Vingança em Manhattan

Christopher Smith · Capítulo 28 de 32

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Vingança em Manhattan

Capítulo 28

No táxi que pegaram na Park, cruzaram o Central Park até a Rua Quarenta e Sete West, pararam em um sinal vermelho e viraram à esquerda na Décima Primeira.

Estava escuro. Devido à proximidade com o Hudson, o ar ali era mais fresco, mas também úmido. Pior ainda, estava pesado com os gases de escapamento dos caminhões que engarrafavam as ruas durante o dia, o cheiro de óleo das balsas que se amontoavam no rio e da sujeira, que estava por toda parte.

Na Quarenta e Seis West, viram o depósito à frente e à esquerda, ouviram os alarmes gritando lá dentro e passaram por ele no momento em que Carmen ergueu a mão para o rosto, preocupada com Chloe.

O que estava acontecendo lá dentro estava apenas começando ou, conhecendo Katzev, que agia rapidamente, talvez tivesse acabado. Não saber deixou Carmen tão nervosa que ela fez o que sempre fazia quando estava sob grande pressão: abafou as emoções e concentrou-se na tarefa à frente.

Spocatti disse ao motorista para dar a volta no quarteirão, mas, dessa vez, deixá-los na Décima Primeira. Eles queriam avaliar a área cuidadosamente antes de se aproximarem do depósito.

— O que são essas sirenes? — perguntou ela.

— Não faço ideia.

— Obviamente, alguma coisa aconteceu. As sirenes chamarão a atenção para eles. Alguém pode ter chamado a polícia.

— Se estivéssemos na Oitava ou na Nona, onde moram pessoas, eu concordaria. Mas aqui? É diferente. É uma área industrial. Por causa da criminalidade, não há ninguém nas ruas. É possível que ninguém tenha chamado a polícia.

— E se chamaram?

Ele deu de ombros. — Então estamos fodidos. — Ele esperou um momento. — Sabe que fomos seguidos?

— Sim.

— Babe está com ele. Isso é inusitado.

— Não podemos controlá-los — disse Carmen. — Se eles querem estacionar e pegar Chloe se conseguirmos soltá-la, ótimo. E, francamente, mesmo que discordemos sobre isso, se puderem, eles a manterão segura, o que é um alívio para mim. Se eles se envolverem de alguma outra forma, lidaremos com os dois.

Spocatti não respondeu. Ele olhou por sobre o ombro quando o carro de Jake, a uns duzentos metros atrás, entrou em um lugar que não era uma vaga de estacionamento. Havia um hidrante lá. Eles estavam a cerca de oito prédios de distância do depósito, com uma vista clara das duas portas grandes.

O celular de Carmen vibrou no bolso da calça. Ela o pegou, olhou para a mensagem por um momento, memorizou-a e, agindo por instinto porque não queria compartilhá-la com Spocatti, que estava agindo de forma incomum por motivos que ela não entendia, respondeu à mensagem com alguns cliques.

— O que era? — perguntou ele.

— Particular — disse ela, e se arrependeu do tom ríspido na voz. Afinal de contas, ele estava lá para ajudá-la. — Desculpe, estou tensa. Era uma oferta de trabalho.

— Do consórcio?

Ela não estava com humor para brincadeiras e não respondeu.

Ele colocou a mão sobre o joelho dela, um gesto gentil que também não era comum nele. — Vai ficar tudo bem, Carmen. Katzev vai levar minha ameaça a sério. Só precisamos entrar lá, caso alguém chame a polícia.

— Se é que já não chamaram.

— Entendo.

O motorista parou no meio-fio.

— Com aqueles alarmes tocando, não sabemos o que vamos encontrar.

— E alguma vez soubemos? — Ele abriu a porta e deu quinhentos dólares ao motorista. — Isso é pela sua discrição — disse ele.

O homem olhou para o dinheiro e o enfiou no bolso. — Não sei do que está falando, cara, mas obrigado.

Spocatti saiu do carro e olhou para Carmen. Estava prestes a dizer que precisavam entrar quando, pela primeira vez, ele notou os sapatos. — Você está usando isso? — perguntou ele.

— Eu sempre uso, não só em aviões.

— E ainda funcionam?

Ela mostrou a ele.

— Rosa Klebb ficaria orgulhosa, mas sentiria falta das agulhas de tricô. Quanto tempo leva?

— Doze segundos.

— Maneira horrível de morrer.

— Ele não devia ter pego minha garota.

Os olhos dele encontraram-se com os dela. — Planeja usá-los?

— Se eu tiver a oportunidade.

— E pretende sacrificar-se por Chloe? Realmente pretende fazer isso?

— Se chegar a esse ponto, sim. Mas já se esqueceu? Você ameaçou Katzev. Há um minuto, quando você disse a Jake que ele não nos acompanharia, essencialmente disse que sua ameaça seria suficiente para que Katzev morresse de medo, caso alguma coisa acontecesse conosco. Além disso, tenho Liam em Aberdeen e ele matará a família de Katzev se eu apertar um botão no celular. Pretendo usar isso contra Katzev. Veremos o quanto ele é leal à mãe, que morrerá primeiro. Não vou morrer sem lutar, Vincent. Portanto, vamos acabar com isso logo.