A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 19 sur 38

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A mensageira das violetas

O Nosso Mundo

As brumas dos atalhos por onde ando... 

E este amor que assim me vai fugindo

É igual a outro amor que vai surgindo, 

Que há-de partir também... nem eu sei quando...

 

O NOSSO MUNDO

 

Eu bebo a vida, a vida, a longos tragos 

Como um divino vinho de Falerno! 

Pousando em ti o meu olhar eterno 

Como pousam as folhas sobre os lagos...

 

Os meus sonhos agora são mais vagos... 

O teu olhar em mim, hoje, é mais terno... 

E a vida já não é o rubro inferno

Todo fantasmas tristes e pressagos!

 

A vida, meu amor, quero vivê-la! 

Na mesma taça erguida em tuas mãos, 

Bocas unidas, hemos de bebê-la! 

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?... 

Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?... 

O mundo, amor! ... As nossas bocas juntas!...

 

ANOITECER

 

A luz desmaia num fulgor d’aurora,

Diz-nos adeus religiosamente...

E eu que não creio em nada, sou mais crente