A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 6 sur 38

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A mensageira das violetas

Cegueira Bendita

Rasga a mortalha do meu peito brando 

E vai fugindo, e tonto vai andando 

A perder-se nas brumas dos caminhos. 

Meu coração o místico profeta, 

O paladino audaz da desventura, 

Que sonha ser um santo e um poeta, 

Vai procurar o Paço da Ventura... 

Meu coração não chega lá decerto... 

Não conhece o caminho nem o trilho, 

Nem há memória desse sítio incerto... 

Eu tecerei uns sonhos irreais...

Como essa mãe que viu partir o filho, 

Como esse filho que não voltou mais!

 

CEGUEIRA BENDITA

 

Ando perdida nestes sonhos verdes 

De ter nascido e não saber quem sou, 

Ando ceguinha a tatear paredes

E nem ao menos sei quem me cegou! 

Não vejo nada, tudo é morto e vago... 

E a minha alma cega, ao abandono 

Faz-me lembrar o nenúfar dum lago 

´Stendendo as asas brancas cor do sonho... 

Ter dentro d´alma na luz de todo o mundo 

E não ver nada nesse mar sem fundo, 

Poetas meus irmãos, que triste sorte!... 

E chamam-nos a nós Iluminados!

Pobres cegos sem culpas, sem pecados, 

A sofrer pelos outros té à morte!

 

JUNQUILHOS...