Vingança em Manhattan

Christopher Smith · Capítulo 19 de 32

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Vingança em Manhattan

Capítulo 19

O vídeo que Liam Martin gravara da família Kester foi enviado diretamente para o celular de Carmen — e somente para o celular dela — por meio de Spocatti, no momento em que ele o recebeu. Ele o anexou a uma mensagem: Isso deverá ajudar. Mantenha contato. Farei o mesmo.

Carmen estava sentada em uma das cadeiras vermelhas na sala de estar dourada de Babe McAdoo, pensando sobre o caso de amor de Babe com Katzev e o que isso significava nessa situação, quando o telefone vibrou e fez um bipe no bolso. Ela o pegou e olhou para a tela. Babe e Jake se viraram para ela com interesse.

— É uma mensagem de Vincent — disse Carmen. — Há um vídeo anexado.

Novamente, Babe e Jake se posicionaram atrás de Carmen e assistiram ao vídeo juntos. Pela primeira vez, eles viram a família Kester e notaram como pareciam cansados. Ninguém no vídeo estava sorrindo. A forma como o vídeo fora gravado fazia parecer que eles tinham sido forçados a se reunir, não que fora uma coisa natural. Um dos homens mudou de posição. Outro olhou para a tela com hostilidade — mas Carmen não fazia ideia do motivo. Ainda assim, ela ficou feliz em ver que ninguém parecia estar enviando uma mensagem alegre para Iver.

— Ele os encontrou — disse Jake. — Achei que só ia tirar fotografias de longe, para que Katzev soubesse que temos alguém lá pronto para matar todo mundo se ele não soltar Chloe.

— Spocatti o escolheu — disse Carmen, enquanto assistia. — Portanto, é claro que ele é bom. Vamos prestar atenção.

A seguir, veio a melhor parte do vídeo, junto com o áudio inesperadamente perfeito que poderiam usar contra Katzev: Você deveria estar aqui agora, Iver. Leve esse homem a sério e venha para casa. As coisas não estão bem aqui. Estão desesperadoras. Precisamos de você agora. Não amanhã. Agora. Antes que seja tarde demais.

Parecia que eles estavam sendo ameaçados, apesar de não ser o caso. Eles só estavam furiosos com Iver, que aparentemente vivia sua bela vida sem pensar em ajudá-los.

— Aquela deve ser a mãe de Katzev — disse Babe.

Carmen assentiu. — Provavelmente.

— Como quer prosseguir?

— Vamos enviá-lo para Katzev — disse Carmen. — Ameaçá-lo com o vídeo. Dizer a ele que, se não soltar Chloe agora, mataremos a família dele e enviaremos um vídeo disso também.

— Mas e se ele não suportar a família e preferir vê-los mortos a recuar agora?

— Sabe de alguma coisa que não sabemos, Babe? — perguntou Carmen.

Babe olhou para ela surpresa. — O que quer dizer com isso?

— É que a forma como falou pareceu tão segura. Só estou imaginando se sabe de algo sobre Katzev que nós não sabemos. Você mencionou que o conheceu há algum tempo.

Babe fez um gesto com a mão. — Isso foi há vinte anos.

Carmen continuou a cercá-la cuidadosamente. — Você o conhecia bem? Foi por tempo suficiente para saber o que ele poderá fazer quando enviarmos o vídeo? Ou se ele se importa com a família pobre?

— Vinte anos mudam qualquer pessoa, Carmen. Você. Eu. Jake. Vincent. Somos todos diferentes. A pessoa que eu era há vinte anos evoluiu radicalmente. Naquela época, eu era uma pessoa diferente. O mesmo vale para todos nós. Como posso dizer a você que o homem que conheci naquela época é o mesmo de agora, quando não é verdade?

Na superfície, era uma resposta razoável, mas Carmen não deixou de perceber o fato de que Babe ainda não respondera à pergunta. Ela não dissera se conhecia Katzev bem. Ela não dissera que tivera um caso com ele. Ela optara por não divulgar aquela informação.

— Eu não sabia que você conhecia Katzev — disse Jake, sobressaltando Carmen com o tom furioso da voz. Estava claro, pela expressão tensa que ele tinha no rosto, que achava que devia ter sido informado disso. Que ela devia ter divulgado essa informação. E ele estava certo. — Como o conheceu?

Babe deu de ombros. — Foi há tempo demais — disse ela. — Não me lembro.

— Não importa — disse Jake. — O fato de que o conhece certamente deveria ter sido mencionado em algum momento desde que me envolvi nessa história. Você nunca me disse nada sobre isso. Eu acho que é importante o fato de que você o conhecia, não importa quanto tempo faz. Você sabe qual é a aparência dele, pelo amor de Deus, quando nem eu nem Carmen sabemos.

Carmen olhou para Jake com outros olhos. Ele estava genuinamente furioso, como era de se esperar. Ela observou Babe puxar uma das cadeiras vermelhas e sentar-se. Ela dobrou as pernas e era o retrato da calma. — Eu o conheci por intermédio de Jean-Georges — disse ela.

— Onde?

— Honestamente? Não me lembro. Provavelmente em uma festa. Eu costumava ir a muitas festas naquela época. Várias por semana. É algo que nós, McAdoo, tínhamos que fazer. Ir a festas. Participar dos eventos sociais certos. Aparecer nos lugares certos. Somos parte da velha guarda da sociedade de Nova Iorque, como dizem. Antes de meu pai morrer e eu ficar livre para fazer o que quisesse, ele esperava que todos os filhos seguissem as regras ou ficariam fora do testamento. Portanto, nós almoçávamos, tomávamos café da manhã, íamos à igreja, íamos ao campo para caçar, íamos a jantares, passávamos o verão em Northeast Harbor, misturávamo-nos com nossa própria espécie aqui, lá e em todos os lugares.

