Vingança em Manhattan

Christopher Smith · Capítulo 26 de 32

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Vingança em Manhattan

Capítulo 26

— Max — disse Babe, quando ouviu a batida na porta. — É o Vincent. Você o conhece. Verifique o monitor de segurança e certifique-se de que seja ele antes de abrir a porta. Ele precisa sair depressa, então deixe-o entrar assim que possível e traga-o até nós.

Max assentiu e saiu da sala.

Babe olhou para Carmen com um olhar preocupado. — Eu acho que você precisa de nós — disse ela, quando Carmen e Jake se levantaram. — Não acho que fizemos o suficiente. Não gosto dessa ideia de você ir sozinha com Vincent, e não é por causa de Vincent. Mas porque Katzev é um trapaceiro. Ambas sabemos que não estarão só ele e um capanga no local onde você o encontrará. Ele terá uma equipe esperando. É uma armação. Isso não a preocupa? Eu sei que você pensou bem nisso.

— É claro que sim — disse Carmen. — Mas o que posso fazer? Gelling está morto. E, com ele, os nomes dos membros do consórcio que estava tentando compilar para mim.

— Já pensou em telefonar para o assistente de Gelling, Frank? Você sabe, aquele homem enorme com o relógio que cobre o olho? Ele está com Gelling há anos e pode saber de alguma coisa.

Carmen parecia derrotada. — Quando fui ao banheiro há alguns minutos, telefonei para Frank. Ele disse que não tem conhecimento de lista nenhuma.

— Isso é mentira — disse Babe. — Aquele homem sabe de tudo sobre Gelling. Ele limpava a bunda do homem, pelo amor de Deus. Não acredito nisso nem por um minuto.

— Nem eu. Mas, sem a ajuda dele e sem aquelas informações, não tenho nada para usar contra Katzev. Ele tem a vantagem com Chloe. Ele sabe que farei qualquer coisa para mantê-la segura. Goste ou não, sendo tão neutra quanto é possível, ele está comandando o espetáculo.

— Mas você tem Liam — disse Babe. — Você tem a família de Katzev bem na palma da mão. Certamente, isso é alguma coisa. Um telefonema para Liam e a vida deles já era. Isso deve incomodar Katzev. Liam poderia matar a mãe dele, pelo amor de Deus.

— Eu não acho que ele se importe, Babe.

— Por quê?

— Porque eles não são o consórcio, que é o mundo dele. Foi o que ele construiu com Jean-Georges e que foi um sucesso muito grande. Você viu o vídeo de Liam. Apesar de Katzev ser tão rico, a família dele está passando dificuldades. A mãe dele estava implorando ajuda. A casa atrás deles precisava de reparos urgentes. Nenhum deles tinha aparência de bem-sucedido. — Ela ergueu um dedo. — Isso não deveria acontecer, se Katzev os estivesse ajudando? Seja qual for o motivo, ele não os ajuda. Acho que ele tomou uma decisão consciente de se distanciar deles. Em se tratando de salvar a única coisa que o deixou tão rico como ele é hoje, eles não significam absolutamente nada. Estão em último lugar.

Naquele momento, Spocatti entrou na sala. Carmen olhou para ele e não pôde evitar um sentimento de alívio. Ele usava uma camiseta preta, jeans pretos e um casaco preto para esconder o que estava carregando. Ele usava sapatos pretos com solas que tinham aderência no asfalto, no concreto ou na madeira, ao mesmo tempo em que davam tração suficiente para correr, se fosse preciso.

Ela não o via há algum tempo, mas a idade não o mudara. Ele ainda tinha o rosto masculino de um boxeador, que fora na juventude, e os olhos castanhos dos quais ela se lembrava tão bem, pois pareciam refletir a escuridão de tudo o que ele sabia e criara durante a vida. Os cabelos pretos fartos brilhavam com algum produto que ele passara. Ele estava em boa forma e bronzeado do tempo que passara em Capri e, ao vê-lo naquele momento, ela achou que ele era uma força. A presença que ele trouxera para o aposento era algo que poucos tinham. Nele, era natural.

Ele acenou com a cabeça para ela.

Antes que ela pudesse acenar de volta, Babe chamou o nome dele. Ela caminhou até ele e afastou a mão estendida para que pudesse abraçá-lo. Ela beijou o rosto dele antes de se afastar. Havia alguma coisa na forma como ela se encostara nele, com o pé direito levantado, que disse a Carmen tudo o que ela precisava saber sobre o relacionamento deles. Eis o jovem assassino com quem ela dissera que tivera um caso. Eis o homem que abrira os olhos dela para a vida perigosa que ela levara por duas décadas.

— Como foi sua viagem? — perguntou ela.

— Ocupada.

— E Capri?

— Mais ocupada ainda.

— Você parece bem.

— Veremos como parecerei amanhã de manhã. — Ele olhou para o outro lado da sala, onde estava Jake, parado em frente a uma das cadeiras vermelhas. — Jake — disse ele.

— Vincent.

— Fiquei sabendo que também está encrencado.

