Vingança em Manhattan

Christopher Smith · Capítulo 12 de 32

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Vingança em Manhattan

Capítulo 12

 

Illarion Katzev, cujo nome de batismo era Iver Kester, nascera em Aberdeen, Escócia, antes de assumir a identidade russa para manter segredo dentro do consórcio que ele ajudara a criar com Jean-Georges Laurent, e tinha casas em Aberdeen, Moscou e Manhattan.

Era somente em Aberdeen, onde os amigos e os familiares o conheciam como o garoto que viera de um lar modesto e violento, destruído por um pai alcoólatra, que ele usava o nome verdadeiro. Em sua cidade natal, ele era conhecido por ser um empreendedor bem-sucedido nos Estados Unidos e um exemplo do que podia ser conseguido com coragem, sorte e trabalho duro.

O pai morrera havia muito tempo, mas a mãe, com setenta anos, ainda estava viva e ele a visitava uma vez por ano. Geralmente, passava uma semana, e era paparicado pela mãe, os velhos amigos, as tias, os tios e os sobrinhos. Eles o conheciam somente como Iver, que deixara Aberdeen quando tinha vinte anos e fora para os Estados Unidos, onde trabalhara longas horas para acumular uma fortuna comprando e vendendo imóveis, enquanto a família permanecera em Aberdeen para trabalhar na fazenda.

O que a família e os amigos dele não sabiam era a vida secreta que ele levava.

Eles não sabiam que ele usava o nome Illarion Katzev, não sabiam que ele passara anos com um professor para aprender a falar russo fluentemente e também não sabiam que ele passara o mesmo tempo com o mesmo professor para aperfeiçoar o sotaque russo ao falar inglês.

Havia mais.

Eles não sabiam que ele tinha uma casa em Moscou para reforçar a crença de que era, de fato, russo. Sabiam sobre o apartamento em Manhattan, mas, como não tinham dinheiro para visitá-lo, não tinham ideia de que o apartamento era uma cobertura enorme na Quinta Avenida. Sabiam que ele se dera bem na vida, mas nunca suspeitaram que acumulara milhões. E certamente não sabiam sobre o consórcio, que aumentava aqueles milhões exponencialmente.

Para eles, ele sempre seria Iver, que trabalhara duro quando era jovem em qualquer trabalho aleatório que pudesse conseguir em Aberdeen, em um esforço para comprar uma passagem só de ida para os Estados Unidos, onde estava determinado a mudar o curso de sua vida em Manhattan. Ele tivera sucesso, mas por caminhos que nunca saberiam nem entenderiam.

Na cobertura, Illarion acabara de chegar do escritório da Madison, onde falara com o consórcio e eles concordaram com seu plano de encurralar Carmen Gragera e assassiná-la. Na sala de estar, com vista para o Central Park, ele serviu uma dose de uísque com soda e pensou sobre o plano.

Carmen escolhera dar uma parte significativa de seu dinheiro para os abrigos de St. Vincent. Ele descobrira que os abrigos cuidavam de mais de setenta adolescentes, que se beneficiavam diretamente da generosidade de Carmen. Mais cedo, ele telefonara para St. Vincent e conversara com uma mulher sobre fazer uma doação. — Quero ter certeza de que é o mesmo lugar para o qual minha amiga, Carmen Gragera, faz suas doações. Falamos sobre isso no jantar uma noite dessas. Tenho quase certeza de que ela mencionou St. Vincent.

A mulher se animou ao ouvir o nome de Carmen. Dissera que tinham um relacionamento muito próximo com ela e que Carmen era fundamental nas vidas de muitas crianças.

— Conhecemos Carmen muito bem — dissera a mulher. — Ela é um anjo. Trata as crianças com respeito e bondade, não importa a idade delas ou o que possam ter feito no passado. Não sei dizer quantas vidas ela mudou. Somos muito gratos pelo apoio que ela nos dá.

— Há alguma criança em particular que Carmen tenha adotado como sua? — perguntou Katzev.

— Essa é fácil — dissera a mulher. — Há três, todas garotas jovens que, nesse momento de suas vidas, provavelmente são velhas demais para adoção. Duas têm quinze anos e a outra tem quase dezessete. Provavelmente ficarão conosco até terminar o segundo grau, que será em breve. Carmen manda cartas todo mês e as visita quando pode. Acho que ela vê aspectos de si mesma nelas, especialmente em Chloe, de quem é mais próxima. Sei que ela acha que pode ajudá-las só ao ser amiga delas e oferecer conselhos sobre como seguir suas vidas.

— E quem melhor do que Carmen para isso? — disse ele, sem um rastro de sarcasmo. Por dentro, tinha vontade de rir do absurdo da situação. — E qual é o nome das outras duas garotas? — perguntou.

— O primeiro nome?

— Sim.

Dar o primeiro nome delas não violava as regras de confidencialidade impostas pelo conselho diretor de St. Vincent. Ela deu a ele os nomes, que os anotou.

— Elas pensam em Carmen como uma irmã — disse a mulher. — Talvez o mais próximo que terão de uma mãe substituta. O que puder fazer por elas e pelas outras crianças será uma bênção. Não tenho vergonha de dizer que dependemos desse tipo de generosidade.

— Você tem meu apoio total — disse Katzev. — Mas quero que minha doação seja uma surpresa para Carmen. Podemos manter isso entre nós?

— É claro! Eu adoraria surpreendê-la.

— É o que eu esperava. Sei que ela ficará muito feliz. As garotas estão indo bem no colégio?

— Muito bem, todas as três.

— Que maravilha. Tenho certeza de que a influência de Carmen ajudou. A escola é muito importante quando, provavelmente, o próximo passo é a faculdade. Que escola elas frequentam? Talvez eu consiga colocá-las em escolas particulares.

— Elas frequentam a mesma escola e é uma das melhores.

— E qual é?

— Forest Hills, perto do Rego Park, no Queens.

— É uma boa escola — disse ele, anotando o nome.

— E é difícil entrar nela, mas Carmen cuidou de tudo, fez a mágica dela. Elas devem voltar da escola em breve. Gostaria de vir até aqui e conhecê-las?

— Hoje não posso — disse Illarion Katzev. — Mas, com certeza, farei uma visita em breve.