A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 8 sur 38

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A mensageira das violetas

Aos Olhos Dele

 

Não acredito em nada. 

As minhas crenças 

Voaram como voa a pomba mansa, 

Pelo azul do ar. 

E assim fugiram o 

As minhas doces crenças de criança. 

Fiquei então sem fé; e a toda gente 

Eu digo sempre, embora magoada: 

Não acredito em Deus e a Virgem Santa

É uma ilusão apenas e mais nada! 

Mas avisto os teus olhos, meu amor, 

Duma luz suavíssima de dor...

E grito então ao ver esses dois céus: 

Eu creio, sim, eu creio na Virgem Santa 

Que criou esse brilho que m'encanta! 

Eu creio, sim, creio, eu creio em Deus!

 

DOCE CERTEZA

 

Por essa vida fora hás-de adorar

Lindas mulheres, talvez; em ânsia louca, 

Em infinito anseio hás de beijar

Estrelas d´ouro fulgindo em muita boca! 

Hás de guardar em cofre perfumado 

Cabelos d´ouro e risos de mulher,

Muito beijo d´amor apaixonado;

E não te lembrarás de mim sequer... 

Hás de tecer uns sonhos delicados... 

Hão de por muitos olhos magoados, 

Os teus olhos de luz andar imersos!...