Vingança em Manhattan

Christopher Smith · Capítulo 16 de 32

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Vingança em Manhattan

Capítulo 16

Aberdeen, Escócia

Liam Martin, amigo de longa data e colega de Vincent Spocatti, com quem recentemente unira forças para matar a esposa e a família de um banqueiro inglês que se recusara a pagar os milhões que devia a um dos clientes de Spocatti, chegou ao aeroporto de Aberdeen com apenas uma bagagem de mão, um sobretudo e uma missão.

Para que as informações pudessem ser usadas o mais rápido possível, ele recebera pouco mais de duas horas para conseguir as fotos e o vídeo solicitados. Depois disso, deveria enviar tudo para Spocatti, que os enviaria diretamente para Carmen.

O mais depressa que pôde, ele foi até a locadora da Alamo, onde alugou um Lincoln MKX, grande o suficiente para suas necessidades, comparáveis ao próprio tamanho de Liam.

Liam Martin, antigo fuzileiro real, além de ser alto, fora fisiculturista, o que tinha suas bênçãos e suas maldições. Aos quarenta e dois anos e naquela linha de trabalho, era raro não ver o tamanho como uma bênção. Somente quando a situação era fisicamente um problema, como ao limitar suas possibilidades de esconderijos ou de entrar em espaços confinados, ele desejava ser menor.

Dentro do Lincoln preto brilhante, com os vidros escurecidos, ele deu um telefonema e disse simplesmente para a pessoa que atendeu: — Quinze minutos.

Desligou o telefone, saiu do aeroporto e pegou a esquerda na Dycer Druve. O outono descera sobre a Escócia, que não mostrava os verdes profundos que Liam passara a amar e associar ao país durante as várias vezes, frequentemente durante o verão, em que fora contratado para trabalhar lá.

A terra estava endurecendo e as árvores tinham poucas folhas. Havia um toque gelado no ar, portanto, ele ligou o ar quente e o aquecedor do banco do motorista, e dirigiu pela estrada ondulante até chegar a um cruzamento, onde parou e pegou à direita na A96. Dirigiu por mais cinco quilômetros antes de parar no acostamento, onde seu contato esperava em um SUV Audi preto.

A troca foi rápida e sem palavras. Em uma mochila grande de couro colocada na traseira do MKX, estavam todos os rifles, as armas e a munição de que ele precisava. Em uma mochila menor, estavam as câmeras e os equipamentos de vídeo, que eram tão poderosos que Liam Martin poderia fazer todo o trabalho a uma distância confortável, sem chamar a atenção para si mesmo. Até que recebesse a ordem de fazê-lo. Se, é claro, a ordem chegasse.

Ele agradeceu ao seu contato, pressionou um botão que fechou e travou o porta-malas e voltou ao carro para continuar na A96. Dirigiu até a B979, reduziu a velocidade e entrou à esquerda.

A fazenda dos Kester ficava a cerca de dezesseis quilômetros. As fotos que ele vira on-line da propriedade sugeriam que era de tamanho médio e apenas com a finalidade de criação de ovelhas para ordenha, cujo leite era usado para produzir um tipo de queijo popular vendido no Reino Unido. Era uma operação que acontecia o ano inteiro e a única fonte de renda do clã dos Kester. O sol estava se pondo, mas ainda estava claro o suficiente, e ele esperava ver as ovelhas no pasto. Também esperava ver os Kester trabalhando com os animais.

No Google Earth, ele notou faixas de árvores em torno da propriedade, que seriam esconderijos perfeitos para que pudesse tirar as fotografias e gravar os vídeos, principalmente porque a propriedade era grande o suficiente para exigir lentes poderosas. Mesmo se fosse visto, ele teria tempo de ir embora ou atirar, caso viessem atrás dele armados alegando invasão de propriedade.

Ele esperava que viessem armados. Era o que expressaria a melhor mensagem, mesmo que não tivesse sido contratado para matá-los.

Não demorou muito até que chegasse à fazenda. Ele passou por ela, para que pudesse observá-la bem, antes de parar no acostamento bem à frente.

O coração dele batia com força por causa da empolgação. Centenas de ovelhas estavam espalhadas nas colinas. Oito ou nove Kester estavam cuidando delas, a maioria deles homens. Ele não sabia quem eram, mas Illarion Katzev saberia. Provavelmente irmãos e primos. Talvez um tio, pensou, ao ver um senhor mais velho levantar a mão quando passou por ele.

Mas a senhora que ele vira no campo, aquela com os cabelos brancos puxados para trás, que estava parada na periferia, dando ordens ao grupo, ele sabia quem era.

Recebera a fotografia dela ao aceitar o trabalho.

Era a mãe de Katzev. E estava completamente à vista.