Vingança em Manhattan

Christopher Smith · Capítulo 24 de 32

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Vingança em Manhattan

Capítulo 24

Carmen estava sentada com Babe e Jake na sala de estar, olhando de vez em quando para o relógio, extremamente preocupada com Chloe, mas tentando controlar as emoções para se manter concentrada e resolver o problema quando tivesse a oportunidade.

A hora que deram a Katzev como prazo para responder chegara à metade. Não houvera resposta do homem que mantinha Chloe cativa e cujo bem-estar da família estava em risco por causa disso.

— Por que ele está demorando tanto? — perguntou Babe.

— Ele está fazendo o jogo dele, Babe. Fazendo com que nos preocupemos. Mas ele vai telefonar. É só uma questão de tempo.

Cinco minutos depois, o celular vibrou no colo dela. Todos olharam para Carmen, que olhou para baixo surpresa e viu que era Spocatti.

— É o Vincent — disse ela. Ela atendeu o telefone e o colocou no ouvido. — Aqui é a Carmen.

— Tão formal — disse Spocatti. — Aqui é o Vincent.

Ela ouviu os barulhos distantes de um avião. — Onde você está? — perguntou ela.

— A caminho de Nova Iorque.

— Está vindo para cá?

— Chegarei em algumas horas.

— Para quê?

— Para ajudar você. Falei com Katzev. Eu entendo que tenha dado a ele uma hora para entregar essa garota Chloe com quem você está tão preocupada, mas preciso que recue.

— Por quê?

— Não estou pedindo que recue para sempre, Carmen. Só até eu chegar aí. Depois, em troca da segurança da família dele, Katzev concordou em soltar Chloe. Parece que enviar Liam para a Escócia foi a coisa certa a fazer — Katzev está abalado. Ele concordou em nos encontrar em um lugar neutro, ainda não anunciado, mas sobre o qual concordaremos em breve. Ele irá com a garota e um dos homens dele. Katzev e o outro homem estarão armados. Eu disse a ele que chegaria somente com você e que também estaríamos armados. Portanto, no mínimo, em se tratando de artilharia, empatamos.

— Se é que podemos confiar nele, o que é meio difícil.

— Eu acho que podemos, mas você tem razão, nunca se sabe. Eu ouvi a voz dele. Ele sabe que você está falando sério. Especialmente, ele não quer que nada aconteça com a mãe dele. Não acho que ele se importe muito com os outros, mas a mãe significa alguma coisa. É ela quem ele quer proteger.

Era o que Carmen achava. — Então, Chloe está segura — disse ela. — E o que acontece comigo?

— É onde as coisas ficam meio obscuras.

— Como?

— Todos estaremos armados, Carmen. O clima será tenso. Não sei o que ele fará, mas você precisa manter os olhos nele durante todo o processo e estar preparada, pois ele atirará em você se tiver a oportunidade. Se achar que ele ou o homem dele estiver prestes a sacar a arma, atire neles. Ponto. Se isso não acontecer, saímos de lá. Também o estarei vigiando. Juntos, podemos acabar com ele, caso Katzev tente algo burro, mas haverá consequências se fizermos isso. Quando souber da morte de Katzev, o consórcio colocará todos os recursos que têm atrás de nós para nos matar. Seremos a prioridade número um deles. Eles não deixarão que dois dos membros do alto escalão sejam assassinados por qualquer um, especialmente porque estão convencidos que você tem informações sobre eles. Será uma guerra. Se isso acontecer, teremos que encontrar cada um dos membros e acabar com isso de uma vez por todas.

— Por que está fazendo isso, Vincent?

— Fazendo o quê?

— Ajudando a mim e a Chloe, sabendo que virará um alvo.

— Porque eu quero.

— Isso não combina com você.

— Carmen, você passou a significar alguma coisa para mim. Eu conheço os riscos. Tomei minha decisão. Quer que eu me afaste?

— Não.

— Então, muito bem.

— Eu acho que talvez tenha uma chance de descobrir quem faz parte do consórcio — relevou Carmen.

— Como?

Ela pensou sobre a conversa com Gelling. Se ele conseguisse os nomes, os endereços e qualquer outra coisa que pudesse descobrir sobre eles, o equilíbrio mudaria a seu favor. O consórcio teria que recuar ou teria que arriscar a morte ou a exposição.

— Conto a você quando chegar aqui. E, Vincent, tenho que insistir, o consórcio é problema meu, não seu. Eu acabarei com eles. Você não precisa arriscar a sua vida por mim.

— Eu não ofereço ajuda a qualquer um, Carmen. Especialmente de graça. Como você, eu trabalhei com o consórcio durante anos. Eles ficaram poderosos demais. Ficaram arrogantes, o que é perigoso. Eu acho que é hora de acabar com eles, antes que acabem conosco, como fizeram com Alex, e agora com você e Jake. Quem sabe? Eu não ando sobre a água. Posso ser o próximo.

— Muito bem — disse ela. — Mas ouça bem. Eles são os responsáveis pela morte de Alex. E também pelo que Katzev fez com Chloe, quero ter o prazer de matá-lo eu mesma.

— Ele é seu. Mas ambos sabemos que, se você for atrás de Katzev, o guarda dele virá atrás de nós.

— Não vejo como isso é um problema.

— Eu vejo. Não sabemos se ele é bom. Precisaremos agir rapidamente.

— Vai me telefonar quando chegar?

