A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 22 sur 38

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A mensageira das violetas

Conto de Fadas

 

Eu trago-te nas mãos o esquecimento 

Das horas más que tens vivido, amor! 

E para as tuas chagas o ungüento 

Com que sarei a minha própria dor.

 

Os meus gestos são ondas de Sorrento... 

Trago no nome as letras duma flor... 

Foi dos meus olhos garços que um pintor 

Tirou a luz para pintar o vento...

 

Dou-te o que tenho: o astro que dormita, 

O manto dos crepúsculos da tarde, 

O sol que é d´ouro, a onda que palpita.

 

Dou-te comigo o mundo que Deus fez!

- Eu sou aquela de quem tens saudade, 

A princesa de conto: "Era uma vez..."

 

EU

 

Até agora eu não me conhecia,

Julgava que era eu e eu não era

Aquela que em meus versos descrevera 

Tão clara como a fonte e como o dia.

 

Mas que eu não era eu não o sabia