A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 24 sur 38

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A mensageira das violetas

Mendiga

Num astro só as nossas duas sombras...

 

MENDIGA

 

Na vida nada tenho e nada sou; 

Eu ando a mendigar pelas estradas... 

No silêncio das noites estreladas 

Caminho, sem saber para onde vou!

 

Tinha o manto do sol... quem mo roubou?! 

Quem pisou minhas rosas desfolhadas?! 

Quem foi que sobre as ondas revoltadas 

A minha taça de ouro espedaçou?

 

Agora vou andando e mendigando, 

Sem que um olhar dos mundos infinitos 

Veja passar o verme, rastejando...

 

Ah, quem me dera ser como os chacais 

Uivando os brados, rouquejando os gritos 

Na solidão dos ermos matagais!...

 

SUPREMO ENLEIO

 

Quanta mulher no teu passado, quanta! 

Tanta sombra em redor! Mas que me importa? 

Se delas veio o sonho que conforta,