Vingança em Manhattan
Capítulo 3
Quando chegaram ao Bar Peacock Alley do Waldorf Astoria, cada um pediu um martíni e um copo d'água, apesar de só tomarem a água. O drinque foi pedido para satisfazer o barman.
— Não vão pensar em nos procurar aqui — disse ela. — Deixe-me dar um telefonema. Volto em alguns minutos.
Ela caminhou até sair do bar, entrou à direita, desceu um corredor com elevadores de latão art déco em um lado e banheiros no outro, até entrar no enorme saguão.
Era quinta-feira à noite e estava tarde. As poucas cadeiras ao longo das paredes estavam vazias. Ela escolheu uma perto do enorme piano, que ficava acima dela no mezanino, e sentou-se.
Só havia uma pessoa que ela conhecia e que poderia ajudá-la com essa situação: seu colega Vincent Spocatti. Ele era o melhor no negócio, e tinha mais habilidades, instintos e contatos que qualquer outra pessoa que conhecia. Depois de trabalharem juntos há um ano na Wall Street, esperava que ele não se importasse com o telefonema dela agora.
Ela encontrou o número dele no celular e discou.
Se havia alguém que saberia algo sobre Katzev, como ela poderia chegar perto dele ou descobrir onde morava, era Spocatti. E, se ele não soubesse, provavelmente conheceria alguém que saberia.
— Carmen — disse ele ao atender. — Que surpresa você me telefonar. Que conclusão devo tirar disso?
— Que estou encrencada.
— Ouvi falar de Alex — disse ele. — Sinto muito. Eu gostava dele. E ouvi dizer que você também.
Ela não respondeu.
— Onde está agora?
— Em um hotel em Manhattan. Você?
— Atrás de cortinas em uma casa em Capri.
— Entendo.
— Você deveria ver a vista. É impressionante.
— Se não for uma boa hora, Vincent...
— O dono estará aqui em breve, mas temos tempo por enquanto. Disseram que talvez ele se atrase. Do que precisa?
— Preciso que me ajude a encontrar uma pessoa. Se eu trabalhei para ele, certamente você também.
— Quem é?
— Katzev.
— O russo falso?
— Katzev não é russo?
— Escocês. Mas ele dominou o sotaque, tenho que admitir, apesar de ele ser um filho da puta. O mesmo vale para seu ex-associado, Jean-Georges Laurent, que ouvi dizer que está morto. Tiros no rosto no Four Seasons em um salão cheio de pessoas, que incluíam gente como minha velha amiga, Leana Redman. — Ele ficou em silêncio por um momento. — Atirar naquela multidão deve ter sido incrível.
— E foi.
— Por falar nisso, bom trabalho.
— Eu não estava sozinha.
— É, ouvi dizer.
— Você ouve bastante coisa.
— Acho que estou me tornando uma espécie de guru — disse ele. — As pessoas me contam coisas. Isso foi só uma conversa em muitas naquele dia. Não lembro quem me disse isso, então nem adianta perguntar.
Ela não pretendia. Mas apreciou a discrição dele, mesmo que isso significasse que não saberia quem contara a ele, ou por quê.
— Então, o que está havendo? — perguntou ele. — Qual é a encrenca?
Ela contou a ele.
O consórcio para quem ela e Alex trabalhavam decidira que eles deviam morrer. Ela não sabia o motivo, mas Jean-Georges Laurent quase fez com que ela e Alex matassem um ao outro. Laurent fizera isso porque achava que ela e Alex sabiam demais sobre a organização? Impossível. Ela só sabia o que ele e Katzev haviam contado, o que era mínimo.
Em um esforço para enviar uma mensagem de que ameaçá-los não adiantaria, eles mataram Laurent. E então, algumas semanas depois, Alex fora assassinado e ela quase não escapara viva.
Agora ela estava de volta a Manhattan em busca de vingança.
— As pessoas que mataram Alex — disse Spocatti. — Por que está convencida de que eram do consórcio?
— Porque matamos Laurent.
— E daí? Você e Alex mataram dúzias de pessoas em suas carreiras. Poderia ter sido qualquer um. Por que eles?
— Porque, seja qual for o motivo, Laurent nos queria mortos. Tenho certeza de que há outros que gostariam de ver isso acontecer, mas não certa de que sejam esses outros.
— Só porque você não está certa, não significa que não haja mais alguém tentando matá-la.
— Você sabe de alguma coisa, não sabe?
— Normalmente sei — disse Spocatti. — Mas não dessa vez. Deixe suas opções em aberto. Qualquer pessoa poderia estar atrás de você. De fato, várias estão. Mas, por enquanto, vamos considerar o óbvio e dizer que é Katzev e o resto do consórcio. Eles estão loucos por vingança porque você matou Laurent. Você está louca por vingança porque eles mataram Alex e quase a mataram. Como posso ajudar?
— Preciso saber onde Katzev mora.
— Não faço ideia.
— Um palpite?
— Provavelmente Manhattan. Talvez Milão. Ou pode ser Paris. Ora, pode ser a Rússia, já que ele obviamente adora o país o suficiente para associar sua imagem a ele. Ou a Escócia, afinal, ele é escocês. O que estou dizendo é que ele pode estar em qualquer lugar. Sempre que precisei lidar com ele, foi usando uma linha segura. O trabalho me foi oferecido, negociamos o preço, recebi metade do dinheiro no dia seguinte e o resto quando terminei o trabalho. Presumo que tenha sido assim com você.
— Foi. Mas você tem conexões, Vincent. Em todos os lugares. Você deve conhecer alguém que sabe onde ele mora.
— Conheço algumas pessoas que talvez saibam, mas não posso lhe dar os nomes delas, Carmen. Não é assim que funciona e você sabe disso.
— Então deixe por conta delas — disse ela. — Pode telefonar para elas e dar o meu número? Se resolverem me ajudar, é decisão delas. Dessa forma, você não compromete ninguém. Será decisão delas telefonar e se envolver, se quiserem. Você sabe que não vou dizer nada se concordarem em me ajudar. Não é assim que eu trabalho.
— Eu sei que não.
— Você vai dar os telefonemas?
— Sim, vou dar os telefonemas.
— Eu agradeço, Vincent.
— Talvez não seja Katzev nem o consórcio, Carmen. Você precisa considerar todos os trabalhos que já fez. Eu sei que é uma tarefa cansativa, mas precisa fazê-lo e pensar em quem mais pode estar querendo matá-la. Você precisa descobrir como alguém subitamente a encontrou em Bora Bora, de todos os lugares, sendo que você tinha aquele lugar há anos. Depois desse tempo todo, como encontraram você? Isso tem cara de ser algo recente. Já vasculhou a vida de Alex? Ele escorregou e falou com alguém? Se falou, com quem foi? E com quem essa pessoa falou?
Ela sentiu um calafrio e olhou pelo longo corredor que levava ao bar, onde Jake a esperava. Ele mencionara que falara com Alex antes que eles partissem para a ilha. Com quem ele falou depois disso?
— Preciso ir — disse ela. — Vou levar tudo em consideração. Você vai dar os telefonemas?
— Já disse que sim.
— Eu agradeço.
— Tome cuidado, Carmen. Mantenha a mente aberta. E mantenha contato. Farei o que puder de longe.