A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 16 sur 38

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A mensageira das violetas

Quem?...

Disseram-me hoje, assim, ao ver-me triste: 

"Parece Sexta-feira da Paixão.

Sempre a cismar, cismar, d´olhos no chão, 

Sempre a pensar na dor que não existe... 

O que é que tem?! Tão nova e sempre triste! 

Faça por ´star contente! Pois então?!..." 

Quando se sofre, o que se diz é vão... 

Meu coração, tudo, calado ouviste... 

Os meus males ninguém mos adivinha... 

A minha dor não fala, anda sozinha... 

Dissesse ela o que sente! Ai quem me dera!... 

Os males d´Anto toda a gente os sabe! 

Os meus...ninguém... A minha dor não cabe 

Nos cem milhões de versos que eu fizera!...

 

QUEM?...

 

Não sei quem és. Já não te vejo bem... 

E ouço-me dizer (ai, tanta vez!...)

Sonho que um outro sonho me desfez? 

Fantasma de que amor? Sombra de quem? 

Névoa? Quimera? Fumo? Donde vem?...

- Não sei se tu, amor, assim me vês!... 

Nossos olhos não são nossos, talvez... 

Assim, tu não és tu! Não és ninguém!... 

És tudo e não és nada... És a desgraça... 

És quem nem sequer vejo; és um que passa...

 És sorriso de Deus que não mereço... 

És aquele que vive e que morreu...

És aquele que é quase um outro eu... 

És aquele que nem sequer conheço...