A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 28 sur 38

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A mensageira das violetas

Nostalgia

Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar.

 

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada 

Que seja a minha noite uma alvorada, 

Que me saiba perder... pra me encontrar...

 

NOSTALGIA

 

Nesse país de lenda, que me encanta, 

Ficaram meus brocados, que despi,

E as jóias que p´las aias reparti

Como outras rosas de Rainha Santa! 

Tanta opala que eu tinha! Tanta, tanta! 

Foi por lá que as semeei e que as perdi... 

Mostrem-me esse País onde eu nasci!

Mostrem-me o reino de que eu sou infanta! 

Ó meu país de sonho e de ansiedade, 

Não sei se esta quimera que me assombra, 

É feita de mentira ou de verdade!

Quero voltar! Não sei por onde vim... 

Ah! Não ser mais que a sombra duma sombra 

Por entre tanta sombra igual a mim!

 

CRUCIFICADA

 

Amiga... noiva... irmã... o que quiseres! 

Por ti, todos os céus terão estrelas,

Por teu amor, mendiga, hei de merecê-las, 

Ao beijar a esmola que me deres.

Podes amar até outras mulheres!