - Presunto, melão?

- Não estás a ouvir-me - queixou-se ela.

- Tens toda a razão. Para além do mais, sou um otimista e amo-te. Recuso-me a ouvir um não.

- És um lunático.

- Absolutamente. - Nick endireitou-se com uma fatia de queijo e outra de pão na mão. - E tu és uma princesa. Queres um pouco de Bríe? Está uma delícia.

- Desisto.

- Ótimo. - E então até ele foi obrigado a sorrir quando pensou nas muitas mulheres que teriam dado tudo para o ouvirem propor-lhes casamento, e ainda por cima logo no terceiro encontro.

Comeram quase tudo e depois deitaram-se ao sol, lado a lado, durante algum tempo, antes de voltarem a ir à água. Já eram quase quatro da tarde.

-Já chega de praia, Kate?

-Hum... – Encontrava-se de novo deitada, e sentia-se cansada dos banhos. A água salgada corria em pequenos rios no pescoço e ele inclinou-se, lambendo-os. Ela abriu os olhos.

- Vamos para casa - sugeriu ele. - Podemos livrar-nos de toda esta areia. E do óleo, do sal, das migalhas e das sementes de melancia.

Kate riu-se e levantou-se, olhando para a barafunda de coisas que tinham sobre as toalhas.

- Parece que foi uma festa de arromba.

Ela dobrou as toalhas, Nick pegou no cesto e regressaram devagar a casa.

- É melhor entrarmos pelas traseiras. Ele vai ter um ataque cardíaco se lhe enchermos a casa de areia.

Parecia inconcebível pensar-se nisso quando se tinha uma casa na praia, mas as pessoas de Los Angeles eram loucas.

- Sim, senhor. - Ela seguiu-o e entraram numa salinha

pintada de amarelo. Tinha um toldo de circo às riscas, três cabinas de ducha, meia dúzia de cadeiras de realizador e uma maravilhosa chaíse-longue de verga com um enorme chapéu-de-sol.

- Os camarins, Miss Harper. Normalmente não são mistos, mas se confiar em mim...

- Não confio. Ele sorriu.

- Tens razão. Já sei. Não é preciso despires o biquíni. E rindo com ele, Kate obedeceu e entraram ambos na ducha. Continuou a rir-se enquanto ele lhe contava histórias divertidas acerca do programa e lhe tirava a areia das costas. De repente, a conversa parou e Nick virou-a devagar para si. Depois, beijaram-se devagar sob os salpicos de água quente. Kate sentiu os braços dele a envolvê-la, o corpo dele contra o seu e desejou-o tanto quanto ele a desejava.

- Espera, estou a afogar-me! - exclamou ela com uma gargalhada, e ele desviou-se, fazendo com que a água lhe batesse em cheio na cara.

Com uma gargalhada, Nick fechou a torneira. - Estás melhor?

Ela assentiu. O silêncio era enorme sem a água a correr, e a cabina da ducha encontrava-se cheia de vapor. O cabelo de ambos escorria e nas pestanas de Kate havia contas de água que Nick beijou com suavidade enquanto lhe despia a parte de cima do biquíni.

- Acabaste de perder a parte de cima, Cinderela - murmurou enquanto ela lhe acariciava o peito.

Kate sorriu, mas os seus olhos não se abriram e continuou a beijá-lo. Nick inclinou-se e beijou-lhe os seios. Fê-lo com tanta ternura que todo o corpo dela gritou pelo dele.

- Amo-te, príncipe encantado.

- Tens a certeza? - perguntou ele, muito sério, endireitando-se. Ela abriu os olhos. - Tens a certeza, Kate?

- Sim, tenho. Amo-te.

- A última vez foi há muito tempo, não foi? - Precisava de saber, embora no seu íntimo adivinhasse já a resposta. Kate assentiu. Nick já o havia pressentido assim que soubera o quanto ela se fechara na sua concha. De certa forma, isso agradava-lhe. Tornava-o especial, e fê-lo saber o quanto ela também era especial.

- Foi há muito, querida?

Ela tomou a assentir, e ele amou-a ainda mais. - Antes do Tygue nascer.

- Oli, meu amor... - Então puxou-a para si e abraçou-a durante muito tempo. Queria compensar todos aqueles anos sem amor, sem um homem. Mas não podia devolver-lhos, só dar-lhe amor naquele momento. Com ternura, embrulhou-a numa enorme toalha cor-de-rosa e levou-a ao colo para o quarto onde dormia no primeiro andar. Era um quarto cheio de luz que parecia entrar pelo mar adentro. As janelas eram enormes, a mobília antiga e a cama de latão. Não era o quarto que teria escolhido para ela, mas foi o quarto onde a amou pela primeira vez, a amou com toda a força do seu ser, uma e outra vez, até que por fim ela adormeceu nos seus braços enquanto ele ficou a observá-la. Quando Kate acordou, já chegara a noite.

- Nick? - Lembrava-se do que acontecera, mas não onde estava.

- Estou aqui, querida. Nem imaginas o quanto te amo. Era uma maneira maravilhosa de acordar e Kate sorriu, aninhando-se nos braços dele. De repente, ficou tensa.

- Oli, meu Deus.

- O que foi? - Ter-se-ia ela recordado de alguma coisa desagradável? De súbito, ele teve medo.

- E se eu engravidar?

Ele sorriu e beijou-lhe a ponta do nariz.

- Nesse caso, o Tygue vai ter um irmãozinho. Ou uma irmãzinha.

- Não brinques.

- Não estou a brincar. Nada me agradaria mais.

- Bolas, Nick, eu nunca tinha pensado em ter mais filhos! - Parecia tão abatida que ele a abraçou com mais força.

- Há muitas outras coisas em que também nunca tinhas pensado. Havemos de tratar disso na semana que vem. Porém, este fim-de-semana vamos arriscar. E se acontecer alguma coisa... havemos de sobreviver. - Lembrou-se de uma coisa. - Ou será que isso não te agradaria? - Talvez Kate não quisesse ter um filho seu. Isso não lhe ocorrera. Olhou para ela no escuro. Conseguia ver perfeitamente o seu rosto e os seus olhos.

- Não, isso agradar-me-ia muito. Amo-te, Nick.

Nick não queria saber de mais nada e Kate tornou a beijá-lo. Ele destapou-a e percorreu o corpo dela com as mãos enquanto Kate esboçava um sorriso de mulher.