A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 33 sur 38

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A mensageira das violetas

Árvores Do Alentejo

Perdeu-se como vela em mar de mágoa 

Batida por furiosos vendavais!

- Eu fui na vida a irmã de um só irmão, 

E já não sou a irmã de ninguém mais!

 

ÁRVORES DO ALENTEJO

 

Horas mortas... Curvada aos pés do monte 

A planície é um brasido... e, torturadas, 

As árvores sangrentas, revoltadas, 

Gritam a Deus a bênção duma fonte! 

E quando, manhã alta, o sol posponte 

A ouro a giesta, a arder, pelas estradas, 

Esfíngicas, recortam desgrenhadas 

Os trágicos perfis no horizonte!

Árvores! Corações, almas que choram, 

Almas iguais à minha, almas que imploram 

Em vão remédio para tanta mágoa! 

Árvores! Não choreis! Olhai e vede:

- Também ando a gritar, morta de sede, 

Pedindo a Deus a minha gota d´água!

 

QUEM SABE?... 

Ao Ângelo

Queria tanto saber porque sou eu! 

Quem me enjeitou neste caminho escuro? 

Queria tanto saber porque seguro 

Nas minhas mãos o bem que não é meu!

 

Quem me dirá se, lá no alto, o céu