Vingança em Manhattan

Christopher Smith · Capítulo 1 de 32

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Vingança em Manhattan

Capítulo 1

VINGANÇA EM MANHATTAN

 

De Christopher Smith

 

LIVRO UM

 

CAPÍTULO 1

Ela estava sendo seguida. Tinha consciência disso. E estava preparada para reagir quando agissem.

Se tiverem a oportunidade.

Era noite em Manhattan. Passava das onze. Mais cedo, tentara dormir, mas como o sono não vinha tão facilmente como antes, ela estava caminhando pela Quinta Avenida, pois, na rua, a cidade oferecia distrações das quais precisava agora.

O Parque estava próximo. A brisa fria do outono carregava os odores da cidade: o escapamento dos táxis que passavam à sua esquerda, a podridão das folhagens úmidas à direita e uma friagem que não estivera nessa mistura quando ela estivera aqui há três semanas.

O inverno se aproximava. Estava bem atrás dela, como o som daqueles sapatos que acompanhavam os seus passos enquanto andava pela calçada.

Carmen Gragera escutou aqueles sapatos. Ela tomara ciência deles quando saíra da Rua Oitenta e Um e entrara na Quinta Avenida, onde tinha um apartamento. Em algum momento, ela sabia que a encontrariam, especialmente desde que voltara para a cidade.

O que eles não sabiam era que ela também voltara para pegá-los.

Ela voltara a Manhattan havia três dias, depois de enterrar o assassino que era seu companheiro e amante, Alex Williams, em Bora Bora, onde ele fora morto enquanto estavam de férias. Lá, eles fizeram planos para largar suas vidas profissionais como assassinos para que pudessem ficar juntos em um paraíso tropical que oferecia uma medida de segurança, já que a ilha era completamente remota.

Mas o assassinato dele e o incêndio de sua casa eram provas de que isso não aconteceria. Por motivos que ainda não eram claros, o consórcio para o qual ela e Alex trabalhavam matara Alex e tentara matá-la. Carmen conseguira escapar, mas agora estavam atrás dela.

Afinal de contas, o som daqueles sapatos não mentia.

Ela podia dizer, pelo bater resoluto dos sapatos no chão, que pertenciam a um homem. Quando ele agiria? Ela não sabia, mas tinha no bolso do casaco a Glock, com a mão em torno dela, pronta para usá-la, se necessário.

A não ser que ele atirasse nela pelas costas, o que era possível, mas que seria uma burrice da parte dele, já que estavam na Quinta, cheia de carros.

Ela podia senti-lo às suas costas. Os passos estavam se aproximando. Ela manteve o passo firme, o corpo relaxado. Quinze metros. Doze. Reduzindo a distância e fazendo-o de forma tão óbvia, que era quase amadora. Por que ele estava se denunciando desse jeito?

Ele provavelmente estava a cerca de seis metros quando ela se aproximou da Rua Setenta e Sete. O sinal estava vermelho e havia uma fila de táxis esperando que abrisse. Ela deveria pegar um deles? Havia vários livres. Mas, se o sinal não mudasse rapidamente, talvez ele fosse descarado o suficiente para aproximar-se do táxi e atirar nela. Porque, se não o fizesse, perderia a oportunidade e desapontaria quem o contratara.

Melhor continuar andando.

Ela olhou para a calçada, o mais longe possível, e viu outras pessoas caminhando em sua direção. A área era bem iluminada, clara o suficiente para não ocultar um assassinato, a não ser que o homem que a seguia estivesse determinado a matá-la. Novamente possível, mas, novamente, burrice. Mas quem sabe quais eram suas ordens? Quem sabe ele fosse jovem e ingênuo o suficiente para acreditar que conseguiria sair impune? Se fosse, ela estava pronta.

De fato, quando o sinal ficou verde e o trânsito começou a se mover, ela decidiu que não aguentava mais. Parou e o enfrentou.

Ele também parou. Os olhos deles se encontraram. Ele não era o jovem que ela esperara. Em vez disso, parecia ter quase quarenta anos, era alto, cabelos castanhos, bem apessoado. Usava um sobretudo preto para aplacar o frio e para esconder o que estivesse carregando.

— Carmen Gragera? — perguntou ele.

Ela olhou para as mãos deles e não disse nada. Um casal passou por eles, a cabeça dela no ombro dele. Carmen sentiu o perfume de flores que a mulher deixou ao passar.

