A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 13 sur 38

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A mensageira das violetas

Noite de Saudade

A flor do sonho, alvíssima, divina

Miraculosamente abriu em mim,

Como se uma magnólia de cetim

Fosse florir num muro todo em ruína. 

Pende em meu seio a haste branda e fina. 

E não posso entender como é que, enfim, 

Essa tão rara flor abriu assim!...

Milagre... fantasia... ou talvez, sina.... 

Ó flor, que em mim nasceste sem abrolhos, 

Que tem que sejam tristes os meus olhos 

Se eles são tristes pelo amor de ti?!... 

Desde que em mim nasceste em noite calma, 

Voou ao longe a asa da minh´alma

E nunca, nunca mais eu me entendi...

 

NOITE DE SAUDADE

 

A noite vem pousando devagar

Sobre a terra que inunda de amargura... 

E nem sequer a bênção do luar

A quis tornar divinamente pura...

Ninguém vem atrás dela a acompanhar 

A sua dor que é cheia de tortura...

E eu ouço a noite a soluçar!

E eu ouço soluçar a noite escura!

Por que é assim tão ´scura, assim tão triste?! 

É que, talvez, ó noite, em ti existe

Uma saudade igual à que eu contenho! 

Saudade que eu nem sei donde me vem... 

Talvez de ti, ó noite!... Ou de ninguém!... 

Que eu nunca sei quem sou, nem o que tenho!