A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 25 sur 38

Pages du PDF

A mensageira das violetas

Toledo

A sua vinda foi três vezes santa!

 

Erva do chão que a mão de Deus levanta, 

Folhas murchas de rojo à tua porta... 

Quando eu for uma pobre coisa morta, 

Quanta mulher ainda! Quanta! Quanta!

 

Mas eu sou a manhã: apago estrelas! 

Hás de ver-me, beijar-me em todas elas, 

Mesmo na boca da que for mais linda!

 

E quando a derradeira, enfim, vier, 

Nesse corpo vibrante de mulher 

Será o meu que hás de encontrar ainda...

 

TOLEDO

 

Diluído numa taça de ouro a arder 

Toledo é um rubi. E hoje é só nosso! 

O sol a rir...Viv´alma...Não esboço 

Um gesto que me não sinta esvaecer...

 

As tuas mãos tateiam-me a tremer... 

Meu corpo de âmbar, harmonioso e moço, 

É como um jasmineiro em alvoroço 

Ébrio de sol, de aroma, de prazer!

 

Cerro um pouco o olhar, onde subsiste