— Eu quero ir com vocês — disse ele. — Quero ajudar. Katzev também veio atrás de mim. Carmen pode acabar com ele, mas quero vê-lo morrer.

— Não pode. É só eu e Carmen. Foi a promessa que fiz para chegar até Chloe. Mas agradeço a oferta.

— Não será só vocês dois — disse Babe.

— Eu sei disso.

— Então deixe-o ajudar. Ele tem motivos muito bons para querer ver Katzev morto.

— Não vai acontecer, Babe. Além disso, Carmen e eu podemos lidar com Katzev e seus homens. Tiraremos Chloe de lá e lidaremos com o resto deles.

— Quem vai pegar Chloe? — perguntou Jake.

— Diremos a ela para correr.

— Se for esse o caso, posso estacionar o carro na rua perto de onde vocês vão encontrá-los e pegá-la quando a vir.

— Mas você não vai ficar no carro, Jake — disse Spocatti. — Ambos sabemos disso. Ambos sabemos que você quer sua própria vingança de Katzev e do consórcio por tentarem matá-lo. Eu sei. Eles foram atrás de você. Quase o mataram. Mas essa é a noite de Carmen. Se alguém aqui vai atirar uma bala na cara de Katzev, é ela.

— Não vou interferir. Só quero assistir.

— Você está envolvido demais no momento. Não acredito nisso.

— Por que está tentando me deixar de fora?

— Não estou deixando você de fora. Fiz um acordo com Katzev. Ele concordou em se encontrar comigo e com Carmen. Ponto. Não é pessoal, pare de agir como se fosse. — Ele olhou para Carmen. — Quando dissermos a Chloe para correr, acha que ela ficará bem? Nas ruas, quero dizer. Ela ficará em segurança?

— Ela é mais durona do que deveria, na idade dela, mas nada a ajudará se ele tiver homens em volta do lugar, o que é uma possibilidade. — Ela olhou para Jake. — Talvez seja melhor repensarmos. O que ele está propondo não é uma má ideia.

— Só nós dois, Carmen.

Carmen sentiu outra pontada de preocupação por Chloe. Ela estava ficando cada vez mais desconfortável com a forma como as coisas se desdobravam e tentou novamente. — Acho que devemos reconsiderar.

Mas Spocatti ficou firme. — Eu não acho. Eis porque não me importo que seja só nós dois. Eu disse a Katzev que, se alguma coisa acontecer conosco ou com Chloe, entrei em contato com amigos que o encontrarão e o matarão imediatamente. Essas pessoas são leais a mim, salvei a vida delas. Farão isso sem pensar duas vezes. Eu disse isso a Katzev. Acho que estaremos bem, mas concordo. Precisamos estar preparados se ele fizer alguma coisa idiota.

— Preparados como?

— Precisamos ficar alerta.

— Só isso?

Ele não respondeu.

— Onde vamos encontrá-lo?

Ele olhou para Babe e Jake. — Sem querer ofendê-los, preciso dizer a ela em particular. — Ele olhou para o relógio. — Pegue suas coisas. Babe tem tudo de que você precisa no porão. Sairemos em dez minutos.

— Vocês dois podem ir para o porão — Babe disse para Carmen e Spocatti. Ela não estava acostumada a ser deixada de lado de forma tão grosseira e parecia furiosa. — Peguem o que precisarem. Vou tomar um drinque.

* * *

 

Quando Carmen e Spocatti saíram oito minutos mais tarde, cheios de armas escondidas e bolsos cheios de munição, agradeceram à anfitriã, que se levantou para levá-los até a porta, mas não disseram nada a Jake, que estava sentado em uma das cadeiras vermelhas e com o rosto virado para longe deles. Ele estava furioso e isso era claro. Depois que Spocatti e Carmen saíram, Babe imediatamente entrou correndo na sala.

— Aquela garota está indo direto para o perigo — disse ela. — Onde você estacionou o carro?

— Mais adiante na rua.

— Perfeito. Max! — chamou ela. — Pegue meus sapatos de corrida. Depressa.

Ela começou a tirar os sapatos, mas manteve os olhos nele. — Eles vão pegar um táxi — disse ela. — Só temos alguns minutos antes de perdê-los de vista. Presumo que tenha coisas úteis em seu carro? Coisas que serão úteis ao apontar para o rosto de alguém?

— Tenho um porta-malas cheio dessas coisas.

Max entrou na sala com os sapatos de corrida dela. Babe os calçou.

— Não costumo dizer isso, mas não concordo com Vincent. Não sei por que ele foi tão irracional. Alguém precisa estar lá para pegar aquela garota quando ela sair do prédio. Caso contrário, não sei o que acontecerá com ela. E de que adianta isso tudo, se ninguém estará lá para ajudá-la?

— Pegamos a garota — disse ele. — Eles pegam Katzev. Só quero estar lá quando isso acontecer. Quero ter certeza de que ele está morto.

— Então vamos enquanto ainda há tempo para segui-los. Vamos. É bem possível que já os tenhamos perdido.