— Laurent era da sua "própria espécie"? — perguntou Jake.

Babe riu. — Dificilmente. Ele era um novo-rico. Não me lembro em que festa eu fui apresentada a ele, Jake, mas não importa. Provavelmente, ele era convidado de alguém em algum evento aleatório. O mesmo com Katzev. Sempre existem aqueles com dinheiro novo que querem ser um de nós. Aqueles dois não eram diferentes. — Ela ergueu as mãos em frustração. — Mas como isso ajuda nossa situação agora? — perguntou ela. — Precisamos nos concentrar naquele vídeo e em Chloe.

— O que me deixa confuso é que você disse que foi apresentada a ele e depois que você o conhece. Há uma diferença aí.

— Muito pequena.

— Você o conhecia bem, Babe? — pressionou Carmen.

E Babe McAdoo, da família McAdoo, que não era boba e podia perceber quando estava sendo pressionada por um motivo sólido, como agora, resignou-se a ser honesta. — Bem o suficiente para ter um caso com ele — disse ela. — Novamente, isso foi há vinte anos. Mas tivemos um pequeno caso.

Incrédulo, Jake olhou para Carmen e virou-se novamente para Babe. — Um pequeno caso?

— É isso mesmo. Um caso. Começou naquela festa. Eu estava meio bêbada, ele não. E devo dizer, ele é muito bonito. Ele me levou a um dos quartos no andar de cima e aconteceu. O menor pênis que já vi na vida, parecia um morango dentro de um cesto, mas todo o resto foi bom. As mãos dele. A língua. A agressividade. Nós nos encontramos duas vezes depois disso, mas por fim eu terminei com ele. Ele só estava me usando e, apesar de ter um corpo bonito, a visão dele nu da cintura para baixo era revoltante. Terminou de uma forma pior do que vocês possam imaginar, mas quem se importa? O caso, se quiser chamá-lo assim, não significou nada. Eu deveria ter contado, mas fiquei com vergonha de tocar no assunto.

— Deveria ter contado — disse Carmen.

— Quem contou a você? — perguntou Babe. — Alguém contou. Você não me pressionou à toa.

— Não importa.

— Provavelmente Gelling — disse ela. — Deu a ele outro motivo para respirar mais uma vez. Desapontador, de verdade. Eu achei que podia confiar nele.

— Eu não disse que foi Gelling.

— Minha querida — disse Babe, olhando Carmen nos olhos. — Você não precisava dizer.

— Quando você ficou sabendo? — Jake perguntou a Carmen.

— Há alguns minutos no telefone. Também fiquei surpresa.

— Gelling — disse Babe. — Querido Gelling.

— Babe, espero que entenda como essa informação nos faz questionar se podemos mesmo confiar em você — disse Jake.

Babe assentiu. — É claro que entendo. Eu não fui honesta sobre o assunto. Erro meu. Eu mantenho grande parte da minha vida privada em um lugar reservado, como todos nós. Eu, por exemplo, não sei praticamente nada sobre você, Jake. Você só fica sentado julgando, mas o que sabemos mesmo sobre você? Quem é você?

— Somente um assassino, Babe. Você sabe como trabalhamos.

— Eu sei — disse ela. — E entendo. Eu sei por que você está chateado. Pode confiar em mim. Não há nada que eu queira mais do que ver Katzev morto.

— Por quê? — perguntou Carmen.

— O motivo pelo qual nosso breve caso acabou tão rapidamente? Eu nunca contei isso a ninguém, mas acho que lhe devo uma resposta. Katzev me bateu. Eu cometi o erro de rir quando vi o quanto seu pênis era pequeno. Eu disse isso enquanto nos beijávamos depois do sexo. Eu achei que tinha senso de humor sobre o assunto, porque era tão maravilhoso em tudo o mais, e eu disse isso a ele. Mas ele não gostou nem um pouco da minha risada. Ele não gostou quando eu o chamei de "minipênis". E por causa disso, ele me bateu tanto que eu o avisei de que, se algum dia chegasse perto de mim novamente, eu o mataria. Éramos muito jovens na época. Ele não era tão poderoso como é agora. Estava apenas começando. Mas, naquele tempo, ele via minha família como poderosa e tão bem relacionada que minha ameaça tinha peso real. Ele sabia que cometera um erro. Estávamos em um hotel quando isso aconteceu. Um lugar meio fora do caminho no West Side onde eu saberia que não encontraria ninguém conhecido. Essas coisas ainda importavam para mim, pois papai ainda estava vivo. Katzev pegou suas coisas, saiu e nunca mais tive notícias dele depois disso.

— É só isso? — Carmen perguntou, reconhecendo a verdade quando a ouvia.

— É isso, Carmen.

— Você deveria ter contado — disse Jake.

Babe se virou e lançou-lhe um olhar tolerante. — Quando uma mulher apanha, Jake, não é exatamente algo de que ela queira se lembrar. Eu pedi desculpas. Sei que deveria ter contado. Entendo que a confiança entre nós foi abalada. Vocês decidirão se continuaremos como uma equipe. É simples. Ou vamos trabalhar juntos para acabar com aquele filho da puta, ou vocês dois saem daqui agora e esqueçam que um dia nos encontramos.