A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 9 sur 38

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A mensageira das violetas

Versos

Mas nunca encontrarás p´la vida fora, 

Amor assim como este amor que chora 

Neste beijo d´amor que são meus versos!...

 

VERSOS

 

Versos! Versos! Sei lá o que são versos... 

Pedaços de sorriso, branca espuma, 

Gargalhadas de luz, cantos dispersos, 

Ou pétalas que caem uma a uma... 

Versos!... Sei lá! Um verso é o teu olhar, 

Um verso é o teu sorriso e os de Dante 

Eram o teu amor a soluçar

Aos pés da sua estremecida amante! 

Meus versos!... Sei eu lá também que são... 

Sei lá! Sei lá!... Meu pobre coração 

Partido em mil pedaços são talvez... 

Versos! Versos! Sei lá o que são versos... 

Meus soluços de dor que andam dispersos 

Por este grande amor em que não crês...

 

À TUA PORTA HÁ UM PINHEIRO MANSO

 

À tua porta há um pinheiro manso 

De cabeça pendida, a meditar,

Amor! Sou eu, talvez, a contemplar 

Os doces sete palmos do descanso. 

Sou eu que para ti atiro e lanço,

Como um grito, meus ramos pelo ar, 

Sou eu que estendo os braços a chamar 

Meu sonho que se esvai e não alcanço.