A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 10 sur 38

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A mensageira das violetas

A Tua Voz de Primavera

Eu que do sol filtro os ruivos brilhos 

Sobre as louras cabeças dos teus filhos 

Quando o meio-dia tomba sobre a serra... 

E, à noite, a sua voz dolente e vaga 

É o soluço da minha alma em chaga: 

Raiz morta de sede sob a terra!

 

A TUA VOZ DE PRIMAVERA

 

Manto de seda azul, o céu reflete

Quanta alegria na minha alma vai!

Tenho os meus lábios úmidos: tomai 

A flor e o mel que a vida nos promete! 

Sinfonia de luz meu corpo não repete 

O ritmo e a cor dum mesmo desejo... olhai! 

Iguala o sol que sempre às ondas cai, 

Sem que a visão dos poentes se complete! 

Meus pequeninos seios cor-de-rosa, 

Se os roça ou prende a tua mão nervosa, 

Têm a firmeza elástica dos gamos... 

Para os teus beijos, sensual, flori!

E amendoeira em flor, só ofereço os ramos, 

Só me exalto e sou linda para ti!

 

TRAZES-ME EM TUAS MÃOS DE VITORIOSO

 

Trazes-me em tuas mãos de vitorioso 

Todos os bens que a vida me negou, 

E todo um roseiral, a abrir, glorioso

Que a solitária estrada perfumou.

Neste meio-dia límpido, radioso,