A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 17 sur 38

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A mensageira das violetas

Sem Palavras

 

Brancas, suaves mãos de irmã

Que são mais doces que as das rainhas, 

Hão de pousar em tuas mãos, as minhas 

Numa carícia transcendente e vã.

E a tua boca a divinal manhã

Que diz as frases com que me acarinhas, 

Há de pousar nas dolorosas linhas 

Da minha boca purpurina e sã.

Meus olhos hão de olhar teus olhos tristes; 

Só eles te dirão que tu existes

Dentro de mim num riso d’alvorada! 

E nunca se amará ninguém melhor; 

Tu calando de mim o teu amor,

Sem que eu nunca do meu te diga nada!...

 

QUE IMPORTA?...

 

Eu era a desdenhosa, a indiferente. 

Nunca sentira em mim o coração 

Bater em violências de paixão, 

Como bate no peito à outra gente. 

Agora, olhas-me tu altivamente, 

Sem sombra de desejo ou de emoção, 

Enquanto as asas louras da ilusão 

Abrem dentro de mim ao sol nascente. 

Minh'alma, a pedra, transformou-se em fonte; 

Como nascida em carinhoso monte, 

Toda ela é riso, e é frescura e graça! 

Nela refresca a boca um só instante... 

Que importa?... Se o cansado viandante