A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 12 sur 38

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A mensageira das violetas

A Minha Dor

- E ser, depois de vir do coração,

Um punhado de cinza esparso ao vento!... 

Sonhar um verso d´alto pensamento, 

E puro como um ritmo d´oração!

- E ser, depois de vir do coração,

O pó, o nada, o sonho dum momento!...

São assim ocos, rudes, os meus versos: 

Rimas perdidas, vendavais dispersos, 

Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro, 

O verso altivo e forte, estranho e duro, 

Que dissesse, a chorar, isto que sinto! 

 

A MINHA DOR 

A você

 

A minha dor é um convento ideal 

Cheio de claustros, sombras, arcarias, 

Aonde a pedra em convulsões sombrias 

Tem linhas dum requinte escultural.

Os sinos têm dobres d´agonias 

Ao gemer, comovidos, o seu mal... 

E todos têm sons de funeral

Ao bater horas, no correr dos dias...

A minha dor é um convento. Há lírios 

Dum roxo macerado de martírios, 

Tão belos como nunca os viu alguém!

Nesse triste convento aonde eu moro, 

Noites e dias rezo e grito e choro!

E ninguém ouve... ninguém vê... ninguém...

 

A FLOR DO SONHO