A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 35 sur 38

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A mensageira das violetas

Falo de Ti Às Pedras Das Estradas

Dize-me, amor, como te sou querida, 

Conta-me a glória do teu sonho eleito, 

Aninha-me a sorrir junto ao teu peito, 

Arranca-me dos pântanos da vida. 

Embriagada numa estranha lida,

Trago nas mãos o coração desfeito, 

Mostra-me a luz, ensina-me o preceito 

Que me salve e levante redimida! 

Nesta negra cisterna em que me afundo, 

Sem quimeras, sem crenças, sem turnura, 

Agonia sem fé dum moribundo,

Grito o teu nome numa sede estranha, 

Como se fosse, amor, toda a frescura 

Das cristalinas águas da montanha!

 

FALO DE TI ÀS PEDRAS DAS ESTRADAS

 

Falo de ti às pedras das estradas,

E ao sol que e louro como o teu olhar, 

Falo ao rio, que desdobra a faiscar,

Vestidos de princesas e de fadas;

Falo às gaivotas de asas desdobradas, 

Lembrando lenços brancos a acenar,

E aos mastros que apunhalam o luar

Na solidão das noites consteladas;

Digo os anseios, os sonhos, os desejos 

Donde a tua alma, tonta de vitória,

Levanta ao céu a torre dos meus beijos! 

E os meus gritos de amor, cruzando o espaço, 

Sobre os brocados fúlgidos da glória, 

São astros que me tombam do regaço!