Vingança em Manhattan
Capítulo 10
Max trouxe uma bandeja com um bule de café, xícaras, pires, creme, adoçante e biscoitos, colocou-a sobre a mesa entre Carmen, Babe e Jake e ofereceu-se para servir.
— Não precisa — disse Carmen. — Obrigada.
Ela serviu uma xícara de café preto, deu um gole, decidiu que era gostoso e pegou um biscoito açucarado do prato. Com exceção do biscoito e do queijo que comera mais cedo, não se alimentara o dia inteiro. Ela deu uma mordida e olhou para Jake.
— Qual é o seu nome verdadeiro? — perguntou ela.
— Fred.
— Então, Jake — disse ela. — Por que não me conta o que sabe? Por que queriam eu e Alex mortos?
— Você está no fim do ciclo — disse ele.
Ela sabia o que aquilo significava, mas queria pressioná-lo para ver o quanto revelaria. — E o que isso significa?
— Não é óbvio? Mesmo antes de matar Laurent, eles não queriam mais você. Achavam que você sabia demais e que era hora de investir em outras pessoas com as mesmas habilidades.
— Sabia demais sobre o quê?
— Não faço ideia.
— Você deve ter alguma ideia.
— Não tenho. Mas eles acham que vocês sabiam demais sobre alguma coisa. Talvez sobre eles. Talvez sobre algo que eles fizeram. Talvez sobre algo que Alex fez. Vai saber. — Ele se inclinou para a frente e serviu uma xícara de café. — Mas agora que você matou Laurent, também a querem morta por assassinar o colega deles. Talvez especialmente porque você o matou e ousou desafiá-los. Todos os recursos deles estão agora apontados para você, Carmen. Eles querem enviar uma mensagem aos outros agentes que trabalham para o consórcio. Mexa com eles e você vai morrer.
— Quantos estão atrás de mim?
— Um bom palpite? Outro agente recentemente me disse que o consórcio emprega umas dezessete pessoas. Um pouco mais, um pouco menos. Provavelmente mais. Antes da morte de Alex, isso incluía você, Alex, eu e os dois homens que morreram ontem à noite — aquele cujo peito você esmagou e o outro que foi atingido pelo caminhão. Conosco fora do circuito, sobram cerca de doze pessoas. Mas ninguém sabe ao certo.
— Por que você está fora do circuito, Jake?
— Fim do ciclo. Estão fazendo uma faxina. Aparentemente, eu também sei demais, apesar de não saber sobre o que e nem ter tempo de descobrir. Quero sair dessa cidade e dessa vida. Hora de mudar.
— Eis o que não faz sentido para mim — disse ela. — Se o consórcio o quer morto, por que concordou em trabalhar para eles na noite passada? Por que estavam enviando mensagens a você sobre a minha localização?
Ela olhou para Babe, que olhava para Jake com as sobrancelhas cerradas.
— Só eu que acho isso estranho? E você, Babe?
— Sim.
— Então, por que não explica, Jake? Como você é um alvo em um dia e o campeão deles no dia seguinte?
— Não sou o campeão deles, Carmen, mas vou contar o que aconteceu. Os dois homens contratados para me matar na noite passada provaram que o consórcio me quer morto. Eu precisava ganhar tempo e achar um jeito de sair da cidade em segurança. Por causa do que você fez a Laurent, achei que teria mais uma chance com eles e aceitei. Depois que o cara que me perseguiu morreu, entrei em contato com Katzev e prometi a ele que poderia entregar você. Disse a ele que sabia que queriam me matar, mas pedi uma chance de provar minha lealdade a eles. Portanto, usei meus contatos. Encontrei você. Ganhei tempo. Quando me deixou sozinho no bar, respondi à mensagem deles, deixei um bilhete para você e dei o fora antes que eles chegassem. Nós dois sabemos que, quando você é marcado para ser eliminado, é o fim. Claro, eu a encontrei para eles. Mas ainda tentarão me matar.
— Portanto, em outras palavras, você armou para mim por nada.
Ele a estudou por sobre a xícara de café. — Não. Em outras palavras, ganhei um pouco de tempo. Você está nesse negócio há tempo suficiente para saber que não é uma coisa pessoal, Carmen. Também sabe que não lhe devo nada. Minha primeira responsabilidade é para comigo mesmo. Isso também vale para você. Se eu puder ganhar tempo e descobrir um jeito de sair dessa cidade e me afastar de Katzev e da turma dele, é o que pretendo fazer.
— Mas, mesmo assim, está sentado aqui — disse ela. — Por quê?
Babe McAdoo virou-se na cadeira e olhou para Carmen com prazer estampado no rosto. — Finalmente — disse ela. — A melhor parte.
— Qual é a melhor parte, Babe?
— Vamos ter uma aventura — disse ela. — A maior e mais agressiva da minha vida.
Carmen viu e esperou.
— Será divertido — disse Babe. — Só nós três, com Spocatti a um telefonema de distância para ajudar, se precisarmos. Ah, e desde que receba telefonemas nossos com atualizações diárias para nutrir a parte dele que precisa ser alimentada para mantê-lo vivo, Gelling prometeu acesso a todos os contatos dele. E, claro, temos os meus, que vão muito além nas raízes de Nova Iorque do que Katzev pode imaginar. Afinal, essa não é a primeira vez que entro no show.
Carmen sustentou o olhar de Babe e ficou imóvel. Ela olhou para aquele passarinho zen estranho sentado à sua frente — o cabelo vermelho e o caftan amarelo contrastando com a sala que ela cobrira de ouro — e não pôde impedir suas entranhas de se revirarem. Vamos, pensou ela. Diga em voz alta.
— Não vê? — perguntou Babe McAdoo. — Vista sua armadura, Carmen. Vamos derrubar o consórcio.