A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 29 sur 38

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A mensageira das violetas

Espera...

- Hei de compor, sonhar palavras belas, 

Lindos versos de dor só para elas,

Para em lânguidas noites lhes dizeres! 

Crucificada em mim, sobre os meus braços, 

Hei de pousar a boca nos teus passos 

Pra não serem pisados por ninguém. 

E depois... Ah, depois de dores tamanhas, 

Nascerás outra vez de outras entranhas, 

Nascerás outra vez de uma outra mãe!

 

ESPERA...

 

Não me digas adeus, ó sombra amiga, 

Abranda mais o ritmo dos teus passos; 

Sente o perfume da paixão antiga, 

Dos nossos bons e cândidos abraços! 

Sou dona de místicos cansaços,

A fantástica e estranha rapariga

Que um dia ficou presa nos teus braços... 

Não vás ainda embora, ó sombra amiga!

Teu amor fez de mim um lago triste: 

Quantas ondas a rir que não lhe ouviste, 

Quanta canção de ondinas lá no fundo!

Espera...espera...ó minha sombra amada... 

Vê que pra além de mim já não há nada 

E nunca mais me encontrarás neste mundo!

 

INTERROGAÇÃO

 

Neste tormento inútil, neste empenho 

De tornar em silêncio o que em mim canta,