A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 1 sur 38

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A mensageira das violetas

Vulcões

Como no bosque à noite o rouxinol. 

É delicada e triste. O seu corpito

Tem o perfume casto da verbena.

Não são mais brancas as magnólias brancas 

Que a sua boca tão branca e pequena. 

Ouço dizer: - Seu rosto faz sonhar! 

Serão pétalas de rosa ou de luar?

Talvez a neve que chorou o inverno... 

Mas vendo-a assim tão branca, penso eu: 

É um astro cansado, que do céu

Veio repousar nas trevas dum inferno!

 

VULCÕES

 

Tudo é frio e gelado. 

O gume dum punhal 

Não tem a lividez sinistra da montanha

Quando a noite a inunda dum manto sem igual 

De neve branca e fria onde o luar se banha. 

No entanto que fogo, que lavas, a montanha 

Oculta no seu seio de lividez fatal!

Tudo é quente lá dentro...e que paixão tamanha 

A fria neve envolve em seu vestido ideal! 

No gelo da indiferença ocultam-se as paixões 

Como no gelo frio do cume da montanha 

Se oculta a lava quente do seio dos vulcões... 

Assim quando eu te falo alegre, friamente, 

Sem um tremor de voz, mal sabes tu que estranha 

Paixão palpita e ruge em mim doida e fremente!

 

O MEU ALENTEJO