— Sim. Isso termina hoje à noite. Quando eu chegar, já terei conversado com Katzev e teremos concordado sobre o lugar. Avise Babe e Jake que vou buscá-la, mas só você. Eles ficarão desapontados, mas esses são os termos.

— Entendido.

— E Carmen — disse Spocatti, com um tom diferente na voz.

— Sim?

— Isso pode dar errado de muitas formas que nenhum de nós quer ou espera. Quero que saiba que, não importa o que aconteça, eu sempre a admirei.

 

* * *

Momentos depois, Carmen deu a notícia de que Babe e Jake estavam fora do esquema e que ela prosseguiria sozinha com Spocatti, que estava a caminho de Nova Iorque. Naquele instante, Max, o mordomo de Babe, entrou na sala com uma pressa incomum e abaixou-se ao lado de Babe, sussurrando algo no ouvido dela que Carmen não conseguiu ouvir.

Babe olhou para cima, com a boca aberta. — Não — disse ela.

Carmen viu o rosto dela ficar pálido.

— Receio que sim, madame.

— Mas não pode ser!

— Qual é o problema? — perguntou Carmen.

— É o Gelling — disse Babe. — Um acidente terrível. Terrível.

— O que aconteceu?

— De alguma forma, ele atravessou a janela do quarto andar. As pessoas na calçada o viram cair.

— Do que está falando? Ele está bem?

Ela balançou a cabeça. — Não — disse ela. — Gelling não está nem um pouco bem. Ele atravessou a janela, caiu na calçada e está morto. O pobre Gelling está morto. Max acabou de ver na CNN.

Carmen afundou na cadeira. Além do fato de que passara a gostar de Gelling, as informações que ele reunira sobre o consórcio naquela tarde morreram com ele. Era o único trunfo que ela tinha contra Katzev, a única coisa que sabia que poderia usar contra ele se fosse preciso. E ela sabia que seria preciso.

Sentada lá, atordoada pela notícia, ela sabia que, naquele momento, só tinha a família de Katzev para usar como barganha contra ele. Mas ela já sabia que não era muito. O que vira naquele vídeo fora uma família lutando para se manter unida. Com o dinheiro de Katzev, por que não estavam em uma situação melhor? Ele se recusara a ajudá-los? Obviamente sim. Eles significavam pouco para Katzev, incluindo a mãe, a quem ele podia ter dado uma vida melhor se quisesse.

Pior para Carmen, se eles não significavam nada para ele, teria alguma importância ameaçar matá-los? E, se não tivesse, o que ela tinha para usar contra ele?

 

* * *

 

— Onde vai ser o encontro com Katzev hoje à noite? — perguntou Jake.

— Não sei ao certo — disse Carmen. — Vincent disse que descobriria antes do avião pousar.

— Você sabe que não pode ir sozinha.

— Não vou sozinha. Vou com Vincent.

— Eu deveria estar lá — disse ele. — Katzev terá o pessoal dele lá, não vai sozinho.

— Provavelmente não, mas não posso arriscar. No mínimo, preciso tirar Chloe de lá. Você não entende o que ela significa para mim. É como uma filha. Ela está nessa situação por minha causa. Não importa o que vai acontecer comigo. Meu foco principal é tirá-la de lá e seguir o plano de Vincent.

— Mesmo se você morrer?

— Mesmo se eu morrer.

Ele olhou para ela desapontado, como se o fato de ela escolher a própria morte para salvar a vida de outra pessoa fosse uma afronta aos seus ideais como assassino. — Não sou exatamente um amador, Carmen. Eles não me verão nem me escutarão. Deixe-me ajudá-la.

O que Carmen queria dizer, mas não disse, é que ainda não confiava nele. Ainda não sabia quem ele era. Jake era um enigma. Durante o tempo que passaram juntos, ele não dissera quase nada sobre si mesmo. Quem era ele? O que ela sabia sobre esse homem que tivesse alguma importância? Nada. Houvera oportunidades em que poderia ter dado alguma pista sobre quem era quando estavam conversando com Babe, mas ele decidira permanecer escondido em uma sombra que criara.

Parte dela entendia. Era o que deviam fazer, manter silêncio.

Revelar o mínimo. Ele estava honrando a profissão. Ela entendia. Mas se sentiria muito melhor se soubesse alguma coisa real sobre ele.

Ela olhou para ele. Jake dissera que não tinha ideia do motivo pelo qual o consórcio o queria morto. Era verdade? Ela não tinha certeza, mesmo que fosse só pelo fato de ele ter sido honesto sobre tê-la entregado a eles em um esforço de ganhar tempo para sair da cidade e salvar a si mesmo. Ele faria isso novamente? É claro que sim. Pior ainda, se ela estivesse no lugar dele, faria a mesma coisa, o que complicava as coisas ainda mais. No coração deles, a sobrevivência era o que os definia. Era tudo o que tinham. Tinham que continuar, permanecer vivos, colocar a si mesmos em primeiro lugar. Como ela podia julgá-lo por isso quando provavelmente teria feito a mesma coisa?

Frustrado com ela, ele se recostou na cadeira e cruzou as pernas, abstendo-se de continuar a conversa. Carmen se sentia em um conflito. Estava cometendo um erro em não aceitar a ajuda dele? Ela não tinha certeza, mas sabia que nunca confiaria no homem sentado à sua frente da mesma forma como confiava em Spocatti.