Vingança em Manhattan
Capítulo 2
No táxi, disseram à motorista que eram novos na cidade e que só queriam passear e aproveitar a noite. A motorista, uma senhora de meia idade com cabelos pretos presos em uma trança grossa, ficou feliz em atendê-los.
— Mostrarei o roteiro completo — disse ela.
— Perfeito — disse Carmen. — Pode pôr uma música?
— De que tipo?
— De dançar?
— É claro.
— Obrigada.
A motorista aumentou o volume e eles começaram a percorrer a Quinta Avenida. O tum, tum, tum da música estava alto o suficiente para esconder as vozes deles. Levaria algum tempo até que confiasse nesse tal de Jake, mas as mãos dele estavam de volta nos bolsos e ele estivera certo sobre o principal arrependimento de Alex. A mão dela ainda estava em torno da arma. Ela estava pronta para agir se, em algum momento, achasse que ele era uma fraude. Ainda assim, tivera que dar uma chance a ele porque, se fosse legítimo, talvez tivesse informações que ela poderia usar.
— Por quanto tempo trabalhou para o consórcio? — perguntou ela, mantendo a voz baixa.
— Três anos.
— Quantos trabalhos?
— Uma dúzia? Quinze?
— Não sabe com certeza?
— Trabalho para mais de uma organização.
— E quem não trabalha? Nos últimos sete anos, fiz vinte e dois trabalhos para eles. Então, vou perguntar de novo. Quantos?
Ele pensou por um momento. — Depois da semana passada, quatorze.
— Quem foi na semana passada?
— Foram dois. Diretores da Light Corp.
— Como o fez?
— Katzev me disse para atirar na cabeça deles.
Até onde Carmen sabia, antes da morte dele, Jean-Georges Laurent era o ex-diretor não oficial de um consórcio sobre o qual ela sabia muito pouco, que era como eles queriam que fosse. Ele tentara fazer com que ela e Alex matassem um ao outro, mas não dera certo. Eles descobriram e, para azar de Laurent, foram atrás dele e dispararam algumas balas no rosto dele.
— Você encontrou Katzev alguma vez?
— Nunca. E você?
Ela balançou a cabeça. Apesar de Laurent ser seu principal contato no consórcio, ela frequentemente falava diretamente com a pessoa que achava que era a segunda em comando: Katzev. Com Laurent morto, Carmen presumia que Katzev agora liderava o consórcio. — Só conversamos usando e-mails criptografados e celulares por satélite, que não são rastreáveis. E duvido que o nome dele seja Katzev.
— Talvez seja Hamlisch.
Carmen ignorou a piada. Ela não conhecia esse homem e, certamente, não sabia se podia confiar nele. Estava disposta a ouvir o que ele tinha a dizer, mas não sem sua arma treinada de prontidão. — O que aconteceu ontem à noite?
— Dois homens vieram atrás de mim.
— Detalhes?
— Eu estava jantando no Gowanus, no Brooklyn. Vou ao mesmo restaurante há anos. É um buraco, mas gosto de lá porque a comida é boa, fica em uma esquina e é obscuro. Ele se mistura em uma rua cheia de sex shops e espeluncas similares.
— Parece perfeito.
— Para pessoas como nós, ele é mesmo.
— Eu estava falando sério.
— A disposição das mesas é boa — disse ele. — Você pode sentar no fundo do restaurante, virado para a porta de vidro da frente e ficar de olho nela. Eu estava de olho nela. Dois homens entraram pela porta duas vezes durante a hora em que estive sentado lá. Reconheci um deles. Fiz um trabalho com ele uma vez para Katzev. Eu sabia o que acontecera com você e Alex, então imaginei o que estava por vir. Pedi mais um café e esperei a noite cair. Quando estava escuro, aproximei-me de um dos donos, que me conhece, pois frequento o lugar. Perguntei se havia outra saída. Sem pensar duas vezes, ele me levou a uma porta lateral, sem fazer perguntas. A porta levava a uma rua lateral. Com a exceção de alguns pedestres, ela é meio morta. Esse foi outro motivo pelo qual gostei dela. Quando saí, o homem que não reconheci estava na calçada fumando. Ele ficou assustado ao me ver, mas, antes que pudesse largar o cigarro e pegar a arma, coloquei os braços em torno do peito dele e o esmaguei. Foi rápido. Eu o abaixei até o chão, contra um carro. Ele não parecia morto, e sim desmaiado. O dono assistiu a tudo. Quando terminei, olhei para ele, que deu de ombros e perguntou: "Café?". Eu recusei.
— E o outro homem?
— Esse foi o desafio.
— Como assim?
— Ele veio atrás de mim. Era mais jovem e mais rápido. Na verdade, era muito rápido. Corremos vários quarteirões antes que eu tivesse a oportunidade de atravessar o trânsito pesado. Tive sorte e cheguei do outro lado. Ele teve azar e foi atropelado por um caminhão. Fim da história, pelo menos da noite passada. Há mais por vir. Não só para mim, mas para você também.
— Você sabe que posso verificar a morte dele.
— Espero que o faça. Precisamos nos entender, Carmen. Preciso que confie em mim antes que nos alcancem. Ou posso simplesmente partir e cuidaremos disso cada um por si. Você é quem sabe. Mas há algumas vantagens em unir forças e descobrir por que isso está acontecendo. Por que nos querem mortos? Por que mataram Alex? Devemos saber algo que não querem que saibamos. Você tem alguma ideia do que possa ser?
— Estive espremendo o cérebro desde que fomos atacados. Não consegui pensar em nada.
— Tem alguma forma de falar com Katzev?
— E-mails criptografados. Celulares por satélite.
— É, eu também.
— Vamos esperá-los — disse Carmen. — Mas isso não significa que eu não possa descobrir mais sobre ele, talvez até mesmo onde mora. Ninguém está completamente seguro ou invisível. Ambos sabemos disso.
Ela olhou para o relógio, viu que era quase meia-noite, e teve uma ideia. Inclinou-se para a frente e levantou a voz sobre a música. — Foi ótimo — disse ela. — A cidade é linda. Pode nos deixar no Waldorf?
— Parece romântico.
— Ouvi dizer que o bar é ótimo — disse Carmen.