Vingança em Manhattan
Capítulo 9
Carmen já fora enganada antes e ficou imaginando se estava sendo enganada agora. Babe McAdoo estava chamando Katzev? Ela se juntava ao consórcio para que pudesse ter as aventuras de que precisava para viver completamente? Ela telefonara antes para ele e o chamara à casa dela, sabendo que logo Carmen estaria ali?
Os pensamentos de Carmen voavam. Spocatti confiava em Gelling, o que significava que ele confiava nos contatos do homem. Mas, em algum momento, Babe podia ter passado para o outro lado, como muitos faziam. Ela olhou para Bebe. A mulher olhava por sobre o ombro, em direção à entrada da sala, e parecia relaxada. Havia um traço de sorriso nos lábios dela.
Um sorriso satisfeito?
Carmen prestou atenção e ouviu passos vindos da outra ponta de um corredor que não enxergava. Ela estava sentada no centro da sala. A porta para o corredor ficava à sua esquerda. Instintivamente, ela levou a mão ao lugar onde guardava a Glock e imediatamente se arrependeu de tê-la entregue a Max ao entrar na casa.
Babe olhou para ela. — Não tenha medo — disse ela. — Estamos aqui para ajudá-la, Carmen.
— Vocês quem?
— Você verá.
Quando ela viu, ficou sem fala. O instinto tomou conta dela, que se levantou e olhou em torno procurando algo com o que se proteger. Babe também se levantou e colocou a mão no braço de Carmen. Com um safanão, Carmen se afastou.
— O que é isso? — perguntou Carmen.
— Não é o que está pensando.
— O que diabos eu deveria pensar? — Carmen apontou para o homem que conhecia apenas como Jake. O homem que a seguira na noite anterior. O homem que entrara em um táxi com ela na noite anterior. O homem que saíra do bar, a entregara para os homens de Katzev e quase fizera com que fosse morta na noite anterior. — Pare — disse ela. — Bem aí. Pare.
— Por quê? — perguntou ele, sem parar. — Você está desarmada. Tem metade do meu tamanho. Não me diga o que fazer, Carmen.
Ela virou-se para Babe McAdoo. — Você armou para mim?
Babe pareceu ofendida. — É claro que não. Ele está aqui para ajudá-la.
— Ajudar? Quase morri na noite passada por causa dele. Ele enviou aqueles homens diretamente a mim. Você sabe disso.
— Eu não tive escolha — disse ele.
— Você tinha todas as escolhas — disse Carmen.
— Não, eu não tinha. Foi por isso que deixei aquele bilhete, para lhe dar uma vantagem. Não seja ingênua. Eles estavam me seguindo e nos viram na rua. Por causa do trânsito, nós os despistamos em um sinal quando estávamos andando pela cidade, mas isso não os impediu de me enviar uma mensagem. Quando chegamos ao bar, esperei que você desse o telefonema antes de ver a mensagem. Era uma ordem para ligar para eles, e eu o fiz. Eles me ameaçaram, queriam saber onde estávamos, então eu contei. Você teria feito a mesma coisa. Só o que temos é nossa própria sobrevivência, Carmen. Você, dentre todas as pessoas, sabe disso. Pelo menos eu lhe avisei antes de dar o fora. Eu não precisava fazer isso, mas fiz.
— Então, agora você está fugindo deles?
— Estou.
— Certo. — Novamente, ela olhou para Babe. — Por que está fazendo isso? Eu não confio nele. A não ser que esteja do lado dele, você também não deveria. Se alguma coisa acontecer comigo, você sabe que Spocatti matará vocês dois.
Babe McAdoo ergueu o caftan amarelo nos lados e deixou o tecido flutuar contra o corpo esguio. — Apesar de eu adorar o drama que está fazendo, Carmen, não adianta nada, então pare com isso. Spocatti não fará nada disso. Você está exagerando. Fique quieta e escute. Estou dizendo a você, não é nada disso que está pensando. — Ela olhou para Max. — Traga-me o telefone, por favor.
Max pegou o telefone na mesa atrás de si e levou-o para Babe. Babe discou e entregou o telefone para Carmen. — Vá em frente — disse ela. — Pegue o telefone antes que ele atenda.
— Antes que quem atenda?
— Spocatti. Estamos aqui para ajudá-la. Ele dirá isso a você. Ele sabe que estamos nessa sala. Você está vendo a situação de forma errada. Ele esclarecerá tudo e poderemos continuar.
Levou um momento antes que Spocatti atendesse e, quando o fez, parecia que estava sem fôlego. — Alô — disse ele.
— É Carmen. Você está bem? Parece sem fôlego.
— Você precisará perguntar a ela se estou bem, Carmen. Quer falar com ela? Ela é adorável. Suada, nua e adorável. Eu sei que você sempre imaginou como seria ficar comigo, então eis sua chance. Ela lhe dirá se estou bem — se sou melhor do que passável — mas você precisará confiar em seu italiano, porque ela não fala inglês. Não que importe muito, ela está com a boca ocupada. Já lhe disse que adoro Capri?
— Vincent...
— Ah, e se está me telefonando sobre a situação em que está agora, você está bem. Babe é a melhor. Você deve ouvi-la. Confie nela. Eu a conheço há mais de vinte anos e ela é totalmente verdadeira. Ela me contou tudo antes de você chegar, pois eles sabia que teria perguntas e preocupações. Deixe-as de lado. Eu trabalhei com Jake, cujo nome verdadeiro você descobrirá em breve. O nome Jake é melhor. Você verá por que ele escolheu o nome Jake, em vez do nome que seus pais escolheram. Da mesma forma que você, ele está sendo pressionado pelo consórcio. Ele tentou ajudá-la na noite passada, mas os homens chegaram antes que pudesse fazer muita coisa. Não o culpe. Sempre protegemos primeiro nós mesmos, não importa o que aconteça. Você não é diferente. Se estivesse no lugar dele, teria feito a mesma coisa. Portanto, una forças com ele. Ouça Babe. Encontre Katzev. Aparentemente, é ele que você procura, de acordo com o que Jake me disse. E Babe. Agora, eu adoraria conversar mais um pouco, mas... esqueci o nome dela... está vermelha como um tomate e precisa de um momento para respirar. Mantenha contato. Sabe que estou aqui se precisar de mim. Portanto, espero ter notícias suas. Logo.
A linha ficou muda.
Ela desligou o telefone e o entregou a Babe. Babe o entregou para Max, que atravessou a sala e o colocou na base. Vincent nunca armaria nada para ela, e Carmen sabia disso. Ela confiava nele como se fosse um irmão. Ela olhou para Babe e depois para Jake, que olhavam para ela como se não soubessem qual seria sua reação.
Ela não confiava em ninguém facilmente. Mas tinha que acreditar em Vincent. Em se tratando dela, ele nunca fora responsável por colocá-la em perigo.
Ela sentou-se em uma das cadeiras vermelhas.
— Babe, se tiver café, talvez nós três possamos conversar?
— Tenho minha mistura McAdoo particular — disse ela.
— Achei que teria. Presumo que seja forte.
— Vai explodir sua cabeça.
— Não é o que quero ouvir agora, Babe — disse Carmen.