A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 3 sur 38

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A mensageira das violetas

Vozes Do Mar

Minha terra d´amor e de ventura, 

Ó meu amado e lindo Portugal!

 

VOZES DO MAR

 

Quando o sol vai caindo sob as águas 

Num nervoso delíquio d´ouro intenso, 

Donde vem essa voz cheia de mágoas 

Com que falas à terra, ó mar imenso? 

Tu falas de festins, e cavalgadas 

De cavaleiros errantes ao luar?

Falas de caravelas encantadas

Que dormem em teu seio a soluçar? 

Tens cantos d´epopéias? 

Tens anseios D´amarguras? 

Tu tens também receios, 

Ó mar cheio de esperança e majestade?! 

Donde vem essa voz, ó mar amigo?... ...

Talvez a voz do Portugal antigo, 

Chamando por Camões numa saudade!

 

CRAVOS VERMELHOS

 

Bocas rubras de chama a palpitar, 

Onde fostes buscar a cor, o tom, 

Esse perfume doido a esvoaçar, 

Esse perfume capitoso e bom?!

Sois volúpias em flor! 

Ó gargalhadas 

Doidas de luz, ó almas feitas risos! 

Donde vem essa cor, ó desvairadas,