— Você e eu precisamos conversar — disse ele. — Sou um amigo de Alex Williams.

— Esse foi o seu primeiro erro — disse ela. — Alex não tinha amigos.

Ele cerrou as sobrancelhas. — O que a faz pensar isso?

— Talvez queira dizer que eram colegas?

— Não foi o que eu quis dizer. Eu era amigo dele. Desde a infância.

— Então você conhece Alex bem. Onde ele cresceu?

— Indianápolis.

Qualquer um poderia saber disso. Mas somente os mais próximos a Alex saberiam o que ela estava prestes a perguntar. Durante as duas últimas semanas que passaram juntos, quando conversaram livremente sobre suas vidas particulares, ele levantou o tópico que mais o assombrava. Era algo que ele dissera que nunca superaria. Não por ele e nem por sua família.

— Qual era o maior arrependimento de Alex?

— Havia algumas coisas.

— Por que não tenta uma delas?

— Talvez eu devesse começar pela família dele?

— Se quiser.

— Ok, então você quer a mais óbvia. Alex se arrependia de não estar presente quando o pai morreu. Ele teve a oportunidade de entrar em um avião e passar um tempo com o pai, mas, em vez disso, decidiu aceitar outro trabalho. Pensou que o pai teria mais tempo, mas estava errado. O pai dele morreu quando Alex estava longe. Alex se arrependia disso e, quando me perguntou se eu concordava que fora um erro, disse a ele que sim. Ele devia ter estado lá.

Era a resposta correta. Ele aproximou-se um passo, ela recuou um passo. Observe as mãos dele.

— Não estou aqui para machucá-la.

— Mesmo que estivesse, eu o mataria primeiro.

— Estou aqui para ajudá-la.

— Como?

— Eu trabalho para Katzev. — Ele ergueu as sobrancelhas, como se estivesse se divertindo. — Na verdade, apague isso. Eu trabalhava para Katzev. Agora, ele me quer morto, do mesmo jeito como a quer morta. Se conversarmos francamente, talvez possamos nos ajudar. Acho que seria uma boa ideia.

— Como sei que não está trabalhando para ele agora?

— Não sabe.

— Isso é muito animador. Tire as mãos dos bolsos.

Ele o fez.

— Quem é você?

Ele olhou em torno. — Deveríamos pegar um táxi — disse ele. — Direi tudo o que quiser saber dentro dele. Nesse exato momento, estamos muito expostos.

— Não consegue lidar com isso?

— Depois do que aconteceu ontem à noite, admito que estou apreensivo.

— O que aconteceu ontem à noite?

— Vieram atrás de mim. Tenho sorte de estar vivo.

— O que me faz pensar no tamanho da minha sorte.

Ele não respondeu.

— Como me encontrou?

— Quer a versão mais básica, Carmen? Usei meus contatos. Você foi vista no LaGuardia. Seguiram-na até seu apartamento na Quinta com a Oitenta e Um. Pronto.

— Mentira, eu não fui seguida.

— Lamento, mas foi sim.

— Ninguém me seguiu, eu saberia.

— Aparentemente, não soube, porque foi seguida. Como você e Alex foram seguidos até Bora Bora. — Ele fez uma pausa. — E você também sabia disso. Certo?

Obviamente, ela não sabia. Ponto para ele.

— Recebi um telefonema de Alex pouco antes da morte dele. Foi logo antes de vocês irem para a ilha. Ele me disse que estava apaixonado por você, o que me deixou preocupado. Você tem a reputação de ser arrogante. Eu disse a ele para ficar longe de você.

— Quem dera ele tivesse se afastado. Estaria vivo agora.

— Isso nunca saberemos. Só o que sabemos é que você e Alex eram alvos, e agora eu também sou. Por quê?

— Eu não sei.

— Então talvez devêssemos nos ajudar e descobrir antes que nos matem.

— Qual é o seu nome?

Ele não respondeu.

Ela suspirou. — Então, como devo chamá-lo?

— Jake.

— Jake?

— Tem um nome melhor?

— Eu sou Carmen Gragera — disse ela. — Mas você já sabe disso. Você será Jake, por enquanto. Quando achar que pode me contar a verdade e que seu nome é Hamlisch, ou pior, provavelmente estaremos em melhores termos. Por enquanto, você é Jake. — Ela acenou com a cabeça para a rua. — Então, Jake, vamos pegar um táxi para que possa me contar tudo o que preciso saber. Estou ansiosa.