Vingança em Manhattan
Capítulo 32
— Para trás — disse Jake. — Soltem as armas.
Carmen soltou a arma e recuou um passo com Chloe, segurando a garota atrás de si para protegê-la, notando que a lâmina no sapato ainda estava para fora. Os olhos dela encontraram-se com os de Jake. Ainda havia veneno na lâmina? Certamente havia um pouco, mas de quanto veneno ela precisava para matá-lo?
Spocatti começou a se mover, mas, em um flash inesperado, ergueu a arma e a bala que ele atirou no rosto de Jake também explodiu o cérebro dele, enviando-o para outro mundo.
Carmen assistiu incrédula. Fora tão rápido. Sem esforço algum. Jake caiu no chão e começou a contorcer-se à medida que a vida o deixava. Vincent chutou a arma dele para longe e observou-o por um momento, antes de dar um passo à frente e inclinar-se sobre Jake.
— Veio para fazer uma bela cena, não foi? Provavelmente tinha tudo planejado. Lamento, amigão.
O sangue começou a borbulhar e escorrer pelos ouvidos e pelo nariz do homem, vindo do cérebro. Carmen olhou além dele. Eles estavam expostos, com dezenas de carros atrás deles com os faróis ligados. Se alguém os visse, também veria o que estava acontecendo.
Ela rapidamente deu um passo à frente, agarrou o colarinho de Jake e puxou-o para dentro para que pudesse fechar a porta da garagem, que fez um barulho ao bater no chão. Ela olhou para Chloe e viu o horror no rosto da garota.
— Fico imaginando qual seria seu discurso, Fred — disse Spocatti. — Tenho certeza de que você tinha um prontinho para dizer a mim e a Carmen. Deve ser uma merda não poder dizer nada. Na verdade, deve ser uma merda não poder dizer nada nunca mais.
Jake, ou Fred, cujo sobrenome eles desconheciam, fez um esforço, em seus últimos suspiros, para olhar para Spocatti. Era um olhar sem foco. Não havia mais ódio nos olhos dele. Em vez disso, somente a luta para permanecer vivo, que ele estava perdendo.
Spocatti avançou em direção à porta da garagem e olhou para Carmen, que estava retraindo a lâmina do sapato. — Não vim de Capri até aqui para aguentar as merdas desse cara — disse ele. — Vamos embora.
Ele abriu a porta e, antes de fechá-la, virou-se para olhar para o homem que viera matá-los. — Vou avisar para que escrevam Jake em seu túmulo, Fred. — Então, para Carmen, ele disse: — Eu sei que fui rude. Peço desculpas, mas tinha que parecer real, caso ele se aproximasse e ficasse frente a frente com você. Eu sabia que você pretendia usar o sapato. Você fez bem por Alex. E por Babe, que receio que esteja morta, dado o sangue no rosto de Jake. Acho que os dois ficariam orgulhosos de você.
Carmen colocou a mão no bolso da calça e pegou o celular. Estava viva e não havia motivo para esperar. Para seu contato na polícia de Nova Iorque, ela enviou tudo o que sabia sobre o consórcio, que era o suficiente para acabar com ele para sempre. Adicionou uma observação dizendo que, se quisesse receber a promoção que ambos sabiam que ele queria e merecia, devia vir até o depósito agora.
— Nós pegaremos o nosso próprio táxi — disse ela para Spocatti.
— Amigos novamente?
— Estamos em um limbo no momento.
— Precisamos conversar.
— Talvez em um ano. Não tenho tempo para você agora.
Sem outra palavra, Carmen colocou o braço em torno da cintura de Chloe, puxou-a para mais perto e foi embora, deixando Spocatti para fechar a porta da garagem atrás delas e para sumir na noite, como fizera tantas outras vezes antes.
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